Maya visualizou o mar, que poderia ser visto de onde estava deitada com Vicent.
Estar nos braços dele e ainda ouvir o som das ondas era surreal, não existia outro lugar no qual iria querer estar.
A noite estava findando, em algumas horas o sol iria aparecer, ter passado a noite nos braços dele não parecia ter sido o suficiente.
Vicent estava com o mesmo pensamento que ela, não poderia negar que passaria a vida toda naquele mesmo lugar.
A realidade era distante do que sonhavam, tinham responsabilidades longe dali.
--- Viremos aqui mais vezes.
--- Eu irei adorar, é um lugar ótimo.
--- Em algum momento eu tive vontade de vender essa casa, agora essa possibilidade caiu por terra.
--- Não dá pra imaginar que uma casa tão incrível como essa seria vendida.
--- Ainda não está preparada para me contar sobre isso?
Ele olhou para as marcas no corpo de Maya, ela sorriu fraco, ainda não tinha coragem de contar o que aconteceu.
Iria contar em algum momento, não tinha uma saída, mas ainda assim, aquele não parecia ser o momento certo.
Vicent não recebeu uma resposta mas sabia muito bem qual era a resposta dela.
Respirou fundo, cheirou os cabelos dela e se agarrou um pouco mais a seu corpo.
--- Está tudo bem Maya, posso esperar, mas não n**o que a raiva está me consumindo aos poucos.
--- Desculpe por fazê-lo esperar.
--- Não peça desculpas, não tem culpa se o que viveu foi r**m demais para criar coragem até mesmo de falar.
--- Obrigada por entender, eu sabia que você não tinha um comportamento tão arrogante.
--- E como sabia disso?
--- Você não foi arrogante comigo nem mesmo quando bati de frente com você nas perguntas que fiz naquela palestra.
--- Bem lembrado, sua beleza me fascinou tanto que eu não pude ser arrogante.
--- Sério?
--- Sim, no momento em que entrei na sala e bati os olhos em você, eu pensei que jamais poderia presenciar tamanha beleza em toda a minha vida.
--- Não imaginei que tivesse ficado tão interessado em mim.
--- Ah imaginou sim, procurei por anos por você, e fez de tudo para se esconder de mim.
--- Não estava me escondendo de você, sabe disso.
--- Tá, não poderia culpar você por isso, e espero pelo seu motivo.
Estava feliz por estar ali com Vicent, era o dia mais feliz da sua vida, seu coração estava transbordando.
Sem que Vicent dissesse uma única palavra a fez se sentir a mulher mais amada de todas, e isso valia muito mais que mil declarações.
Maya não dispensava declarações de amor e muito menos momentos românticos, mas se sentir amada era incrível.
--- Não quero sair daqui.
Vicent falou isso se aninhando a curva do pescoço de Maya, sorriu com aquele gesto.
Naquele momento ele pareceu uma criança mimada que não aceitava um não como resposta.
--- Não haja assim, sabe que precisamos buscar as crianças, combinamos que iríamos buscá-las hoje pela manhã.
--- Eu não me esqueci disso, mas estar aqui é tão bom que não penso em absolutamente nada.
--- Também sinto o mesmo, mas não podemos ficar por mais tempo aqui, sabe disso.
--- Sim, não poderemos ficar, mas voltaremos em breve.
--- Claro, precisa cumprir sua palavra.
--- Cumprirei, Maya, nós não usamos nenhuma p******o.
--- Não precisamos.
--- Usa algum método contraceptivo?
--- Eu não posso ter filhos.
--- Isso é sério?
--- Sim, descobri isso na adolescência.
--- Por isso Maverick disse que você era a pessoa certa.
--- O que disse?
--- Nada.
Vicent falou aquilo para si mesmo, por isso Maya não ouviu bem, agora entendia o que Maverick quis dizer naquele dia.
Por tantas vezes ele disse que Maya era a esposa ideal, só descobriu o motivo naquele momento.
Maya foi organizar a bagunça, Vicent a ajudou, não deixaria ela fazer tudo sozinha.
Aprendeu desde cedo que o marido também deve ajudar sua esposa em casa, não se importava com isso, fazia de bom grado.
Deixando tudo organizado foram para o carro, a hora de ir embora havia chegado.
Olhando pela janela do carro, Maya fechou os olhos, respirou o ar daquele lugar profundamente.
Queria ter também o cheiro dali gravado em sua memória, desse modo não teria nem como se esquecer.
Passaram em casa primeiramente, tomaram banho juntos e Maya preparou o café da manhã.
Como sempre as refeições eram na mesa, ela não abria mão disso jamais.
Para ela as refeições ficavam mais saborosas quando feita em conjunto e reunido.
--- Como está indo o seu desempenho com Audrey?
--- Ela não está tão a vontade mas está melhor que antes, só preciso ter paciência, o que não me falta mais.
--- É engraçado alguém que era inimigo da paciência se tornar tão paciente assim.
--- Uma prova de que nada nessa vida é impossível, obrigado por não desistir de mim Maya, teve várias oportunidades de desistir, mas não fez isso.
--- E como eu poderia desistir? Eu entrei nesse casamento determinada a viver um casamento feliz, e a amar você, não poderia desistir.
--- Ainda assim, foram dias difíceis, eu não conseguiria suportar tudo que você suportou.
--- Que foi difícil isso foi.
Tomaram café da manhã enquanto conversavam sobre diversos assuntos.
Vicent estava se descobrindo naquele tempo que decidiu recomeçar a sua vida.
Muitas coisas estava acontecendo em sua vida, nunca viveu dias tão incríveis.
Sua felicidade só aumentava a cada dia que se passava, não sabia como não decidiu fazer aquilo antes.
Estava tão cego, obcecado pela empresa e pelo seu trabalho, que não podia enxergar o que estava bem à frente do seu nariz.
Maya realmente chegou para mudar muita coisa, nem sabia como poderia agradecer a ela por tanto.
Após o café da manhã foram para a casa dos pais de Vicent, buscariam as crianças.
Assim que chegaram, as duas estavam com Omar brincando no jardim.
Maya entrou para conversar com Elena, e as crianças foram com ela, Vicent foi conversar com o pai.
--- Seu semblante está radiante, finalmente descobriu como é bom viver a vida?
--- Sim pai, demorou mas eu descobri.
--- Às vezes não é tarde para descobrir o que está bem debaixo do nosso nariz, você teve sorte de não ter sido tarde demais.
--- Não foi por sorte pai, foi por Maya, não posso negar que muitas pessoas fizeram um papel importante no meu recomeço, mas ela foi essencial.