Tempo.

1066 Words
Audrey estava em frente a sua escola conversando com seu grupo de amigos. Sempre que saiam ficavam alguns minutos ali conversando enquanto cada um esperavam seus pais. --- Audrey, quem é o homem esperando por você? Audrey olhou ao seu redor, parou seus olhos em seu pai, era ele que havia ido buscá-la na escola. Franziu as sobrancelhas, pensou que a ideia dele de recomeçar não tinha sido algo sério, aparentemente havia se enganado totalmente. --- Meu pai, eu vou indo. --- Não nos contou que é filha de um dos CEOS mais importante do nosso país. --- Muita gente não sabe disso Naele. Entrou no banco de trás do carro, não se acostumou totalmente com a ideia do pai lhe dar tanta atenção. Não só a ela, mas a sua irmã mais nova também, aquilo era estranho. Depois que Maya chegou na vida das duas, descobriu como realmente os pais deveriam amar seus filhos. E assim o pensamento r**m que tinha em relação aos pais, só pirou ainda mais. A partir do momento que Audrey passou a entender perfeitamente o que os pais fizeram, só se sentiu ainda mais triste. Perguntas e mais perguntas não paravam de rondar a sua mente o tempo todo. Estava tentando aceitar aquela mudança, afinal, seria bom para ela e para Freya também, mas não conseguia. Antes de aceitar, Audrey queria entender tudo que aconteceu durante todos aquele anos. Por outro lado, temia a resposta que teria ao fazer essa pergunta, era um grande impasse. Vicent passou na escola de Freya também, depois seguiram para casa. Maya já estava lá preparando o jantar, e naquele dia, Vicent decidiu não trabalhar até tarde. Queria aproveitar a companhia de sua família, era só isso que queria e nada mais. O trabalho na empresa poderia ser feito em outro dia, o que mais importava naquele momento era outra coisa. Maya já estava de banho tomado, só esperando eles chegarem para dar banho em Freya. Ajudou as crianças no banho e Vicent foi para o banho também, pois era uma regra de Maya. Não iria contra as regras dela, estava descobrindo só agora que ter regras em casa não era de todo r**m. Jantaram com a bagunça das crianças, Audrey estava aprendendo como ser realmente criança. Foram tantos anos sem poder ser realmente o que era, Maya não permitiu mais isso desde que chegou ali. A mais importante regra que havia criado, era que as duas deveriam ser às crianças que eram e nada mais. Após o jantar, Vicent organizou a louça na máquina, precisava ajudá-la ao menos na louça. Afinal, se aquilo era um casamento, precisavam estar juntos e se ajudarem sempre. Na hora de assistir ao filme, Audrey e Freya ficaram agarradas a Maya, Vicent adorou aquela cena. Maya realmente parecia a mãe das duas, na verdade, ela não parecia, ela era a mãe. Só mesmo uma mãe para fazer tudo que ela fazia, seria impossível não dizer que ela era mãe das duas. Freya foi levada para cama, Maya a colocou lá antes que ela dormisse de verdade. Vicent ficou na sala sozinho com Audrey, não sabia como agir ao lado de sua filha. Se sentia totalmente impotente perto dela ou de Freya, era inacreditável. Jamais se sentiu impotente em relação a alguma situação, mas agora estava totalmente diferente. Quem estava ali era a sua filha, mas não conseguia pensar em nenhum assunto que poderiam conversar. Pensou que realmente foi um pai h******l, nenhum pai bom o suficiente teria o problema que estava tendo naquele momento. --- Não tem atividade Audrey? Posso ajudar você se quiser. --- Ajudar? --- Sim, não precisa de ajuda? --- É somente isso que você tem para falar depois de tantos anos pai? --- Eu deveria ter falado outra coisa? --- Que tal começar se desculpando pelo pai que não foi para mim e Freya? Vicent não estava preparado para ser colocado contra a parede pela própria filha. Pensou que iria fugir daquela pergunta, mas pelo visto não poderia fazer aquilo por mais tempo. Ter uma resposta para a pergunta de Audrey não era difícil, mas era difícil responder pela vergonha que sentia. Era vergonhoso, que motivos um pai teria para abandonar suas próprias filhas, duas crianças? A consequência dos seus atos estava pesando, e merecia muito isso, qualquer sofrimento para Vicent seria pouco. --- Me perdoe filha, eu não deveria ter abandonado vocês justo no momento em que tanto precisaram de mim, é vergonhoso falar sobre isso, mas não há nada no mundo que possa justificar o que fiz. Audrey ficou em silêncio, imaginou que não teria um motivo para justificar o que fez, era impossível ter um. Aprendeu também com Maya que jamais poderia haver justificativas para os pais abandonarem seus filhos. Mas também aprendeu com ela que perdoar era sempre uma boa solução para problemas que não poderiam ser resolvidos. --- Eu perdoo o senhor, mas ainda preciso me acostumar com essa ideia de ter um pai, a mãe que não tinha nenhuma obrigação, nos ensinou que perdoar é sempre bom. Foi para a cama, seus pensamentos precisavam serem encerrados naquela noite, não aguentava mais pensar tanto. Maya tinha ouvido a conversa entre Audrey e Vicent, se sentiu orgulhosa de Audrey, ela era uma criança incrível. Se sentou ao lado de Vicent, ele estava calado e pensativo, o que nem era uma novidade, ele sempre foi assim. Para chamar a atenção dele não foi tão difícil, se deitou no colo dele sorrindo genuinamente. Aquele era o seu sorriso mais puro, consequentemente o que deixava Vicent ainda mais perdido. --- Você tem maneiras peculiares de chamar a minha atenção. --- Eu gosto de ser diferente. --- Eu já percebi isso. --- Deixe que o tempo resolva os problemas entre vocês, Freya não tem dificuldade em aceitar porque é quase um bebê ainda. --- Tudo bem, eu não tenho pressa, só me sinto um ser humano h******l. --- É claro que sentiria isso, o que você fez com Audrey e Freya não é algo que um pai deveria fazer jamais. --- Obrigado por me lembrar isso. --- Disponha. Maya também tinha uma forma peculiar de confortar alguém, ela realmente era única, em todos os sentidos. Pensando no quanto ela era única, Vicent se deu conta que não iria demorar a se apaixonar por ela. Ou talvez ele já soubesse e não admitia a si mesmo.
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