Hannah
Hoje, exatamente hoje, faz 1 mês e 15 dias do meu casamento com Matteo.
Quase todos os dias ele chega tarde em casa ou dorme fora. Ele não almoça em casa, e são raras as vezes em que toma café ou janta aqui.
Até hoje trocamos poucas palavras e a maioria delas é fria ou grosseira.
Hoje é sexta-feira e decidi que vou me distrair e me divertir, mesmo que seja em casa.
Já passa das 19h30 minutos. Com certeza Matteo chegará tarde ou talvez nem durma aqui.
Tomo um banho e visto um conjunto de lingerie preta com um robe da mesma cor.
Carina já foi embora, então ficou à vontade. Coloco uma música e decidi beber alguma coisa.
Olho para o bar da sala de jantar e resolvo experimentar um pouco de uísque.
Despejo um pouco no copo com gelo e tomo um gole.
— Por Deus, como alguém consegue beber isso!
Desisto e decidi fazer uma caipirinha a única bebida que já gostei até hoje.
Vou até a cozinha e preparo minha caipirinha.
Começo a beber e cantar algumas músicas.
As horas passam e eu nem percebo. Já perdi a conta de quantas caipirinhas bebi.
Procuro meu celular para ver as horas, mas não o encontro.
Devo ter deixado no quarto. Subo para pegá-lo.
— Nossa, já são mais de meia-noite, acho melhor parar de beber por hoje.
Estou aqui falando comigo mesma de novo.
Sorrio, respondo algumas mensagens no celular e desço para desligar a música e arrumar a cozinha antes de me deitar.
Vou até a sala, pego alguns copos das caipirinhas que bebi e levo para a cozinha para lavar.
Depois volto para desligar a música , ela nem está tão alta.
Nunca bebi tanto assim.
Na cozinha, há uma moça ruiva sentada em cima do balcão, virada para Matteo, que está escorado na geladeira, observando-a.
Ela está com as pernas abertas, e pela expressão dele está gostando do que vê.
Assim que entro na cozinha, me assusto e deixo um copo cair no chão.
O barulho faz Matteo olhar em minha direção com uma expressão nada boa. Ele me encara, furioso.
— O que você pensa que está fazendo?
— Eu eu só vim guardar esses copos e arrumar a bagunça — digo, apontando para a pia, onde ainda estão as louças que usei para fazer as caipirinhas.
A ruiva me olha com desprezo.
— Não sabia que empregadas tinham liberdade de andar quase peladas pela casa.
— Eu não sou empregada — respondo baixinho, olhando para o chão, tomada pela vergonha e com vontade de chorar.
Vou até a pia e coloco os outros copos dentro dela. Depois volto à sala, pego os restantes e retorno à cozinha, colocando-os também na pia.
— Oh, garota, você não está vendo que está atrapalhando, não? — diz a ruiva, apontando para ela mesma e para Matteo.
Ele não diz nada, como sempre.
— Eu já vou sair, só vou limpar essa bagunça.
Vou até a despensa, pego uma sacola, uma pá e uma vassoura, e volto para a cozinha.
As lágrimas começam a cair sem que eu perceba.
Quando volto, a ruiva está se esfregando em Matteo, que continua do mesmo jeito, apenas observando.
Ele me olha, e eu abaixo a cabeça , não quero que me vejam chorando.
Me abaixo e começo a recolher os cacos maiores com as mãos.
— Hannah, deixa isso. Amanhã a Carina limpa.
— Não, eu vou arrumar.
As lágrimas embaçam minha visão. De repente, sinto uma dor forte na mão. Olho e vejo o sangue escorrendo.
Limpo os olhos com a outra mão e percebo um pequeno corte.
Ouço passos e vejo os sapatos de Matteo e da ruiva passando ao meu lado, mas não olho para eles.
Levanto, vou até a pia e lavo a mão. As lágrimas ainda caem.
Está doendo, mas não tanto quanto meu coração.
Como Matteo teve coragem de trazer uma mulher pra cá?
Matteo abre a geladeira, me fazendo assustar.
Pego qualquer pano e faço pressão no machucado.