Amor.

1066 Words
Vicent estreitou seus olhos olhando para Maverick, desligou o celular e colocou em cima da mesa. Já não aguentava mais ser atormentado por ele todos os dias, estava se cansando. --- Não pode me deixar em paz por alguns dias, Maverick? --- Claro que não, você tem filhas e uma esposa maravilhosa esperando você em casa, por que não vai pra lá? --- Esposa maravilhosa? Quem disse que tem o direito de falar desse modo com ela? Não tem mais respeito? --- Tenho, mas como é meu melhor amigo tenho que dizer que é um desperdício deixar uma mulher como ela sozinha em casa. Vicent correu atrás de Maverick, se pudesse queria ao menos fazer ele engolir a própria língua. --- Pare aí mesmo Maverick, vou m***r você. --- O que? Disse que não está interessado nela, de repente mudou de ideia? Tentou mais uma vez agarrar Maverick pela camisa, o ciúmes corroía seu coração. Ele não admitia, mas estava pensando tanto em Maya que nem poderia mais se conter. Teve a chance de conter aquele sentimento quando ela esteve ali pela última vez, mas não pôde fazer isso. Na verdade ele não teve coragem para dizer que queria estar fora daquele casamento. Essa teria sido a grande resolução para o seu problema, deveria ter falado quando teve a chance. Quando finalmente conseguiu agarrar o colarinho da camisa de Maverick, a porta se abriu. Maya ficou estática na porta, foi uma grande surpresa ver os dois em uma situação de quase briga. Vicent também ficou estático, continuava seguro em Maverick mas não concluiu a ação de socar a cara dele. --- Bom, eu acho que posso voltar depois. --- Não é necessário. Olhando com seus olhos matadores para Maverick, avisando que se acertariam depois. Maverick saiu da sala agradecendo silenciosamente a Maya, foi ela quem o salvou. Fechando a porta atrás de si, Maya seguiu até a mesa de centro da sala de Vicent. Colocou a comida que havia trazido de casa, dessa vez só trouxe para ele. Aos poucos iria diminuindo a sua atenção, assim uma hora ele iria valorizar. --- Onde está as crianças? --- Na brinquedoteca, Audrey cuidará de Freya. --- Não trouxe almoçou para você também? --- Não, pode almoçar sozinho. Enquanto Vicent se sentou no sofá, Maya se direcionou a estante de livros. Adorava a sala de Vicent simplesmente pelo fato de ter livros ali. Vicent vez ou outra olhava para ela, se perguntava por que Maya não falava como da última vez. Quando esteve ali da última vez, Maya estava sempre puxando assunto com Vicent. Dessa vez ela somente ficou em silêncio, não tinha necessidade de falar nada. Iria esperar Vicent puxar assunto, queria que ele sentisse vontade de conversar sobre algo com ela. Não porque estivesse o pressionando para falar, mas porque ele tivesse vontade. Vicent continuava em silêncio, já que Maya não falava com ele, apreciava a comida. Que por sinal, era a melhor de todas, estava pensando que iria deixar de se acostumar com a comida que ofereciam no refeitório da empresa. A comida que ela preparava era mais deliciosa e parecia ter um toque especial. Maya notou que ele estava apreciando a comida, a expressão de satisfação deixava bem claro. Sorriu sozinha, iria conquistar o coração daquele homem, não importa o que houvesse. --- A comida é ótima. --- Que bom, poderá comer novamente quando estiver em casa. --- Não virá mais na empresa? --- Não para trazer almoço para você, eu preparo em casa e deixo tudo organizado, não vou ficar trazendo comida para você todos os dias, temos uma casa, e não é essa empresa Vicent. --- Eu já disse que esse não é um casamento real. --- Por quanto tempo dirá isso? Posso esperar mas não tanto. --- Já está pensando em desistir? --- Se você não dá uma chance, o que mais eu poderei fazer para mudar isso? Fazer esse casamento dar certo, em algum momento também precisa ser escolha sua. --- E se essa nunca for uma escolha minha? --- Caso seja assim acho que será um amor não correspondido. Olhando nos olhos de Vicente sorriu fraco e saiu pela porta sem dizer mais nada. Vicent ficou processando as palavras que acabaram de sair da boca dela, e não estava enganado. Ouviu nitidamente ela dizer que seria um amor não correspondido, foi isso o que ouviu. E ela disse algo assim olhando nos olhos dele com tanta sinceridade, só poderia significar uma coisa. Amor, ela já amava alguém que nem mesmo dava atenção ou que a via todos os dias. Se perguntava por que alguém como Maya diria a ele que o amava, não fazia sentido. Os dois não se conheciam, não sabia nada sobre ela e vice versa, isso era maluquice. Correu ao encontro de Maya, precisava dizer algo com urgência, não poderia esperar. A encontrou dentro do elevador, as portas estavam se fechando mas conseguiu chegar a tempo. Se apoiou nas paredes do elevador para recuperar o fôlego, foi uma longa corrida. Maya estava confusa, em um momento Vicent não se importava, depois corria ao seu encontro. --- Pare agora mesmo Maya. --- Em relação ao que está se referindo? --- Não aprofunde mais o seu amor por mim, ele jamais será recíproco. --- Correu até aqui para me dizer isso? --- Sim, não quero que passe anos se enganando, eu jamais poderei amar você, nunca. Essas palavras foram ditas olhando profundamente nos olhos de Maya, mas não acreditava. De alguma forma sentia que tudo que ele estava dizendo não passava de uma grande mentira. Poderia estar enganada, mas tinha certeza que não, as palavras de Vicent não eram sinceras. Ficou em silêncio, não tinha o que responder, e ele não fez uma pergunta, não havia necessidade. Vicent por outro lado continuou esperando pela resposta, que não viria, em momento nenhum. --- Maya, não ouviu que eu disse? --- Ouvi. --- E não vai me dizer nada? --- Não tenho o que dizer, você não fez uma pergunta e não quero que nada seja dito nesse momento. --- O que pretende fazer a partir de agora? --- Não preciso fazer nada, se arrependerá por essas palavras sozinho. Maya saiu do elevador deixando Vicent ali sozinho, nenhum dos dois tinha mais nada a falar. Vicent disse o que desejava mas não o que realmente queria e isso fez Maya sorri.
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