- Você mesmo viu como foi quando eu caí por duas vezes do cavalo. Ninguém nem mesmo veio me ajudar ou ver como eu estava.
- Sinto por isso. Aquelas pessoas são um bando de inúteis sem ter o que fazer.
- Até mesmo você não fez nada. - disse baixo.
- Eu queria que conseguisse fazer sozinha, mas estava prestes a ir até você.
Uma lágrima solitária escorreu lembrando da cena vergonhosa que tinha sido. Limpei a lágrima com o dorso da mão e suspirei.
- Está mentindo. Ninguém nunca se importa.
- Por que eu mentiria?
- Eu não sei...
Depois daquela conversa fiz o jantar, e depois de me alimentar segui rumo ao quarto para dormir.
No outro dia, já estava me preparando para a festa trançando o meu cabelo enquanto Nicholas tomava o seu banho. Ele saiu com uma camisa social azul até os cotovelos e uma calça bege.
Arrumou os cavalos enquanto eu já descia os degraus da casa. E fez um gesto me chamando para perto, quando menos espero ele coloca as duas mãos grandes na minha cintura e me sobe no cavalo.
- Não precisava..
Disse e ele apenas foi para o cavalo dele acenando para irmos.
Quando chegamos na vila, ele foi logo saltando e amarrando os cavalos e depois me ajudando a descer botando as mãos firmes na minha cintura. Pegou na minha mão e caminhou comigo para onde estava acontecendo a festa de aniversário da cidade.
Estava tudo muito bem decorado no terreno amplo e com mesas com quitutes e docinhos. As pessoas já dançavam enquanto outras cantavam alegremente, os rapazes tirando as moças para dançar ou apenas as cortejando.
Enquanto caminhavámos não sentia que Nicholas possuía algum tipo de vergonha em relação a mim, ele apenas cumprimentava os conhecidos e me apresentava.
A maioria já me "conhecia" mesmo por eu ser diferente e andar mancando. Nicholas avisou que queria falar com o pai em sua casa que era ali perto e me deixou próxima a mesa das comidas.
Peguei alguns pedaços de docinhos das formas e caminhei para a árvore ali, não sabia se as minhas irmãs viriam ou não. Mas provavelmente a essa hora deveriam estar vindo para cá. Minha mãe queria que sempre estivéssemos presentes nessas comemorações para não sermos esquecidas aos olhos dos pretendentes.
Avistei Ceci que acenou e correu para a minha direção. Eu estava morrendo de saudades, tinha a visto somente três vezes depois que tinha me casado. Depois avistei Gabriela que se aproximou também.
Nos abraçamos e conversamos sobre as novidades e fiquei sabendo que Gabriela já tinha um pretendente que fora pedir ela em casamento dois dias depois que me casei. Ela estava radiante.
E Ceci dizia que Kayla iria vir também para a festa.
- Ela está grávida, está com uma barriga grande já, precisa de ver Lilian. - disse Gabriela.
- Oh! Eu imagino que sim.
- E você Lilian? Quando vai vir seu bebêzinho?
- Ainda não... Ceci.
- Mas você já era para estar esperando um. Ao menos é assim que sempre acontece depois que casa, a mulher fica grávida em seguida.
- Bom, comigo ainda não aconteceu.
- m*l posso esperar para segurar seu bebê, Lilian. Vai ser tão fofo.
Eu apenas assenti, não queria contar que não tinha contato com o meu marido. Elas achariam estranho e logo me encheriam de perguntas as quais eu não tinha resposta.
Conversamos sobre o noivo de Gabriela e sobre o vestido que ela usaria, logo que elas foram cumprimentar outras pessoas Kayla chegou acompanhada de seu marido e caminhou na nossa direção enquanto ele foi falar com os amigos. E estava mesmo com um barrigão perceptível.
- Está linda irmã. - disse e ela sorriu passando a mão na barriga.
