Lilian: parte 2

2011 Words
Entramos todas correndo e apreensivas para o quarto, olhando uma para a cara da outra com todos os sentimentos misturados. Apreensão, ansiedade, medo, curiosidade e será até mesmo alegria? Uma de nós iria casar, aquilo era bom certo? A mãe entrou no quarto com menos de cinco minutos e mandou que eu me ajeitasse e arrumasse o cabelo. Não... não era possível. Era eu? Será que era algum velho tarado e barrigudo? Ninguém nunca tinha se interessado por mim antes. Estava nervosa e tremendo, Ceci me sacudiu de leve e me ajudou a arrumar o cabelo fazendo uma única trança embutida e me ajudando a trocar de vestido - É você... Disse Gabriela radiante, ela era a mais quieta mas sempre adorava ir aos bailes e festas. - Ai meu Deus! Nem acredito que já vai se casar. Meu orgulho. Ceci disse um pouco alto e eu arregalei os olhos a mandando falar mais baixo. - E se for algum daqueles homens ruins que se fingem de bonzinhos? Estou com tanto medo meninas. Falei sentindo um pouco de náusea pelo pensamento. - Vai dar tudo certo. Agora vai lá conhecê-lo. - É, deve ser um bom partido. As duas disseram e eu abri a porta, caminhei até a pequena sala e ali fiquei paralisada com a imagem que vi na minha frente. Tinha um homem mais velho, já com cabelos brancos e outro era... o... Nicholas? Nicholas Hall? Não é possível... - Filha esses são o senhor Richard Hall e o seu filho Nicholas Hall. Meu pai disse apontando para os dois homens que estavam sentados no sofá duro da nossa pequena casa. O mais velho tinha uma cara de surpresa e Nicholas estava com o rosto sem expressões. - Boa tarde senhores. Disse e a minha mãe empurrou uma cadeira para que eu me sentasse de frente a eles. Eu estava confusa. - Bom, vamos direto ao assunto. Como bem deve saber Lilian, teu pai deu a benção e entregou a sua mão para que se casasse com o meu filho Nicholas. Como parte do acordo, o meu filho cumprirá com sua palavra e dará tudo o que for necessário para ti. E bem, como parar de ser um irresponsável e jurará lealdade e fidelidade a senhorita Farris. Eu estava boquiaberta. Então era isso, era tudo um acordo entre o meu pai e o senhor Hall? Nicholas revirou os olhos com o discurso do pai e em seguida puxou as mangas da camisa parecendo estar com calor naquela casa. - Como? Perguntei atônita ao meu pai, mas ele permanceu quieto. Vindo a resposta de quem eu nem queria ouvir. - Temos que nos casar ao que parece. Você, porque pode não vir a ser pedida em casamento futuramente e se tornar freira e eu porque meu pai está cansado de me ver com mulheres da vida. Nicholas falou um tanto grosso e irritado e eu olhei para a minha mãe agora. - Mãe eu não quero. - Você precisa filha, sabe como o mundo é injusto com as mulheres que não se casam, sim? Sabe que terá um futuro r**m com reputação de desonrada? - Mas eu e ele... eu não gosto dele. - Vai aprender a gostar e até amar filha. - Vocês fizeram um maldito acordo com esse senhor e eu vou ter que pagar o preço? Disse mas meu pai interviu com uma cara de irritação. - Filha tem seis meses desde que Kayla se casou, nenhum rapaz veio a nossa porta. Você tem sérias condições na perna e ele é médico filha, pode te ajudar um dia. - Esperem mais um pouco então. Por favor. Algum rapaz pode aparecer se gostar de mim e eu dele. Não é assim que deve ser mamãe? - Filha, está decidido. Sabe muito bem que os rapazes não te querem, acham que você não pode ser uma boa esposa. Somos pobre Lilian, não temos muito para que você fique escolhendo para sempre. Meu pai disse e escorreu uma lágrima do meu rosto, por mais que ele soasse grosso aquilo era a mais pura verdade. Nenhum