Capítulo 5

770 Words
  Claire caminhou pelo corredor, guiada apenas pela memória. Parou diante de uma porta de madeira familiar. Era aqui. Depois que Serena retornou à mansão Thompson, Elena "gentilmente sugerira" que o quarto principal fosse entregue à filha legítima. Então, Claire arrumara suas coisas em silêncio e mudara-se para este aposento — com metade do tamanho.   No primeiro dia ali, Serena apoiara-se no batente com um sorriso soberbo e uma voz carregada de falsa preocupação. "Mana, este quarto é meio escuro, né? Tem certeza de que está bem nele? Posso falar com a mamãe para conseguir um melhor para você."   Claire apenas balançara a cabeça. "Não precisa. Está bom."   Mas não estava nada bom. No inverno, o frio cortava os ossos. No verão, tornava-se abafado e opressivo. A única janela dava para uma parede de tijolos, bloqueando qualquer raio de sol. Naquela época, ela nada dissera. Acreditava que o silêncio evitaria conflitos. Olhando para trás agora… que piada.   Ela estendeu a mão à maçaneta e girou-a suavemente. A porta rangeu ao abrir. O quarto permanecia praticamente intocado, exatamente como o deixara três anos antes — exceto pelo ar pesado de poeira e abandono.   As cortinas estavam fechadas, a luz interior era fosca e cinzenta.   Ela entrou.   BANG!   A porta fechou-se com violência atrás dela.   O som agudo de uma chave girando na fechadura ecoou no silêncio. E então —   Outro ruído: o clique metálico inconfundível de uma chave sendo removida.   O coração de Claire afundou.   Ela virou-se — tarde demais.   A porta estava trancada por fora.   Agarrou a maçaneta, torceu, puxou — nada.   Então —   Um braço forte prendeu-a por trás, imobilizando-a com força bruta.   "Ah—!" Claire arfou, a dor percorrendo-lhe o braço.   ⋯   Lá fora, no gramado, a luz quente das lanternas banhava os convidados. Riso e música flutuavam na brisa.   Serena deu um gole de suco, seus olhos subindo ocasionalmente em direção ao segundo andar. Se seus cálculos estivessem corretos… as coisas deveriam estar se desenrolando agora. Aquela ingênua da Claire provavelmente já estava no quarto. Um leve sorriso de satisfação tocou seus lábios. Não muito longe, Nelson conversava com um convidado mais velho — mas seus olhos não paravam de vagar. Sem perder o ritmo, Serena colocou sua taça de lado e dirigiu-se a ele, a voz tingida de preocupação. "Nelson… a Claire já saiu há um bom tempo, não é? Acha que está tudo bem? Talvez o vestido esteja dando problemas — ela pode precisar de ajuda." O tom era suave, ponderado — preocupação na medida certa.   Nelson lançou mais um olhar ao segundo andar. "Vamos ver." Deixou sua bebida, a voz calma — mas seus passos já traduziam urgência.   Os olhos de Serena brilharam de triunfo enquanto se apressava em segui-lo. "Vou junto. Estou realmente preocupada com minha irmã."   Algumas socialites curiosas trocaram olhares e, discretamente, uniram-se ao grupo. Em seguida, outros convidados, percebendo que algo se passava, começaram a segui-los. Uma multidão considerável subiu as escadas.   O corredor superior estava silencioso.   Serena caminhava à frente, os passos lentos e deliberados. De dentro do quarto —   Sons abafados. Gemidos roucos, masculinos. O arrastar de pés no chão.   O coração de Serena saltou de expectativa. Rapidamente cobriu a boca com uma mão, os olhos arregalados em um horror encenado. "Meu Deus… ouviram isso? O que está acontecendo lá dentro?"   A expressão de Nelson escureceu instantaneamente. Seu maxilar tensionou-se. O olhar tornou-se afiado como lâmina.   A multidão atrás deles começou a agitar-se, murmúrios crescendo como uma maré.   Serena, sentindo a atenção voltada para si, deu mais um passo. Sua mão estendeu-se em direção à porta. "Claire? Você está bem?", chamou, a voz trêmula o suficiente para soar convincente.   Crrrrreeeek —   A porta abriu-se.   A luz do corredor invadiu o quarto.   E lá estava Claire.   Seu cabelo estava levemente desalinhado, mas a expressão era de uma calma glacial. Aos seus pés, um homem grande jazia contorcido no chão, braços e pernas amarrados com tiras de tecido rasgado. Um pano enfiado na boca abafava seus gemidos.   Claire mantinha o pé firmemente plantado sobre seu ombro, imobilizando-o com aparente facilidade. A cena era surreal.   A multidão paralisou.   A máscara de pânico habilmente construída por Serena quebrou-se, seus olhos arregalando-se em incredulidade genuína.   Claire ergueu o olhar lentamente, a voz fria e clara.   "Serena," disse ela, "você parece… decepcionada. Esperava me ver destruída, não era?"   Serena piscou, recuperando a voz rapidamente.   "Do que está falando? Eu estava preocupada! Ouvimos barulhos — o que você estava fazendo aqui? Como ousa amarrar alguém assim? Está louca?!"   Nelson deu um passo à frente, a voz baixa e gélida.   "Claire," ele disse, "é melhor explicar."
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