Apesar de todos ali acharem o plano de game que Maya criou, está perfeito, a decisão final era do CEO.
Cada um direcionou a atenção a Vicent, esperavam pela palavra final que claramente era dele.
A sala foi preenchida por um silêncio matador, não se ouvia se quer o som das respirações.
--- Está perfeito, será a designer e ficará comigo à frente desse projeto.
--- Sim senhor.
Ouvir o senhor pareceu um insulto a Vicent, não queria ser chamado de senhor por Maya.
Queria sempre ouvir seu nome sendo proferido por ela, mas sabia que não teria esse privilégio ali na empresa.
A reunião foi encerrada e todos voltaram para as suas respectivas mesas e salas.
Após cumprir seu horário de trabalho, Maya seguiu para escola das crianças, era rotina buscar as duas.
Não poderia esquecer da parte mais importante do seu dia, sua atenção devia ser direcionada às suas crianças também.
Estar trabalhando em uma empresa de games famosa era um sonho realizado, e incrivelmente maravilhoso.
Porém, isso não poderia competir com o seu tempo ao lado de Audrey e Freya.
Era extremamente importante trabalhar ter a sua liberdade financeira, mas também era importante cuidar da sua família.
Não era bem uma família que a própria havia criado, mas era a família que ganhou com aquele casamento peculiar.
Tinha que dizer que jamais imaginou um casamento tão complicado, mas a vida se tratava disso.
A vida de Maya, por exemplo, era uma caixinha infinita de supresas, estava sempre com algo novo para se preocupar.
Suspirou descansando sua cabeça no banco do carro, mas logo se recompôs.
Audrey estava entrando no carro, precisa tirar aquela expressão de extremo cansaço do rosto.
Até a escola de Freya foram conversando o tempo todo, Maya descobriu que Audrey conversava muito.
Ela só não falava antes por ter passado tanto tempo reclusa de outras pessoas.
Isso era normal, Maya entendia perfeitamente, tinha ficado sozinha por muitos anos sabia como era.
Desde que chegou ali, Maya tinha criado várias regras, uma delas eram os momentos em que se reuniam.
Como a noite do pijama, tinham um dia específico para cada coisa, e naquela noite seria a noite do pijama.
Preparou todos os lanches e guloseimas, precisava abrir uma exceção uma vez ou outra.
Maya não permitia que as duas comessem besteiras e doces com muita frequência.
E as duas obedeciam essa regra muito bem, Audrey não aceitava sair com os colegas para comer besteiras.
Sabia que essa regra de Maya era somente pelo bem estar delas, não queria desobedecer.
Nunca foi desobediente, e não faria isso com Maya que era tão atenciosa com elas.
Com tudo pronto Maya organizou brincadeiras, descobriu que era divertido a noite do pijama.
Audrey e Freya não sabiam que era tão bom se reunirem em um momento como aquele.
Era aquele tipo de reunião que fazia a vida de duas crianças serem mais felizes.
Por tanto tempo as duas precisaram somente de uma atenção, ou até mesmo cuidado e carinho.
Com Maya ali elas tinham tudo isso e muito mais, e dependendo de Maya sempre teriam.
Não demorou até que Freya dormisse, ela não ficava acordada até tarde.
Ficou somente as duas ali, assistiam um filme, era a única coisa que poderiam fazer.
Após tantas brincadeiras estavam esgotadas, o cansaço as atingiu em cheio.
--- Como está na empresa?
--- Tudo bem, passei a ignorar Vicent.
--- E como ele está reagindo a isso?
--- Ele me disse para parar de ignorar ele porque isso afetará nosso trabalho.
--- Não ligue tanto para isso, meu pai sempre foi assim bipolar.
--- Eu estou descobrindo isso agora Audrey.
--- Vamos visitar meus avós amanhã?
--- Sim Audrey, combinamos de sempre visita-los no fim de semana, não se lembra?
--- Lembro.
--- Não gosta da ideia de ir sempre visita-los.
--- Não é isso, é que nunca fui criada estando sempre próxima a eles, diferente de Freya que já esta se acostumando desde agora.
--- Entendo o seu lado, mas precisa entender também que seus avós sentem a falta de vocês Audrey.
Audrey concordou, sabia muito bem que o que Maya disse era verdade, não iria discutir.
Agora entendia muito bem o que ela quis dizer quando falou que as duas eram sua responsabilidade.
Maya estava totalmente assumindo o papel de mãe das duas, apesar de tudo que aconteceu.
O dia das mães se aproximava e Audrey não parava de pensar que havia ganhado o melhor presente.
Na verdade, o presente deveria ser para as mães, mas Audrey e Freya haviam ganhado o presente.
Tinha muito o que agradecer a Maya e nem sabia por onde poderia começar.
No dia seguinte, Maya acordou cedo, preparou a mochila de Audrey e de Freya, preparou a sua também.
Ficariam o fim de semana inteiro na casa deles, passariam o tempo necessário para m***r a saudade.
Nos finais de semana em que não pudessem dormir lá, poderiam apenas passar o dia.
Para Maya era de extrema importância que as crianças tivessem contato com a família.
E principalmente que valorizassem o tempo que passavam ao lado de pessoas amáveis.
Tudo estava pronto e partiram para um final de semana incrível, sabia que a diversão seria intensa.
Os pais de Vicent eram atenciosos, as pessoas mais incríveis que conhecia.
Ainda não entendia como Vicent tinha um temperamento tão r**m ao ponto de ser tão complicado.
Se ele tivesse ao menos seguido metade do exemplo do que seus pais eram, sua vida seria mais fácil.
Sua vida estava um mar de problemas, e pra piorar, nos últimos dias estava com um pressentimento r**m.
E seu pressentimento r**m não poderia ter outro motivo, tinha certeza que era ele.
Seu coração estava cada vez mais temeroso, pelo que o futuro a aguardava.
Um dia iria esbarrar nele, e isso a assustava, jamais queria encontrá-lo novamente.
Só que isso não era algo que ainda poderia decidir, teria essa chance se algum dia fosse denunciar tudo que viveu.
Porém, não teria provas para isso, e sem provas não poderia acusar alguém.
Respirou profundamente com aqueles pensamentos, sua vida estava um mar de tragédias.