Tive o privilégio e alegria de nascer em minha família.
E não estou falando pelo dinheiro que meus pais têm não.
Eu digo isso, pelo amor, carinho e respeito que sempre recebemos deles.
Somos em três irmãs, eu e Aurora somos gêmeas, mas sempre fui a segunda filha, afinal eu nasci alguns minutos depois. Por último chegou Cristal, que é somente um ano mais nova que a gente.
Isso não é um problema pra mim, sempre fomos todas tratadas iguais, então a ordem de chegada nunca mudou os fatores.
Meu pai, Thiago Nunes e minha mãe Heloisa Nunes, são donos das maiores empresas do país e têm várias espalhadas pelo mundo, ficando assim, entre os mais ricos do Brasil.
Essa posição é mais do que merecida aos dois e sinto orgulho, pela história que tiveram, eles estarem onde estão é mérito deles.
Porém, ser uma Nunes, também tem seus contras.
Eu e minhas irmãs, nunca tivemos a oportunidade de sair sem pelo menos um segurança em nosso calcanhar.
Festas, escola, reforço, shopping, cinema.
Vai sair? Ok, mas o segurança vai junto.
E eu nunca consegui me acostumar com isso.
Apesar de ter um gênio tranquilo, sempre fui bastante festeira e muitas das vezes, deixava de ficar com algum rapaz por que Roger estava ali, me olhando.
E isso sempre me irritou, mas nunca me opus, afinal apesar de todo amor e carinho, quando senhor Thiago falava não, não tinha Cristo que o fizesse mudar de ideia.
............
Bom, os anos passaram e com a decisão de seguir carreira fazendo o que amo, vim morar na Europa.
Apesar de sempre dizer que eu viria apenas pra estudar, eu na verdade sempre quis vir pra ficar.
Sim, em segredo eu sempre almejei abrir aqui meu próprio restaurante, em uma praça de Paris.
Nunca contei para ninguém isso por que, primeiro esse é um sonho muito distante e eu quero alcançar ele sozinha e segundo, porque eu não sei dizer se essa minha decisão deixaria meus pais contentes.
Então, cá estou eu...
Um ano e meio depois, fazendo ainda minha faculdade e trabalhando duro em um grande e importante restaurante inglês.
Mas a sensação de não estar onde é meu lugar me apavora.
Economizei cada centavo que pude e já fiz muitas horas de trabalho nos meus dias de folga, mas é claro, também já aproveitei e muito minha vida de solteira em terras reais.
Aqui já beijei tanto na boca, que já perdi as contas de quantos caras lindos e gostosos eu já apreciei.
É claro, nunca passou de uns bons amassos, mas ainda assim, estou aproveitando muito mais do que quando morava no Brasil.
—Briana, você viu que lindo o novo garçom?
Minha colega de trabalho fala baixinho pra mim.
Aqui, nas quintas e sábados eu trabalho como uma das chefes de cozinha, fazem cerca de três meses e Elouisa é minha auxiliar.
—Vi sim, realmente um gato.
Digo olhando para o mesmo que está saindo da cozinha com os pedidos prontos para servir.
—Eu acho que ele também gostou de você, afinal, sempre que entra, ele passa os olhos por todo local até te encontrar.
Balanço a cabeça.
—Foca no serviço, Elouisa, temos pedidos a serem entregues e você sabe que não admito falhas.
Digo e ela revira os olhos pra mim.
—Sim, sua estraga prazeres. Vamos nos concentrar no trabalho e deixar aquele gato dando sopa.
Solto uma risada.
—Pode ficar tranquila, a sopa quem vai preparar sou eu....
Digo e ela me olha atravessado, voltando a prestar atenção no serviço.
Não posso negar que realmente é um gato e que até vale a pena investir, mas na cozinha, eu sou exigente e sendo hoje a responsável por parte dos pedidos, não vou me distrair, mas bom...
Nada impede que isso aconteça fora do trabalho.
E como aqui sou apenas eu e Deus, nada me proíbe de conhecer alguém melhor.