--- Obrigada Elena, eu só queria falar sobre isso primeiramente com Vicent, se algum dia eu tiver a oportunidade, já que somos casados, acho justo que ele me conheça primeiro antes de qualquer um.
--- Uau, você é conservadora, meu cunhado nunca encontrou uma mulher tão perfeita quanto você, que sorte a dele.
--- Eu também penso assim, imagina só aquele crápula estar casado com uma mulher tão incrível quanto Maya.
--- Clair não chame seu irmão de crápula.
--- Desculpe mamãe.
Apesar de Vicent ser extremamente difícil, Maya não achava que ele era um crápula.
Para ela, ele só era difícil de lidar, o que poderia ser resolvido se ele quisesse.
Era noite, Maya colocou as crianças para dormir e deixou elas ali sozinhas no quarto.
Seguiu para a cozinha queria tomar água, antes de entrar conseguiu ouvir uma conversa.
Não queria ter sido invasiva, só foi inevitável ouvir a conversa entre Elena e Vicent.
--- Onde irá dormir?
--- Posso dormir no sofá.
--- Filho, não pode dormir com Maya? A cama é espaçosa.
--- Mãe, não, eu não dormiria com ela nunca.
Maya suspirou, mais uma vez estava ouvindo o que não queria, e o que não deveria também.
--- Não se preocupe Elena, eu durmo no quarto das crianças, Vicent pode dormir no quarto.
Abriu a geladeira, pegou água, e saiu como se nada tivesse acontecido ali.
Queria fingir que não ouviu o que ouviu, talvez assim pudesse esquecer.
Antes de chegar ao quarto que antes iria ficar, sentiu Vicent a acompanhar.
Não parou, estava sem paciência para ouvir qualquer coisa que Vicent tinha a dizer.
--- Maya.
--- Pare agora mesmo Vicent, não desejo ouvir.
--- Eu só iria...
--- Não, eu não quero ouvir, fique em silêncio, apenas finja que não estou aqui e que estou atrapalhando seu fim de semana com sua família.
--- Você não atrapalhou.
--- Não? Você simplesmente evitou conversar, se aproximar de alguém se eu estivesse por perto, acha que não percebi? Eu estou tentando, mas estou cansada, você está me cansando.
Entrando no quarto, Maya pegou sua bolsa e foi para o quarto das meninas, Vicent ficou parado na porta.
Enoch estava no quarto ao lado com Diana, estavam instalados ali.
Não quis ouvir o que Maya disse, mas não tinha jeito, estava justo no quarto ao lado.
Saindo do quarto percebeu que Vicent não estava mais ali, ele havia ido para a área de lazer.
Foi procurá-lo, naquele momento sabia que o irmão estava precisando de uma boa conversa.
O encontrou sentado na beira da piscina com os pés dentro da água.
Se aproximou dele, sentou-se ao seu lado, suspirou, não era só Maya que estava cansada afinal.
--- Você sempre faz besteiras.
--- Eu não tenho culpa.
--- Será que não?
--- Eu só não quero ficar perto dela Enoch, caso contrário ela irá pensar que eu estou interessado nela e não estou.
--- Se divorcie.
--- O que?
--- Peça o divórcio, ficará livre dela, não precisará mais evitar ficar perto dela.
--- Nem se eu quisesse eu não poderia Enoch, os acionistas iriam procurar outra noiva de qualquer forma.
--- E daí? Com certeza nenhuma das noivas que eles arrumassem pra você, teria tanto desejo de tornar esse casamento real quanto Maya deseja.
--- Enoch, que tipo de brincadeira é essa? É claro que não irei me divorciar.
--- Isso quer dizer que sente algo por ela, já que não quer se divorciar.
--- Claro que não Enoch.
--- Vicent, quando não queremos alguém por perto fazemos de tudo para ter essa pessoa o mais longe possível, será mesmo que você não deseja Maya?
O que Enoch falou pareceu verdade para Vicent, mas não queria acreditar naquela hipótese.
Sentir algo por ela iria significar que tinha que se preocupar com casamento, família.
Não queria ter essas preocupações, a empresa precisava de todo o seu tempo.
--- Sei bem no que está pensando, com certeza pensa que não pode ter interesse nela por que precisará se preocupar com outras coisas que não seja a empresa.
--- Como sabia?
--- Você sempre foi previsível, e isso me deixa decepcionado Vicent.
--- Decepcionado por que? Eu não pedi que esperasse nada de mim.
--- O que você queria? É o meu irmão mais velho Vicent, eu sempre quis ser como você, inteligente, um ótimo CEO, e com a empresa mais bem remunerada do mundo.
--- Mas você tem tudo isso.
--- Não Vicent, eu tenho isso e muito mais, eu sou um pai incrível, tenho uma bela família, uma esposa maravilhosa, não preciso jamais desejar ser como você.
Vicent ficou chocado com o modo que Enoch falou, ele nunca ficou tão alterado.
Não era pra menos, Enoch estava cansado de falar sobre o mesmo assunto com Vicent.
O pior disso era que ele não conseguia ouvir, era impossível fazê-lo escutar.
Enoch pensou que em algum momento Vicent mudaria, isso não passou de uma espera sem sentido.
Aquilo nunca iria adiantar, naquele momento estava tomando a melhor decisão da sua vida.
Em nenhum momento iria desejar fazer aquilo, mas não tinha outra saída.
--- Estou parando aqui Vicent.
--- Parando com o quê?
--- Parando de tentar alertar você de que está perdendo uma vida incrível.
Enoch foi para o seu quarto, não precisava mais conversar com Vicent.
Na verdade, nunca foi uma conversa, era sempre ele quem falava, Vicent jamais escutava o que tinha a falar.
Vicent ficou sozinho, com seus pensamentos em um grande alvoroço.
Seus pensamentos sempre foram um alvoroço, nunca teve certeza de nada.
E era exatamente esse alvoroço em seus pensamentos, que o levava a fazer escolhas erradas.
Uma hora essas escolhas erradas teriam consequências, grandes consequências.
Quando menos ele esperasse, as contas de seus atos bateriam em sua porta.
Poderia demorar, mas é lei, nenhuma escolha feita na vida poderia vir sem uma consequência.
Seja ela boa ou r**m, sempre viria, só não poderia ser determinado o tempo.
Maya o olhava da janela do quarto, triste e decepcionada, mais uma vez.
Aqueles momentos de tristeza e decepção estavam se tornando rotineiros.
Quando finalmente estivesse acostumada, seria o sinal de que não sentia mais nada por ele.
Só quem poderia mudar essa realidade era Vicent, e com atitudes diferentes.