rapaz daquela cidade me queria, como eu sabia? Já tinha ído tanto a festas, casamentos, bailes e atrativos e nenhum deles vinha falar comigo. O único foi Nicholas, certa vez, mas ele não conta já que pelo que parece é um mulherengo e não sabia da minha deficiência. Eles conversaram mais um pouco entre eles e eu finalmente fui liberada para poder me retirar. Passei a tarde toda chorando. Sabia que aquilo nunca daria certo, porque ele iria viver me traindo e pior ele sentiria vergonha de mim, de andar comigo e ser meu marido. Assim como no dia que estava na roda dos rapazes e não fez nada quando eu caí por duas vezes seguidas. Apenas assistiu. - Não fica assim, Lilian. Ao menos não é um velho asqueroso e tarado por jovens. Disse Ceci com Gabriela do lado tentando me consolar. - Ele não gosta de mim. Provavelmente me odeia por eu ser diferente de outras damas da sociedade. - Eu acho que você é muito linda, Lilly. Foi a vez de Gabriela falar e se sentar do meu lado, elas eram ótimas irmãs. - Se ele for mau com você, eu pego a colher e jogo na lareira até fervilhar e o enfio nele. Ceci disse fazendo com que Gabriela e eu ríssemos. - Ele vai me trair e rir de mim. Sabe, ele me viu cair meses atrás e não fez absolutamente nada. O que esperar quando for meu marido? - Não sabemos, mas estaremos sempre aqui por você. - disse Gabriela. - Ela tem razão e vamos sempre te defender Lilly. - foi a vez de Cecília falar e me abraçar. - Gabi você será a próxima a se casar. Não estará mais aqui, estará longe. Falei e ela assentiu. - Mas trocaremos cartas sempre, assim como Kayla faz conosco. - Gabriela disse e assentimos concordando. Dormi cedo naquela noite, pensei em como seria daqui pra frente sendo esposa de Nicholas Hall. Eu estava brava mas um pouco assustada também. 3 semanas depois... Dia do casamento Era uma tarde de inverno e a correria tinha começado cedo. Os preparativos de enfeite e a comilança para os poucos convidados. Eu estava pronta em um vestido feito a mão pela minha própria mãe, ele era um vestido branco lindo. Tinha uma trança que embutia todo meu cabelo com flores de cor lilás e rosa do nosso jardim mesmo. O vestido tinha algumas camadas na barra e era um pouco pesado, eu era baixa, com os cabelos compridos e olhos castanho escuro. O meu corpo era estranho, mancava como todos sabiam, tinha a cintura fina e s***s grandes que tentava de toda forma imprensá-lo um pouco para diminuir seu tamanho. O vento fazia barulho enquanto caminhava lado a lado com meu pai, estava com certa vergonha de ter todos os olhares voltados a mim. Rezava para que pelos menos uma vez, as pessoas deixassem de reparar em na minha forma de andar para apenas acompanhar a pequena cerimônia. Meu pai me entregou emocionado a Nicholas, que beijou minha mão olhando fundo nos meus olhos. O padre apressou a cerimônia provavelmente com medo de ter uma grande chuva com os ventos que passeavam entre nós e para também ter o jantar mais rapidamente. As pessoas costumavam jantar cedo e naquele horário deveriam estar famintas. Enfim, a cerimônia acabou e era isso. Estava casada. Com um homem que sequer conhecia. Torcia internamente para que a minha vida não se tornasse um verdadeiro inferno. Nicholas me ajudou a subir em sua carruagem de noivos para prosseguirmos para a nossa casa, rumo a lua de mel. Só de pensar nas três palavrinhas me dava um certo calafrio no que poderia estar por vir. Ele estava quieto. O caminho todo foi feito em silêncio. Ele parecia pensativo e eu apenas não sabia o que falar ao certo. Quando avistei a casa que era um pouco afastada das demais no campo, ele me ajudou a descer e