Ponto de Vista: Pietra A manhã de quarta-feira trouxe uma névoa rala que se dissipava rapidamente sob o sol de agosto. Da sacada da mansão, observei o fluxo contínuo e organizado das frotas de transporte que subiam a alameda pavimentada em direção ao porto seco. A paisagem diante de mim não lembrava em nada a favela caótica e ameaçada de meses atrás. Havia uma ordem quase industrial, marcada pelo respeito mútuo e por uma disciplina que poucas empresas do asfalto conseguiam replicar. Senti as mãos fortes de Greco envolverem a minha cintura por trás. O calor do seu peito nu contra as minhas costas era o lembrete diário de que, no meio de tanta responsabilidade e comando, nós éramos o porto seguro um do outro. — Você está acordada há horas, rainha — disse ele, a voz grave ressoando baix

