Callum foi trabalhar naquela manhã uma pilha de nervos, ele nem sequer trocou duas palavras comigo, apenas disse um "Até mais tarde, vou do trabalho direto pra festa."
Não demorei muito para voltar pra casa, assim que entro encontro Endy com Bernardo no colo enquanto fala ao telefone.
Ela sorri assim que me vê e eu aceno, assim que olho pro sofá vejo Alex sentado assistindo o jornal, caminho até ele e me senti.
— Iai. — Sorrio e ele me olha.
— Iai. — Ele responde, parecia estar cansado.
— Com quem a Endy está falando? — Pergunto.
— Com o pai dela. — Alex diz e eu arregalo os olhos.
— Com o pai? — Dou um leve pulo do sofá.
— Sim, parece que ele quer ver o neto, concertar as coisas. Mas eu conheço o pai dela há muito tempo, sempre fico com um pé atrás. — Alex dá de ombros e volta a atenção pra TV.
— Isso é verdade, última vez que o pai dela veio aqui pra "concertar as coisas" deu uma confusão enorme. — Respondo.
— Você vai para a festa na casa do seu irmão hoje? — Alex pergunta e se ajeita no sofá.
— Vou, e você?
— Não, tenho que revezar a noite com a Endy pra cuidar do Bernardo.
— Pois é Alexander, sua vida de festas e bebedeira acabou. — Sorrio e ele murmura.
— Nunca me imaginei nisso. Tendo um filho com minha melhor amiga, tipo, meu Deus do céu. — Alex arregala os olhos.
— Mas vocês tem muita sorte, o Bernardo é um anjo, quando não está cheia do é claro.
— É, não consigo mais me ver sem ele.— Alex sorri.
—Imagino.
****
Devia ser por volta das nove da noite quando cheguei na casa do meu irmão, a casa dele estava razoavelmente cheia e a música estava alta.
Já havia pessoas bêbadas por todos os lados inclusive Lohan que estava agarrado com uma loira na cozinha.
A casa de Aquiles era grande, tinha uma grande área e um jardim.
— Estou presenciando um milagre? — Vejo Aquiles caminhando até mim, ele está usando uma calça jeans azul e uma blusa branca folgada, seus cabelos loiros estão batendo em seu rosto e ele segura uma cerveja na mão esquerda.
— Oi. — Sorrio.
— Você está bem? — Aquiles fala um pouco alto por causa do som e me abraça.
— Estou — Aceno com a cabeça.
— E o Callum? Nunca vi você ir em uma festa sem ele. — O loiro pergunta e bebe um gole da cerveja.
— Vai chegar mais tarde, está trabalhando. — Falo alto para que ele me escute e Aquiles parece pensar.
— Está tudo bem entre vocês? — Aquiles me puxa pra dispensa, onde está mais calmo.
— Está. — Digo. — E a Julia? — Pergunto.
— Estamos bem, eu acho. Ela deixa a mãe da controlar a vida dela. — Aquiles murmura. — Mas depois falamos disso, vamos aproveitar a festa.
Aquiles sai da dispensa e eu fico pra ajeitar meu vestido, estou usando um vestido que Endy me deu, ele é preto básico, só um pouco colado e na medida das minhas coxas. Meus cabelos estavam soltos como sempre e eu usava saltos de bico fino vermelhos.
Quando sai da dispensa vi que o lugar já estava lotado, o que me deixou surpresa.
Tinha pessoas pra todos os lados, vi Amber de longe conversando com um grupo de meninas e quando eu passei perto senti o olhar delas sobre mim.
Já devia ser por volta das dez e meia e nada de Callum, eu estava encostada em uma parede com um copo de refri na mão enquanto me arrependia de ter vindo.
— Olha só quem está aqui. — Vejo Trevor caminhando em minha direção e sorrio.
— Oi. — O abraço e ele me analisa.
— Está absurdamente linda. Pensei que não curtia festas. — O moreno sorri.
— E não curto. — Dou uma pausa. — Vim mais por conta do meu irmão e do Callum.
— Ah, entendi. Mas sai daí, vem dançar. — Trevor diz e me puxa para a pista de dança.
Última vez que eu dancei com outro cara não deu certo.....
Mas Callum ainda não havia chegado e eu estava para morrer de tédio, tinha que me divertir.
A música era agitada e fazia meu corpo dançar naturalmente, Trevor fazia uns passos estranhos na minha frente o que me fazia rir mas sem perder o ritmo da dança.
Estava tudo bem até eu sentir o olhar de alguém em mim, percorro meus olhos pelo local até encontrar Callum parado me encarando sério.
Droga.
Callum estava lindo, usava uma calça jeans preta, uma blusa azul escura e seus cabelos estavam bem penteados.
Faço um gesto para Trevor e caminho até Callum que descruza os braços e suspira.
— Pensei que não viria mais. — Falo assim que chego perto dele.
— O que você estava fazendo? — Ele me corta bruscamente.
