Uma reunião acontecia na empresa, estavam decidindo sobre o novo game que poderiam criar.
Vicent tinha uma ideia inicial, sabia o que queria, mas ainda assim, não sabia por onde começar.
Todos os designers de jogos da empresa estavam ocupados com outro trabalho.
Não poderia pedir para que saíssem do trabalho que já faziam para entrar em outro.
Cuidaria pessoalmente do novo jogo, por isso estavam decidindo quem poderia trabalhar com ele.
--- Maya não está livre Rick?
--- Ah, sim, ela não está com nenhum trabalho.
--- Ótimo, pode ser ela.
Vicent olhou para Maverick, queria arrancar a língua dele naquele instante.
E mais uma vez Maya estava arrumando problemas para ele, apesar de ela não ter nada a ver com a reunião que acontecia.
Mesmo concordando com aquela ideia, Maverick sabia que Vicent não gostou nem um pouco.
Não se importava com isso, só queria ver seu amigo bem e com um casamento feliz.
Quanto mais tempo ele passasse ao lado de Maya, mais rápido ele descobriria o que estava perdendo.
Seguiu para sua sala, Maverick foi com ele, sabia que se não fosse Vicent o chamaria de qualquer forma.
Logo que entrou ficou bem longe dele, tinha temor pela sua vida, sorriu como se não tivesse feito nada.
--- Não mostre esse sorriso como se estivesse dizendo que não fez nada Maverick, tenho vontade de arrancar sua língua.
--- Sem agressão cara, vamos resolver isso no diálogo.
--- Sabia que Maya era a última pessoa no mundo com quem eu desejaria fazer esse trabalho, ainda assim você deu a ideia de colocar justo ela para fazer esse trabalho.
--- Pensei que você fosse profissional, Maya é uma das designers mais habilidosas da empresa e você sabe muito bem disso.
--- Eu sou um ótimo profissional Maverick, mas é desconfortável sequer olhar para Maya, eu não suporto a presença dela.
Ao terminar de falar Vicent olhou para Maverick, viu que ele estava com uma expressão estranha.
Olhou para a porta, seu coração pesou, a culpa se apossou sem demora no seu coração em um instante.
Maya estava ali, parada com a mão na maçaneta da porta, o olhar dela estava pesado de tristeza.
Parecia que a qualquer momento aquela imensidão de olhos azuis seriam inundados como uma onda do mar.
Piscou varias vezes, já devia esperar que em algum momento ouviria aquilo da boca de Vicent.
--- Desculpe entrar sem bater chefe, os esboços dos personagens que me pediu está no seu e-mail.
--- Maya, eu...
--- Com licença.
Rapidamente Maya saiu da sala dele, foi diretamente para o estacionamento, se segurando o máximo que pôde.
Entrou no carro do motorista e não falou para onde iria, só queria sair dali o mais rápido possível.
Como não sabia para onde iria, o motorista simplesmente ficou rondando a cidade enquanto ela continuava calada.
Maya não disse uma única palavra, não tinha o que falar e não tinha forças para isso.
Não iria chorar porque não valia a pena, já havia chorado muitas vezes e isso nunca resolveu nada.
Só precisava ficar um tempo em silêncio e sozinha, precisava pensar, ai resolveria o que fazer.
Agora quem estava com vontade de m***r alguém ali era Maverick, Vicent estava sempre fazendo burrada.
Não sabia como ainda era capaz de ajudá-lo em todas as situações, ele não merecia ajuda nenhuma.
--- Satisfeito agora que magoou ela?
--- Não começa Maverick.
--- Não começa você Vicent, eu nem sei como ainda posso esperar algo bom vindo de você.
Maverick saiu batendo a porta, estava com raiva, Vicent nunca fazia nada que fosse bom.
Enquanto isso, Maya passou na escola de Audrey e Freya para pegar as duas.
O motorista andou com o carro pelas ruas até o horário da saída das crianças.
Assim que entrou no carro, Audrey percebeu que havia algo errado com Maya, ela não estava bem.
Conhecia ela a pouco tempo, mas poderia distinguir quando ela estava bem e quando não estava.
E naquele momento ela não estava nada bem, mas não queria perguntar naquele momento.
Perguntaria quando estivessem em casa e a sós com ela.
Após tomar um banho e dar banho em Freya, Maya foi preparar o jantar, não as deixaria com fome.
Estava cansada e sem vontade de cozinhar, mas precisava fazer isso por suas filhas.
Conversou alegremente com Freya mesmo que estivesse com o coração aos pedaços.
Não queria que ela percebesse que estava diferente do normal, seria complicado explicar.
Jantaram enquanto conversavam e Audrey simplesmente encarou Maya o tempo inteiro.
Maya percebeu que Audrey já sabia que ela não estava bem e que havia acontecido algo.
Foi capaz de fugir de Freya, mas não poderia fugir de Audrey tão facilmente assim.
Freya já estava dormindo, Audrey esperou sentada no sofá, sentou-se ao lado dela.
--- Por que parece que não está bem?
--- Não vai parar enquanto não descobrir a verdade não é?
--- Não, quero saber o que houve.
--- Ouvi seu pai dizer que é desconfortável até me olhar e que não suporta a minha presença.
--- Está magoada?
--- Sim, eu já esperava que algum dia poderia ouvir isso, mas acho que não me preparei para esse momento.
--- Precisa parar Maya, o meu pai não é um homem bom, e ele não merece você, sabe que não.
Maya ficou em silêncio, entrou naquele casamento determinada a fazer dar certo, e ser feliz.
Naquele momento, porém, seus planos estavam tomando rumos totalmente diferentes do que esperava no início.
A partir dali não tinha ideia do que poderia fazer, e isso deixava seu coração um tanto assustado.
--- Audrey, mesmo que seu pai jamais queira esse casamento, eu não vou abandonar vocês.
--- E por que não abandonaria? Não é nossa mãe e além disso tem uma vida inteira pela frente.
--- Não importa, isso são só detalhes, e mudando o que você falou, sou sim mãe de vocês, não me ver como mãe?
Audrey pensou por um momento, tudo que Maya fazia era exatamente o que uma mãe fazia.
Não poderia dizer que não a via como sua mãe, apesar de ter medo de dizer isso em voz alta queria falar.
--- Vejo você como uma mãe, e a melhor mãe de todas.
Era somente aquilo que Maya precisava ouvir em um dia tão caótico.