Maya já estava instalada no quarto que Elena designou para ela, após um banho relaxante, foi para a cozinha.
Iria preparar o lanche de Freya e Audrey, elas nunca comiam no horário errado.
Estabeleceu totalmente uma rotina para elas, claro que não tão autoritária.
Só achava importante que uma criança tivesse uma boa alimentação.
Elena deu passe livre para usar a cozinha, não precisava se preocupar com isso.
Estava sempre procurando preparar refeições saudáveis, afinal eram crianças.
Até mesmo um adulto deveria fazer sempre refeições saudáveis.
Não fazia m*l fugir um pouco e consumir lanches e besteiras, mas nem sempre.
Levou o lanche das duas, elas estavam na área de lazer, colocou em cima da mesa e elas se serviram.
Foi se sentar com Elena que estava em outra mesa sozinha, olhando as duas fazerem atividade.
--- Tenho que dizer que você é uma ótima mãe Maya.
--- Obrigada, eu faço o que posso e o que está ao meu alcance.
--- A não, você faz muito por elas, imagina duas crianças que nunca tiveram nem mesmo pais, acha que elas não são gratas por tudo que está fazendo?
--- Estou fazendo de boa vontade Elena, é ótimo viver com o pensamento de que estou sendo mãe para duas crianças como elas.
--- É incrível como as ama, é como se elas tivessem nascido de você.
--- Quando Audrey era um bebê, quem cuidou dela?
--- Eu passei três meses na casa de Vicent, o máximo que pude, depois disso, Astrid fez menos que o básico, só mantinha ela viva, as vezes Vicent ligava pra mim no meio da noite para ir até lá e fazê-la dormir novamente.
--- Que h******l.
Elena suspirou, concordava com Maya, o que Astrid e Vicent fizeram Audrey passar foi h******l.
--- Eu tentei trazer Audrey pra cá, mas ela não gostava daqui, sentia saudades da mãe e sempre chorava, apesar de Astrid nunca ter sido uma boa mãe é claro.
--- Eu também não conheci minha mãe, e pelo que ela fez nunca foi uma mãe pra mim, ainda assim, sinto falta dela.
--- Não conheceu sua mãe?
--- Fui adotada quando era um bebê, na verdade eu sou brasileira, meus pais adotivos que são americanos.
--- Que coisa, nunca imaginei que fosse brasileira, fala tão bem a língua nativa.
--- Pois é, como eu era só um bebê quando vim pra cá, não tive dificuldades em aprender a língua nativa.
--- Entendo, ainda assim, não poderia imaginar que fosse brasileira, parece exatamente uma nativa.
Maya teve que se acostumar, e viver naquele lugar que nunca pareceu ser sua casa.
Aprendeu a gostar do país em que passou a morar, mas não negava que nunca se sentiu em casa, na antiga casa dos pais adotivos.
Não gostava de aprofundar nesse assunto com ninguém, odiava falar sobre seus pais biológicos.
Porém tinha certeza que em algum momento precisaria falar, e não estaria preparada, sabia disso.
Clair também estava chegando para visitar seus pais, sempre os visitava quando podia.
E naquele dia foi também para passar o fim de semana, isso porque sabia que Maya iria estar ali.
Queria conhecer de perto quem era a esposa do irmão e tirar suas conclusões por si própria.
Maya foi cumprimentada com abraço apertado, devia saber que Clair tinha totalmente os traços da mãe.
--- Garota, que beleza é essa? Eu sabia que era linda, agora eu vejo que é perfeita.
--- Não seja exagerada, acho que a mais linda aqui é você e não eu.
--- Quão modéstia você é.
Se sentaram novamente, enquanto o marido de Clair levou as malas para dentro.
Clair tinha uma filha com Lucian, Louise era um ano mais velha que Freya.
O mais velho dos filhos de Elena era Vicent, Enoch o do meio e Clair a mais nova.
Mesmo tendo sido tão jovem quando teve seu primeiro filho, Elena não deixou de ser uma boa mãe.
Fez o que pôde e como pôde para criar e cuidar muito bem dos seus filhos.
Clair seguiu seu exemplo fiel, Enoch, também se tornou um bom pai, já Vicent, esse nem tinha o que falar.
--- E então, já se acostumou com o chato do meu irmão?
--- Não tenho com o que me acostumar, não convivo com ele de qualquer forma.
--- Acho que você tem sorte de não conviver com ele, não é qualquer um que consegue aturar aquele ser humano.
--- Tem um belo jeito de falar do seu irmão.
--- Não dê ouvidos a ela, Maya, Vicent é difícil, mas não se deve escutar opiniões vindas da irmã que sempre brigou com ele.
--- Ei mãe, não queime meu filme, ok?
Elena sorriu, não queria assustar Maya, mas seus filhos brigavam o tempo inteiro se estavam juntos em casa.
Na verdade, Clair brigava com Enoch e Vicent sempre, ela sempre procurava confusão, mesmo que não tenha motivo.
E aquele seria um belo dia para brigar com seus irmãos, Enoch chegava com sua família.
Vicent chegou com eles, no mesmo instante, quis voltar quando percebeu que Maya estava ali, mas Enoch não permitiu.
Leopold foi se juntar às suas primas, depois de cumprimentar sua avó, tia, e a mais nova tia.
Era o filho mais velho de Enoch e Diana, tinham outro filho de três anos, Joshua.
A única que não decidiu ter dois filhos foi somente Clair, ainda não queria ter mais filhos.
As mulheres foram para a cozinha, os homens por sua vez ficaram ali mesmo na área de lazer.
Se as mulheres se juntavam para cozinhar claramente que também surgiriam muitos assuntos.
Maya estava adorando o seu fim de semana, não sabia que seria tão divertido.
Reunir toda a família era bom, só descobriu esse sentimento com a família de Vicent.
Elena obrigava seus filhos irem todo fim de semana visitá-la, não importa o que houvesse.
Em algum momento na conversa começaram a falar sobre o passado, e como eram suas vidas, era a vez de Maya.
--- Maya, se não deseja falar sobre o seu passado está tudo bem, entendemos você.
--- Não é isso Clair, quer dizer, na verdade sim, mas não só por isso, é complicado.
--- Não se sinta pressionada a nos contar nada, você pode decidir o que fazer sempre.