pegou as dois sacos de roupas que eu tinha. Entrei logo após ele na casa e reparei que estava tudo bem organizado. Tinha uma sala e ao fundo uma cozinha, ele foi mostrando cada canto enquanto eu apenas o seguia tendo que carregar o vestido pesado. Chegamos no último cômodo e ele deixou os sacos das roupas em um canto. Tirou os sapatos e o casaco que usava por cima de uma camisa social branca. Me virei de costas assustada e tampei os olhos, para depois o ouvi sorrir. - Sou seu marido, não há razão para se assustar. Disse e saiu em direção ao banheiro, queria poder me despir sem ter o azar dele voltar e me pegar nua. Então, apenas esperei sentada na cama. Ele saiu enrolado em uma toalha e desviei os olhos rapidamente de seu corpo forte e com músculos. Peguei minha roupa de dormir e parti para o banheiro. Entrei na banheira e tomei um banho demorado, não queria voltar, queria ficar ali para sempre. Eu estava com medo de dormir com ele. Tinha ouvido de alguns comentários das moças da cidade que na primeira vez a dor era horrível e insuportável. Quando finalmente sai da banheira, me vesti com a roupa de dormir e adentrei ao quarto. Me assustei quando o vi já com roupas mais simples acendendo um candelábro em uma mesa perto da cama. Sentei-me na cama do lado oposto ao dele para esperá-lo. Nicholas conseguiu acender e se virou me olhando encolhida sentada na cama. - Não se preocupe. Se não contar a ninguém, durmo com outras mulheres e você continuará pura. Eu o olhei meio que surpresa. Ele não me queria, era isso? Eu era assim tão deformada e desajeitada que não servia nem para dormir com o meu próprio marido? Aquilo me fez encolher ainda mais, será que tinha nojo de mim? Ele dissera, iria me trair. - Desde que ninguém não saiba. Procure escolher as mulheres certas que não saem espalhando tudo, não quero ficar com a reputacão de trouxa porque sou traída todas as noites. Eu disse e me deitei brava, me sentindo rejeitada. Aquilo tinha me deixado tão pra baixo que só dormi depois de vários minutos depois. De certo, que não estava pronta para me entregar a ele... mas a rejeição doía. O dia amanheceu lindo, mas dentro de mim algo estava quebrado. Já não bastava casar sem amor, teria que aguentar ser mais uma vez piada na cidade? Por ser uma mulher traída? Nicholas já havia partido para o centro da cidade, na viela onde atendia seus pacientes. Ele não tomou café, apenas se trocou e foi. Ao cair da tarde, fiz um bolo e um café que cheiravam incrivelmente bem modéstia parte. Ouvi barulho de trotes de cavalo e lavei as mãos virando para olhar a porta da frente. Nicholas entrou e jogou a maleta na mesa da sala, se sentou parecendo exausto e tirou os sapatos. - Achei que demoraria mais. - disse e enxuguei a mão no vestido. - Se eu demorasse mais não seria bem da sua conta. Disse frio e caminhou para o quarto, entrou no banheiro e depois de minutos saiu e foi para o quarto novamente. Estúpido... Parti o bolo em uma fatia e despejei o café em meu copo, me sentando na sala olhando a plantinha da mesa de centro. Era aquilo... eu devia fazer alguma coisa, odiava ficar sem fazer nada. Ainda mais naquela casa sem ninguém o dia todo, visto que Nicholas chegava ao entardecer. Se eu tivesse uma horta poderia plantar o que eu quisesse? Não é? Caminhei até o quarto bati na porta e ela foi aberta já que estava apenas encostada. - Nicholas.. eu fico muito sozinha nessa casa. Não tem muita coisa para fazer, posso ter a minha própria horta no quintal de trás? Ele me olhou e ergueu a sobrancelha enquanto colocava os papeis que lia em cima de uma mesa.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD