Capítulo 38

1916 Words

Ponto de Vista: Pietra ​A luz alva da sala de recuperação intensiva incomodava a minha visão. O som do respirador fora substituído pelo chiado suave do cateter nasal de oxigênio, e a dor no meu peito já não era aquela brasa incandescente da noite da tempestade, mas uma pontada aguda e constante a cada inspiração mais profunda. O peso da medicação analgésica ainda deixava o meu corpo dormente, mas a minha mente, aos poucos, reconquistava a clareza analítica de sempre. ​Senti um calor firme envolvendo a minha mão direita. Deixei que os meus olhos se voltassem para o lado esquerdo da cama. Greco estava ali, com a mesma jaqueta de couro escura, a barba por fazer e os olhos fundos de quem passou dias sem fechar as pálpebras por um único minuto. A postura dele, no entanto, já não era a de um h

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