CAPÍTULO 17

779 Words
Matteo Estou no meu escritório quando ouço duas batidas na porta. — Entre. — Senhor Matteo, com licença o senhor Teodoro e a senhora Carla chegaram. — Obrigado. Levanto-me e vou até a sala de estar, onde meus pais estão. — Mãe, pai?! — Oi, meu filho. Como você está? — Estou bem. — E a Hannah, onde está? — pergunta minha mãe. — Está se arrumando, mãe. — Filho, podemos conversar no escritório? — Podemos. Caminhamos nós três até o escritório. Só de olhar o rosto deles, sei que coisa boa não será. Entramos, e meus pais se sentam diante de mim. — E aí, como está a convivência entre você e a Hannah? — pergunta minha mãe. — Na medida do possível, mãe. — Que ótimo. Meu pai me encara por alguns segundos, até cruzar os braços. — E o que aconteceu entre vocês? Você está diferente meio distante. — Nada demais, mãe. — Matteo, eu te conheço. Suspiro. — Foi só um beijo que nem devia ter acontecido. Ela tinha bebido demais e eu também. Minha mãe balança a cabeça. — Matteo, ela é uma moça bonita, de família respeitável. Tem caráter, e não merece ser tratada assim. E o que você anda fazendo, saindo com outras mulheres? As coisas chegam até mim, filho. Meu pai se inclina um pouco para frente. — Matteo, você não pode deixar o passado ditar sua vida. — Pai, eu não vou cometer o mesmo erro que cometi com a Marlene. — Meu filho, ninguém é igual a ninguém. O que aconteceu com a Marlene foi doloroso, mas ficou para trás. Você precisa voltar a viver, a confiar. — Concordo com o seu pai — diz minha mãe, com um olhar firme. — Acho que a Hannah gosta de você. Se não gostasse, não teria aceitado essa proposta. Ela não está ganhando nada com isso além de estar perto de você. — Mãe, não tem nada a ver. Ela deve ser igual à Marlene, se faz de boazinha, e depois apunhala pelas costas. — A Marlene nunca foi boazinha, Matteo — ela rebate. — E a Hannah é completamente diferente. É doce, meiga, educada e linda. Meu pai completa — Vê se não pisa na bola, filho. Talvez ela te ame, talvez te dê valor, e você nem percebe. Não jogue isso fora por bobagem. Fecho os punhos sobre a mesa. — Vocês têm que entender que ela ainda é uma garota. Nem dezoito anos tem. É só vocês que não veem isso! Meu pai responde calmamente: — Idade não julga caráter, Matteo. O que define alguém é quem ela é por dentro. Sinto o peso da conversa e, no fundo, sei que eles têm razão em parte. Fico em silêncio, perdido nos próprios pensamentos. Tenho que admitir Hannah é linda. A presença dela mexe comigo mais do que quero aceitar. Mas não quero me deixar enganar de novo. Não depois de tudo. Ainda assim há algo nela. Algo que me intriga, que me atrai e me perturba ao mesmo tempo. Levanto-me abruptamente. — Se me dão licença, vou ver como estão as coisas. Subo direto para o quarto de Hannah. Não bato. Se ela estiver tramando algo, vou pegá-la de surpresa. Abro a porta, e o quarto está vazio. Dou uma olhada no closet, mas nada. O barulho do chuveiro indica que ela está no banheiro. Olho ao redor e vejo uma poltrona no canto do quarto. Sento-me nela, observando o ambiente. O quarto está organizado, acolhedor cheio do toque dela. A porta do banheiro se abre. Ela surge distraída, caminhando até o espelho. O cabelo úmido cai sobre os ombros, e o vapor ainda paira no ar. Por um instante, esqueço de respirar. Ela é linda. Jovem, sim, mas com uma elegância natural, uma inocência que mistura força e doçura. Não sei o que me domina mais a vontade de protegê-la ou o desejo de provocá-la. — Acho que só passarei um corretivo, um pouco de rímel e batom. Estará ótimo — ela diz, sorrindo para o espelho. — Ótimo. Assim você não se atrasa ainda mais. Ela se vira, assustada. — Me desculpe! Achei que não estava atrasada. — Meus pais já chegaram, Querem te ver. Me levanto e caminho na direção dela. Cada passo parece estreitar o espaço entre nós. Ela desvia o olhar, abaixando a cabeça, envergonhada. Por um momento, o ar ficou pesado. Há algo invisível entre nós algo que queima em silêncio, mesmo quando negamos. — Descerei em alguns minutos — ela diz, a voz quase num sussurro. Apenas assinto e saio do quarto, antes que a vontade de ficar fale mais alto.
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