A palavra marido nunca pareceu tão melodiosa aos ouvidos de Vincent.
Levantou sua cabeça, reconheceu a voz, mas queria ter certeza de que era realmente ela.
Seu coração ficou aliviado, procurou tanto tempo por ela e a encontrou justo ali.
Mas algo incomum chamou sua atenção para aquela aparição repentina.
Suas filhas estavam com ela, Freya no colo dela e sua mão estava segura na mão de Audrey.
E pensando bem no que ela havia falado, o chamou de marido, Vicent levou a mão a boca.
Estava chocado, não poderia ser, Maverick não faria algo como aquilo de maneira nenhuma.
--- Podemos ir para a sua sala? Deve estar com fome.
Reparando bem ela estava com uma bolsa térmica nas mãos, entregou para ele.
Foram juntos para a sala de Vicent, ele continuava em silêncio, não disse uma única palavra.
Não conseguiu, quando a encontrasse queria falar tanta coisa, mas não conseguia fazer isso.
Parece que sua capacidade de falar havia desaparecido totalmente, não sabia como falar.
Pelos corredores da empresa todos cochichavam entre si, se perguntando quem era aquela mulher.
Se estava ali não era qualquer mulher, já que estava com as filhas dele e ainda o acompanhava.
Vicent não havia levado a empresa nem mesmo a sua ex mulher, por isso aquela cena era incomum.
Em sua sala Maya organizou o almoço de Vicent na mesa de centro perto do sofá.
Levou também o almoço das crianças e o dela, queria um almoço em família e conseguiu.
Já era hora de almoço, e as crianças haviam comido no café da manhã ainda.
Só observava ela ser tão atenta com Freya e Audrey, era estranho ver alguém cuidando delas.
Quando elas terminaram de almoçar foram para a área das crianças na empresa.
Os dois ficaram ali na sala de Vicent sozinhos, engoliu a seco estava nervoso.
Maya o encarou com a mão na cintura, continuou calado, não tinha o que falar.
--- Não vai me dizer nada Vicent?
--- Tem algo que queira ouvir?
--- Que tal um pedido de desculpas?
--- O que eu fiz para dever um pedido de desculpa?
Estava em dúvida se Vicent se fazia de sonso ou ele realmente era um, achava inacreditável.
--- Não esteve em casa desde que nos casamos, acha que isso está certo?
--- Não é um casamento real.
--- Isso é a sua boca quem esta dizendo, estamos casados, não existe isso de casamento não real.
--- Que?
--- Isso mesmo que ouviu Vicent, esse casamento é real, não me importo se para você não é assim, eu mudarei isso.
--- Não vai funcionar se quiser usar as minhas filhas para isso.
--- Claro que não vai, se você fosse ao menos um bom pai eu até tentaria por elas mas você não é assim.
Ouvir Maya dizer que não era um bom pai era ainda mais acusador, não entendia por que.
Maya organizou tudo que havia levado, deu uma boa olhada na sala de Vicent, visualizou uma estante.
Ao menos algo ali havia a encantado de alguma forma, livros sempre eram encantadores.
Olhou brevemente e se deu conta de que aqueles livros eram ótimos, sorriu sozinha sentindo o cheiro dos livros.
Vicent não parava de pensar que ela era extremamente encantadora.
--- Posso ficar com esse livro?
--- Pode pegar mais se quiser.
--- Sério?
--- Sim.
Maya sorriu, pegou quantos livros conseguiu, com certeza leria todos eles.
--- Estou indo.
--- Já?
--- Quer dizer alguma coisa?
Recebeu o silêncio como resposta, ele não disse nada, entendeu como uma não.
Ainda que quisesse que o comportamento de Vicent fosse totalmente diferente, não tinha como obrigar.
--- Eu vou esperar pelo dia em que terá algo para me dizer Vicent.
--- Não terei nada para dizer.
--- Estou indo, quando quiser me ver vá ate a nossa casa.
Saiu pela porta sem dizer mais nada, tudo que tinha para falar já tinha falado.
Vicent ficou a observando ir embora, não parava de pensar que queria m***r Maverick naquele momento.
Pediu para sua secretaria chamá-lo, precisavam ter uma boa conversa, e rápido.
Demorou mas Maverick apareceu, de cara lavada, como se não tivesse aprontado nada.
Vicent o encarou, não estava com raiva, mas queria mata-lo, não esperava que ele fosse fazer aquilo.
Mas é claro a aparição de Maya também o deixou intrigado, ainda não entendia.
Simplesmente procurou ela por meses em todos os cantos, mas não a encontrou.
E Maverick havia a encontrado em apenas um mês, isso era muito estranho, estranho demais.
--- Como a encontrou Maverick?
--- Eu tenho uma certa amizade com a grande amiga dela.
--- Que? E não me disse isso quando eu estava procurando por ela?
--- Não tive a permissão dela para dizer nada, eu não iria contra a vontade de uma amiga.
--- Você é um traíra cara, como pôde fazer isso comigo?
--- Não faça drama, ela está perto de você agora, o que queria mesmo fazer quando a encontrasse?
--- Nada, eu não queria fazer nada, e também não precisava que você tivesse encontrado justo ela para ser minha esposa.
--- E porque não?
--- Por que agora ela quer um casamento real e eu não quero isso.
Maverick sorriu sarcástico, os planos de Vicent estavam sendo frustrados, isso era bom.
Naquele momento percebeu o olhar dele perdido, como se não soubesse o que fazer.
Isso não era uma novidade, Vicent estava sempre perdido e sem saber o que fazer, era típico dele.
O viu desesperado por meses para encontrar Maya, e agora que ela estava bem ao lado dele, não sabia o que fazer.
No começo até suspeitou que o amigo faria isso, mas deixou esse pensamento para lá.
Só que agora não tinha como ignorar, Vicent precisava se decidir de um vez.
--- Maya esta bem próxima a você agora, se decida no que quer fazer.
--- Não desejo fazer nada Maverick.
--- No momento não, mas com certeza um dia vai querer, aproveite enquanto tem a oportunidade.
Aconselhar seu amigo era o máximo que poderia fazer naquele momento, e nada mais.
Ajudou muito Vicent até ali, mas a partir dali, ele faria tudo sozinho, não tinha escolha.
E quando Maya estivesse realmente o colocando contra a parede, ele ficaria sem saída, e não iria demorar.