capítulo 2 - Como tudo começou

865 Words
Bom, pra vocês entenderem um pouco como tudo começou entre mim e o Fred vou contar, é até engraçado. Estávamos no primeiro ano do ensino fundamental, ele tinha acabado de se mudar da capital pro interior, era tudo novo pra ele e percebi que não fez muitas amizades. Comecei a observar ele durante o recreio e ele sempre estava isolado, as vezes conversava com um menino mais velho _Que depois descobri que era o Lucas_ mas na maior parte do tempo estava sozinho, entao decidi mandar uma carta anônima pra ele. "Oi estranho, percebi que você é meio solitário, quer ser meu amigo por carta? se sim responda e deixe debaixo da sua carteira no fim da aula. ass: uma estranha" Entrei antes de todos no fim do recreio e deixei dentro da sua bolsa, me sentei e esperei todos entrarem. As aulas correram e percebi que ele respondeu então sai primeiro assim que o sinal tocou e esperei todos saírem, ele foi o último, sabia que tentaria descobrir, mas logo alguém chegou pra buscar ele e eu corri pra pegar a resposta. "Oi estranha, eu estou bem obrigada por se preocupar, quero ser seu amigo mas quero me diga quem é. ass: estranho" Eu amei a resposta dele e contiuamos trocando cartas todos os dias por 3 semanas até ele me chantagear com um presente e eu não resisti e revelei minha identidade. Depois disso não nos separamos mais, até hoje. Acho que no meu aniversário de 10 anos eu percebi que sentia algo diferente por ele mas jamais falaria nada, até porque ele nunca demonstrou nada além da nossa amizade e eu não correria o risco de perda-lá, além do fato de sermos muito novos. Depois que Fred foi embora eu tentei manter minha rotina e seguir em frente, mas volta e meia eu sonhava com ele retornando ou lembrava dele em algum momento mas nada além disso, com o passar do tempo paramos de nos comunicar e ele foi sumindo da minha memória mas nunca do meu coração, a saudade volta e meia estava ali. Os anos se passaram e agora estou aqui com meus 19 anos pronta pra me mudar pra capital. Me formei com 18 mas decidi tirar um ano para focar em mim e ter certeza do que eu queria e finalmente decidi, quero ir pra capital, fazer meu curso de medicina e ser alguém na vida. Neste momento estou acabando de arrumar minhas malas, tentei contato com o Fred pra saber se tinha notícias e se eu poderia contar com alguém naquela cidade imensa mas como nós últimos 4 anos foi em vão. Estou no quarto fechando a mala e minha mãe bate na porta. -Entra. Ela entra com os olhos já marejados e eu nem a deixo começar -Nem vem dona Suzan, sabe que odeio despedidas e chororo. Ela vem até mim e me abraça -Eu sei minha filha, mas minha bebê está crescendo e agora vai mudar de cidade, não estou acreditando.- ela fala me soltando e enxugando as lágrimas. -Sei disso mamãe, mas não estou me mudando pro outro lado do mundo, e outra eu venho visitar vocês sempre que der. -É bom mesmo- Meu pai diz entrando no quarto com uma expressão também triste mas como sempre tentando disfarçar. -Não adianta se fazer de difícil senhor Geraldo, sei que você também está quase aos prantos como a mamãe- Eu disse o abraçando e fazendo os dois rirem. -Vamos sentir sua falta filha- ele diz saindo do meu abraço. -Também vou sentir a de vocês, vocês são tudo pra mim mas sabem que preciso disso, já conversamos sobre isso muitas vezes. Meus pais sempre foram superprotetores e eu amava muito eles mas estava na hora de sair do ninho e voar. -Sabemos filhinha, por isso não vamos te atrapalhar mais, estamos te esperando lá embaixo. Vamos Suzam - Papai disse puxando a mamãe pra fora do quarto Acabei tudo e desci com as malas, os três me esperavam na sala, Ester estava cabisbaixa mas não desmontrava nada, os chamei e fomos pro carro, durante a viagem até o aeroporto conversamos coisas aleatórias e rimos um pouco, eu armazenava tudo que podia, pois sabia que iria demorar a ter aqueles momentos novamente e sentiria muita saudades. Chegamos no aeroporto e fiquei tranquila pois minha passagem já estava comprada, fiz o chekin e fiquei aguardando chamarem o voo ali com meus pais no saguão. -Posso ficar com as suas coisas.- Foi a primeira frase que Ester disse desde o momento que falamos de eu ir embora. Papai começou a rir e mamãe a repreendeu -É só isso que quer de mim.-eu disse rindo levando na brincadeira Ela abaixou o olhar e disse -É a forma que terei para lembrar de você. Nesse momento não aguentei, estava sendo forte mas ver a Teteh triste daquela maneira me quebrou. Abracei ela forte e no meio do choro disse. -Pode pegar tudo que quiser, mas lembre-se eu sempre estarei aqui pra você independente da distância ok. Me soltei dela quando chamaram meu voo, vi que ela também chorava, enchuguei suas lágrimas, abracei mamãe e papai e parti para o embarque.
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