Carlos Narrando Acordei com o barulho da porta se abrindo e, quando olhei pro relógio, vi que já era quase de manhã. Franciele entrou no quarto do hotel de um jeito estranho, parecia nervosa, meio aérea, como se estivesse escondendo alguma coisa. Fiquei só observando enquanto ela tentava agir normal, mas eu conhecia minha mulher. Dava pra ver que tinha alguma coisa errada. — Que foi? Onde você tava até essa hora? — perguntei, tentando manter a calma, mas sentindo a inquietação crescendo dentro de mim. Ela desviou o olhar, tirando os sapatos devagar, como se estivesse ganhando tempo pra pensar em uma resposta. — Fui dar uma volta… pensar um pouco. — respondeu, sem muita firmeza na voz. Cruzei os braços e fiquei encarando ela, esperando que dissesse mais alguma coisa, mas ela só pegou

