Ponto de Vista: Greco O eco distante da música da praça central ainda vibrava fraco contra os vidros da varanda do quarto principal. Lá fora, o morro celebrava a conquista da paz; aqui dentro, o mundo havia sido reduzido ao espaço entre o meu corpo e o de Pietra. Girei a chave de ferro da porta maciça de jacarandá, ouvindo o estalo seco da tranca reverberar pelo ambiente iluminado apenas pela penumbra amarelada dos abajures e pelo brilho prateado do luar. Voltei-me para ela. Pietra estava parada junto ao pé da cama king-size, a luz suave delineando a curva perfeita de seus ombros e a silhueta do vestido que usara durante a inauguração. Ela já havia retirado os sapatos de salto e me encarava com o olhar em chamas. — Você passou a noite inteira me olhando como se quisesse me devorar