— Dançando com meu amigo. — Levanto minhas sobrancelhas e ele rola os olhos.
— Pelo jeito seria melhor eu ter ido pra casa. — Callum estava discontando a raiva em mim.
— Amor, para com isso, não quero brigar com você. — Me aproximo dele e lhe dou um beijo, ele logo corresponde e aperta minha cintura com força.
— Vamos pra casa, estou com saudade. — Ele sussurra em meu ouvido e antes que me eu responda vejo Júlia caminhando até nós com uma mulher alta e morena.
— Oi Ju. — Sorrio e lhe dou um leve abraço.
— Oi Abs, aproveitando a festa? — Ela pergunta e ri.
— Na medida do possível. — Sorrio.
— Queria apresentar pra vocês minha prima Janice. — Ela aponta para a morena de olhos verdes que está do seu lado.
A morena estava usando um vestido apertado vermelhos e seus cabelos cacheados caiam perfeitamente em seus ombros. E ela encarava Callum descaradamente o que me incomodou.
— Olá — Ela me cumprimenta com um sorriso amigável e eu faço o mesmo.
— Olá, prazer. — Agora ela cumprimenta Callum com um beijo na bochecha e sorri de lado pra ele. Callum não faz nada, apenas acena.
Não gostei dessa mulher.
— A Janice veio de Nova Iorque,está trabalhando como voluntária em um hospital da comunidade. — Júlia diz e Callum parece achar interessante.
— Enfermeira? — Pergunto.
— Médica,me formei ano passado. — A morena sorri e olha para Callum.
— Também me formei resentemente. Trabalho em um hospital aqui perto. Quer se especializar em que? . — Callum pergunta e sorri.
Por que ele está falando com ela? Por que ele sorriu?
— Neurocirurgia, e você? — Ela se aproxima dele.
— Também, que coincidência. — Callum diz e Janice sorri ainda mais.
Os dois começaram a conversar ingnorando totalmente a minha presença e a da Júlia, Janice não parava de flertar com Callum, ficava sorrindo, mexendo no cabelo e contando vantagem.
Ela fazia questão de falar como era a melhor da turma, como entrou pra faculdade e blá-blá-blá. Era era de fato interessante,ela era bonita, inteligente e confiante.
Nunca tinha visto Callum conversar com alguém assim, ele sempre foi mais na dele e calado.
Isso está me dando nos nervos!
— Toma meu número, quem sabe um dia a gente pode sair, tenho muitas histórias pra contar. — Janice entrega um papel pra Callum. — Se você achou a da caneta bizarra é porque não escutou as outras. — Ele diz se referindo a uma vez que salvou um cara furando o pescoço dele com uma cantena.
Iai se ela salvou a vida de uma pessoa?
Quem é que fura o pescoço de alguém com uma caneta?
Tudo bem que o cara não estava respirando.... Mas uma caneta? QUE
Assim que Janice entregou o papel para Callum eu o encarei, não acreditava que ele ia aceitar.
Callum percebeu que eu estava incomodada com aquela situação e me puxou pra perto, envolvendo suas mãos em minha cintura.
Janice me olhou incomodada mas manteve o sorrio no rosto.
— É, se minha namorada for com a gente.— Ele diz e eu sorrio.
Amo quando ele diz que sou namorada dele.
— Claro. — Sua voz perde a animação e eu ensino o nariz.
— Vamos pra casa amor, essa festa já deu. — Dou ênfase a palavra amor e o puxo.
Callum concorda comigo e se despede de Janice que parece ficar desanimada, Júlia acena de longe para nós dois e eu caminho na frente um pouco irritada.
***
— O que foi? — Callum pergunta assim que entramos em seu apartamento.
— Nada. — Mino e tiro meu casaco.
— Você ficou calada a viagem inteira. Aconteceu algo? — Ele caminha até a cozinha e pega uma garrafa de água na geladeira.
Olho para o relógio e vejo que é 3 da manhã.
— Você me deixou a tarde sozinha e mal falou comigo. — Solto as palavras e ele se apoia no balcão enquanto me analisa. — E na festa você ficou horas conversando com aquela Janice. — Falo o nome dela com deboche. — Ela estava dando em cima de você na cara dura,você estava flertando com ela.
— Eu não estava flertando com ela. — Ele vira a garrafa de água e se afasta do balcão.
— Estava sim,você nunca conversa com alguém, e com ela, nossa,você conversou até demais, parecia que eu nem estava ali.— Cruzo meus braços e Callum sorri.
—Eu só gostei de falar com alguém que quer neurociencia. Apenas isso. — Ele tira sua camisa atraindo toda minha atenção para seu abdômen. — Em momento algum reparei nela. — Callum caminha até mim lentamente e tira as calças.
Socorro.
Eu me perco toda quando vejo Callum só de cueca na minha frente me olhando de uma forma sexy e intinidadora.
— Mas....
— Nenhuma mulher me interessa além de você, querida. — Ele diz e me beija.
Callum sabia como me levar a loucura.