Assim que Maverick foi embora, Maya seguiu analisando a casa.
E em toda essa análise encontrou o quarto de Vicent, reconheceu somente pelo cheiro.
Em cinco anos ele nem mesmo mudou de perfume, mais estranho era ela se lembrar do cheiro dele.
Maya memorizou perfeitamente aquele perfume, só havia esquecido de como era sua voz.
Não se lembrava mais de como era o tom da voz dele, e mesmo sem se lembrar sentia saudades.
Antes que pudesse pensar em qualquer coisa, Audrey apareceu, ainda queria saber o que acontecia.
--- Podemos nos sentar para conversarmos?
Audrey se sentou na cama ainda desconfiada, Maya se sentou ao lado dela na cama, sorriu para ela.
--- Vejo que você não gosta muito de sorrir.
--- E parece que você sorri demais.
--- Tudo bem, vamos ao assunto que importa.
--- Que bom, não gosto mesmo de rodeios.
--- Sou a esposa do seu pai.
--- Esposa?
--- Sim.
--- E o que faz você pensar que pode sobreviver a isso? Meu pai não tem tempo para viver, nem mesmo para as filhas, acha que ele terá tempo pra você?
--- Uau, você é sincera, nós nos daremos bem.
--- Isso não é uma brincadeira, você com certeza é jovem, pode encontrar alguém que ame e que não tenha dois fardos para lidar.
--- Por que você se consideraria um fardo? Não seja assim, eu ainda não sei como as coisas funcionam, mas posso mudar essa realidade com a sua ajuda.
--- Você é corajosa.
--- E você parece reclusa demais, vamos lá, se me ajudar poderemos ser uma família muito feliz, só precisa me dar uma chance.
--- Você é maluca, como pode querer tanto assim fazer seu casamento com meu pai dar certo?
--- Eu não posso desejar isso?
Para Audrey era difícil de acreditar que uma mulher tipo dez anos mais nova que o pai queria fazer dar certo aquele casamento.
Maya e Vicent na verdade tinham uma diferença de idade de onze anos, Audrey só não sabia desse detalhe.
E se ela soubesse seria ainda mais difícil de acreditar em Maya, estava desconfiada do desejo dela.
Por uma parte aquela desconfiança era por conta da sua mãe, pelo que ela havia feito no passado.
No pensamento de Audrey se a própria mãe as abandonou ali, porque uma desconhecida faria diferente.
Sem contar que não tinha como alguém desejar fazer um casamento com seu pai dar certo.
Conhecia seu pai muito bem para saber que nenhuma mulher suportaria a falta de atenção dele.
Não tinha tanta certeza se alguém realmente poderia muda-lo algum dia, e se conseguisse seria trabalhoso.
--- Eu não consigo acreditar que você quer fazer um casamento com o meu pai dar certo.
--- Acho que posso contar um pouco sobre essa situação pra você.
--- Estou ouvindo.
--- Para começar, eu não sabia que esse seria um casamento de fachada, eu aceitei achando que realmente seria um casamento normal.
--- Por que?
--- O motivo eu ainda não posso contar a você, mas um dia prometo fazer isso.
--- Então, vai mesmo continuar esse casamento?
--- Vou, já que estou aqui, farei do modo certo, apesar de ter começado errado.
--- Acreditarei em você dessa vez.
--- Claro, não quebrarei sua confiança, e além disso, deveria agir como uma criança e não como um adulto.
Audrey fingiu que não ouviu o que Maya disse e saiu do quarto, claro que não daria total confiança a ela.
Não permitiria que uma estranha chegasse em sua casa e a enganasse com um sorriso amigável.
Maya sorriu quando Audrey saiu do quarto, ela era a criança mais esperta que havia conhecido.
Mas sabia também que toda aquela barreira em volta de si, era pela falta de cuidado e amor dos pais.
Não conseguia entender o motivo pelo qual Vicent não cuidou das filhas.
Pior ainda era a mãe que havia as abandonado ali sozinhas com um pai que não ligava para nada mais que a empresa.
Isso deixava o coração de Maya triste, não conseguia entender como alguém podia ser assim.
Vicent tinha tudo, duas filhas incríveis, uma empresa grande e bem remunerada.
Ele não precisava de nada além de cuidar de suas filhas e viver feliz, mas ele não fazia isso.
Se perguntava o porquê disso, eram apenas duas crianças, que precisavam dos pais.
E nenhum deles estavam se importando com as duas crianças que ficavam naquela casa sozinhas.
Tinha curiosidade em saber como elas viveram todos aqueles anos, era inacreditável.
O fato delas terem vivido todos aqueles anos ali sozinhas era ainda pior do que poderia sequer imaginar.
Deixando um pouco seus pensamentos de lado andou até o closet de Vicent, olhou atentamente.
Ternos e mais ternos, se perguntava o que ele vestia quando não estava trabalhando na empresa.
Tirou a com conclusão de que ele nunca estava fora da empresa, por isso não tinha outras roupas além de ternos.
Apesar de ele ficar extremamente lindo em ternos, Maya queria vê-lo em roupas casuais.
Começava a pensar em como poderia fazer aquele casamento dar certo, não chegou até ali para ter um casamento de fachada.
Abriu sua bolsa e pegou as poucas peças de roupas que eram suas, não pegou nada do que não era seu.
Quando saiu daquela casa decidiu deixar todas as lembranças ruins para trás, estava indo viver algo novo.
Não faria sentido se quisesse viver com todas aquelas memórias ruins em pensamento.
Tudo que sempre desejou antes de sair daquele inferno, era exatamente sair de lá em algum momento.
Agora que havia conseguido era como se tivesse ganhado uma vida totalmente nova.
Colocou suas poucas peças no closet de Vicent, pensou que ele poderia não se importar com aquilo.
Tomou um banho relaxante, tinha se esquecido como era o sentimento de não estar naquela casa.
Até o banho parecia algo libertador, não pensou que se sentiria tão bem.
Deitou-se na cama após o banho, o cheiro dele estava ali, exalando como se estivesse presente no quarto.
E como uma onda do mar inesperada e assustadora, Maya se lembrou do fato de que fugiu.
Se sentia bem e finalmente conseguiu o que tanto desejava, mas não sabia o que viria pela frente.
O sentimento de liberdade estava ali, mas o medo a assustava ainda mais.