CAPÍTULO 14

678 Words
Hannah Hoje, exatamente hoje, faz 1 mês e 15 dias do meu casamento com Matteo. Quase todos os dias ele chega tarde em casa ou dorme fora. Ele não almoça em casa, e são raras as vezes em que toma café ou janta aqui. Até hoje trocamos poucas palavras e a maioria delas é fria ou grosseira. Hoje é sexta-feira e decidi que vou me distrair e me divertir, mesmo que seja em casa. Já passa das 19h30 minutos. Com certeza Matteo chegará tarde ou talvez nem durma aqui. Tomo um banho e visto um conjunto de lingerie preta com um robe da mesma cor. Carina já foi embora, então ficou à vontade. Coloco uma música e decidi beber alguma coisa. Olho para o bar da sala de jantar e resolvo experimentar um pouco de uísque. Despejo um pouco no copo com gelo e tomo um gole. — Por Deus, como alguém consegue beber isso! Desisto e decidi fazer uma caipirinha a única bebida que já gostei até hoje. Vou até a cozinha e preparo minha caipirinha. Começo a beber e cantar algumas músicas. As horas passam e eu nem percebo. Já perdi a conta de quantas caipirinhas bebi. Procuro meu celular para ver as horas, mas não o encontro. Devo ter deixado no quarto. Subo para pegá-lo. — Nossa, já são mais de meia-noite, acho melhor parar de beber por hoje. Estou aqui falando comigo mesma de novo. Sorrio, respondo algumas mensagens no celular e desço para desligar a música e arrumar a cozinha antes de me deitar. Vou até a sala, pego alguns copos das caipirinhas que bebi e levo para a cozinha para lavar. Depois volto para desligar a música , ela nem está tão alta. Nunca bebi tanto assim. Na cozinha, há uma moça ruiva sentada em cima do balcão, virada para Matteo, que está escorado na geladeira, observando-a. Ela está com as pernas abertas, e pela expressão dele está gostando do que vê. Assim que entro na cozinha, me assusto e deixo um copo cair no chão. O barulho faz Matteo olhar em minha direção com uma expressão nada boa. Ele me encara, furioso. — O que você pensa que está fazendo? — Eu eu só vim guardar esses copos e arrumar a bagunça — digo, apontando para a pia, onde ainda estão as louças que usei para fazer as caipirinhas. A ruiva me olha com desprezo. — Não sabia que empregadas tinham liberdade de andar quase peladas pela casa. — Eu não sou empregada — respondo baixinho, olhando para o chão, tomada pela vergonha e com vontade de chorar. Vou até a pia e coloco os outros copos dentro dela. Depois volto à sala, pego os restantes e retorno à cozinha, colocando-os também na pia. — Oh, garota, você não está vendo que está atrapalhando, não? — diz a ruiva, apontando para ela mesma e para Matteo. Ele não diz nada, como sempre. — Eu já vou sair, só vou limpar essa bagunça. Vou até a despensa, pego uma sacola, uma pá e uma vassoura, e volto para a cozinha. As lágrimas começam a cair sem que eu perceba. Quando volto, a ruiva está se esfregando em Matteo, que continua do mesmo jeito, apenas observando. Ele me olha, e eu abaixo a cabeça , não quero que me vejam chorando. Me abaixo e começo a recolher os cacos maiores com as mãos. — Hannah, deixa isso. Amanhã a Carina limpa. — Não, eu vou arrumar. As lágrimas embaçam minha visão. De repente, sinto uma dor forte na mão. Olho e vejo o sangue escorrendo. Limpo os olhos com a outra mão e percebo um pequeno corte. Ouço passos e vejo os sapatos de Matteo e da ruiva passando ao meu lado, mas não olho para eles. Levanto, vou até a pia e lavo a mão. As lágrimas ainda caem. Está doendo, mas não tanto quanto meu coração. Como Matteo teve coragem de trazer uma mulher pra cá? Matteo abre a geladeira, me fazendo assustar. Pego qualquer pano e faço pressão no machucado.
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