- Obrigada Lilian. Você também, sempre.
- Veja...está se mexendo.
E colocou a mão que estava na cintura para o centro da barriga.
- Posso sentir Kay?
Ela acenou que sim e coloquei a mão aonde ela disse que sentira e era incrível, se mexia dando leve chutes e voltava novamente.
- Fantástico!
Ela sorriu e continuamos conversando sobre coisas do bebê e do casamento, infelizmente ela morava para o lado sul e eu para o norte da cidade. Muito longe para nos vermos sempre.
Kayla foi de encontro ao seu marido, enquanto as meninas já estavam indo para a mesa de doces, fui procurar Nicholas que ainda não tinha voltado.
Entrei na casa do senhor Hall, bati na porta mas ninguém me atendeu. Girei a maçaneta então e caminhei até a sala encontrando uma mulher de cabelo loiro escuro o beijando.
Então era isso? Ele tinha me trazido a essa merda de festa para me trair? Estava com tanta mágoa que corri com dificuldades até a porta.
Desci as escadas quase tropeçando e permaneci correndo a uma distância do jeito que dava até os cavalos que estavam amarrados ali perto.
Aquilo tinha sido a gota d'agua, por que eu tinha vindo nessa festa mesmo?
A botinha que usava apertava o meu pé e enquanto corria sem parar sentia arder e queimar a pele. Subi no cavalo dessa vez sem muita dificuldade, e cavalguei até chegar em casa.
Amarrei o cavalo com lágrimas nos olhos e corri para dentro sentindo as pernas pesarem com o esforço que tinha feito. Desfiz a trança do cabelo no quarto, tirei as botas que usava e deitei na cama ainda chorando.
Por que tinha que fazer aquilo comigo? Eu era uma aberração a ponto dele não querer nem me beijar?
Adormeci chorando e nem vi quando ele chegou. No dia seguinte, domingo, acordei e quando coloquei os pés no chão soltei um leve gemido de dor pelo pé esquerdo que estava extremamente dolorido.
- Que bobagem!
Andei até o banheiro tomei um banho e me troquei. Quando saí senti um cheiro de café forte vindo da cozinha, ele estava de costas olhando para janela o terreno ao longe.
- Nunca mais faça isso. Por que não me esperou?
- Esperar você conhecer todos os cantos da boca daquela mulher?
Ele ficou boquiaberto colocando o copo de lado e vindo na minha direção.
- O que você viu ... eu sei que é difícil de acreditar, mas ela quem me beijou.
- Oh e eu converso com fadas e duendes o tempo todo.
- Ela chegou dizendo a casa de meu pai que estava com dores abdominais. Mas logo disse que queria ser examinada de perto e me agarrou.
- E você continuou a beijando...
- Não continuei a beijando, deve ter visto quando ela me agarrou e não viu quando eu a afastei.
- Eu disse que se fosse para me trair, que fosse ao menos cuidadoso Hall.
- Olha isso.
Ele disse apontando para o seu braço direito, tinha uns arranhões com sangue ainda.
- E o que quer que eu pense? Não vou acreditar em você que é um maldito mulherengo que não pode ver uma mulher que sai correndo feito cachorro...
- Ela me arranhou! Quando eu a rejeitei dizendo que era casado! E ainda me deu um tapa. Se pensa que sou um desesperado Lilian, está completamente enganada.
- Pois é o que eu penso de ti! Um desesperado.
- Não vai acreditar em mim, não é?
- Não! Eu te odeio Nicholas. Preferiria ter virado uma freira do que me casado com você, que me trai sempre que pode.
- Deveria ter virado uma com toda essa sua chatice.
E saí com lágrimas nos olhoas para o quarto. Não estava com ânimo nem para ver a horta ou muito menos começar a costurar os vestidos novos. Queria apenas deitar, porque dentro de mim algo doía e por fora meus pés estavam me matando de dor e latejavam.