Olá marido.

1048 Words
A manhã estava com um céu magnifico lá fora, Maya descobriu isso ao olhar pela janela. Especialmente naquela manhã sentiu muita falta de Vicent na cama, não entendia o porquê. Pensou que quando se casasse acordaria todos os dias ao lado da pessoa que amava e receberia um bom dia. Talvez um abraço caloroso, mas não era bem isso que estava acontecendo. Preparou um mesa farta, o café da manhã estava pronto, chamou Audrey para a mesa. Freya já estava ali com ela, era sua fiel companheira do dia-a-dia, estavam sempre juntas. Até mesmo na faxina da casa Freya estava presente, exceto pelos momentos em que estava dormindo. Apenas Audrey ainda não conseguia ficar perto de Maya, tinha muita desconfiança. Maya continuava paciente com ela, esperaria o tempo que fosse preciso, não tinha pressa. Já estava ali naquela casa há um mês, Vicent não apareceu ali uma única vez em todos aqueles dias. Ele simplesmente morava na empresa e isso deixava Maya frustrada com toda situação. Pensou que em algum momento ele poderia ir até ali ao menos para saber de quem se tratava. Logicamente isso não aconteceu, era como se ele não estivesse nem ai para aquele casamento. E essa era realmente toda a verdade da história, Vicent não se importava com tudo aquilo. Maya suspirou cansada, tinha o direito de se cansar quando quisesse, era o mínimo. Olhando aquela atitude Audrey sorriu, sabia que uma hora ela se sentiria cansada. --- Parece satisfeita em me ver suspirando de cansaço. --- Bom, não demorou muito para suspirar, quanto tempo mais vai demorar para ir embora porque não aguenta mais? --- Não irei embora Audrey, jamais me cansarei do meu casamento ou da minha família. --- Nem nascemos de você, e nos ver como filhas? --- Por que não? Eu cuido de vocês como se fosse a mãe, não posso me ver como mãe de vocês? --- Ao menos você não esconde o que tanto deseja. --- Não sou esse tipo de pessoa Audrey, sou sincera quanto ao que quero. --- Ao menos nisso concordo com você. A sinceridade era bem vista e aceita por qualquer pessoa, Audrey não poderia ser diferente. Essa era a única coisa que fazia Audrey suportar a presença de Maya naquela casa. Elena algumas vezes até tentou contratar algumas babás, já que as duas não iam para sua casa. Os pais de Vicent cuidariam de Freya e Audrey como pais, mas elas se recusaram. E ainda assim Audrey não aceitou babás, não queria ninguém. --- Gostou da comida Audrey? --- Não é r**m. --- Se não é r**m então é boa. --- Não se gabe. --- Não estou me gabando Conseguiu visualizar Audrey revirar os olhos, sorriu, as conversas entre as duas eram hilárias. Na verdade nem conseguia conversar, Audrey sempre via tudo como algo sem importância. --- Maya, por que não estuda em uma escola? --- Eu estudo em casa. --- Como conseguiu viver sozinha com sua irmã sem ninguém para cuidar de vocês? --- Maverick sempre aparecia, e vez ou outra a faxineira também estava aqui. --- Isso não pode continuar assim, precisa estudar. --- Estudar? --- Sim. --- Mas eu já estudo. --- Não vale se não é um estudo na escola, estudar em casa não é a mesma coisa. --- Eu não sei se quero isso. --- Você é só uma criança Audrey, deixe que os adultos se responsabilizem por você por enquanto tudo bem? Audrey voltou sua atenção para a comida, não queria responder. Mais uma vez Maya sorriu, não negava que adorava o jeito esquentado que Audrey tinha. Ajudava Freya a comer, ela sempre fazia uma grande bagunça, e apesar disso Maya não reclamava. Isso era novidade para Audrey, pensou que ela iria se estressar sempre com o jeito de Freya. Mas isso não aconteceu, como havia dito desde que chegou ali, Maya era paciente. --- Vamos visitar seu pai na empresa Audrey. --- Como? --- Não quer visitá-lo? --- Você é i****a, por que correr atrás de alguém que nem se quer se importa com quem você é? --- Qual o problema nisso? No momento ele só não está interessado em mudar essa situação. --- Eu não irei. --- Não tem escolha, não vou deixá-la aqui sozinha, e como eu disse, os adultos se responsabilizam por você, enquanto ainda é uma criança. Maya não deixou espaço para escolhas, não estava sendo chata ou tentando mandar em Audrey. Só queria que Audrey entendesse de umas vez por todas como uma criança deveria viver. Audrey só não agia como uma criança porque não teve tempo para agir como uma. Mesmo sem saber como cuidar de outra criança essa responsabilidade foi jogada para cima dela. Precisou aprender a cuidar de Freya, não da maneira certa, mas fez o que pôde naquele curto período de tempo. Era horário de almoço quando já estavam todas prontas, foram para o carro. Dentro do carro notou que o olhar de Audrey estava distante, ela parecia pensativa. Não entendia como uma criança podia ter tantos pensamentos como ela tinha, parecia estranho. --- Fez um belo trabalho cuidando de sua irmã apesar de ser também apenas uma criança Audrey, mas agora, estou aqui para cuidar de vocês. Audrey encarou Maya por um tempo, não sabia o que responder, estava grata mas não queria agradecer. Tinha medo de que se agradecesse, uma hora ela também acabasse indo embora assim como sua mãe foi. Se até os próprios pais haviam abandonado as duas, uma estranha faria o mesmo ou pior. Ao menos por um tempo estava tudo bem, sua irmã estava sendo bem cuidada, isso era bom. Em algum momento se Maya decidisse ir embora, tinha medo de como Freya poderia ficar. A irmã já era muito apegada a ela, mesmo que tenham passado pouco tempo juntas. Tinha certeza que o sofrimento seria grande, não importa quanto tempo passasse, seria doloroso o abandono. Maya passou pela porta da empresa com Freya no colo e segurando na mão de Audrey. Ela até que tentou fugir mas Maya não permitiu, entrariam juntas de mãos dadas, mesmo contra a vontade dela. Não demorou para encontrar Vicent, ele estava no elevador quando iriam entrar. --- Olá marido. No mesmo instante ele reconheceu a voz, e sem nem perceber se sentiu feliz.
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