CAPÍTULO 19

796 Words
Hannah Mamãe, eu e dona Carla voltamos para a sala. Logo vejo Pâmela passando em direção à cozinha , imagino qual deve ter sido a “reunião” de Matteo no escritório. Ficamos conversando até o jantar ser servido. O jantar ocorreu bem, tirando o fato de um dos sócios de Matteo não parar um segundo sequer de me encarar. Aquilo já estava me incomodando bastante. Assim que terminou o jantar, quase todos foram para a sala. Mamãe, eu, dona Carla e mais duas mulheres de meia-idade continuamos lá mesmo, tomando vinho e conversando. Elas são casadas com dois dos sócios da empresa e são bem simpáticas. Ficamos falando sobre coisas aleatórias do dia a dia da mulher, até que Pâmela apareceu e se sentou à mesa conosco. Todas nós a cumprimentamos e continuamos a conversa normalmente, mas ela me encarava como se eu fosse a sem caráter da mesa. — Mas então, Hannah, como está sendo a vida de casada? — ela pergunta com sarcasmo. — Está ótima, obrigada por perguntar. — Tem certeza? — Tenho sim, Pâmela. Ficamos mais um pouco conversando e bebendo vinho. Logo, ficamos só nós quatro: eu, Pâmela, mamãe e dona Carla. — Você deveria ficar com vergonha, Hannah. Sua mãe não te ensinou a não mentir? — Eu sou muito educada, mas não fale da minha mãe, porque a minha educação acaba no mesmo instante. O seu problema é comigo, Pâmela. Mas, sinceramente, eu não entendi o que fiz para você não gostar de mim. — Não se faça de sonsa, garota! Você sabe muito bem o motivo. — Me desculpe, mas eu não sei. — Matteo é o problema.Paraa que você casou com ele? — Isso não lhe diz respeito, Pâmela. — Você se casou por nome e dinheiro, é isso. Porque deve ser uma rodada que ninguém mais quer. Ela olha para dona Carla e continua, venenosa: — Aí entra você, Carla. Como te conheço bem… planejou tudo isso. Devia ter vergonha. E você, dona Jasmim, pra não deixar o nome da família na lama, resolveu casar essa daí pra ver se tinha futuro. Vocês deviam ter vergonha! — Por favor, Pâmela — digo, firme —, olha a boca. Está na minha casa. E respeite minha mãe e dona Carla. Você pode pensar o que quiser, que pra mim não faz diferença. Mas, se puder, se retire e vá embora. O jantar já terminou há muito tempo. — Só mais uma coisa: você deve ser péssima na cama, porque se não fosse, ele não me procurava. E olha que eu sou muito boa, por sinal… e ele gosta. — Que bom pra vocês, Pâmela. — Peraí… vocês nunca ficaram juntos? — ela ri, debochada. — A menina quer posar de boa moça, hahaha! Por isso ele me procura. Não tem coragem de encostar em alguém rodada igual a você. — Pâmela, já chega. Está na hora de você ir embora — Matteo fala da entrada da sala de jantar. Ele está escorado na parede, com um copo de uísque na mão como sempre. — Matteo, você ainda não ficou com ela por quê? Eu sei que sou única para você. É por isso que tem nojo dela, né? Quantos você acha que ela já teve? Cinco? Dez? Mamãe e dona Carla não dizem uma palavra sequer. — Não te interessa, Pâmela. Agora vai embora. — Eu vou, mas vou estar te esperando. Nem espero ela terminar. Sai da sala de jantar, e minha vontade é de sair quebrando tudo pegar minhas coisas e ir embora daqui. Ainda bem que todos já foram e não precisaram ouvir essas baixarias. Sento-me na sala. Mamãe e dona Carla se sentam comigo. — Você está bem, minha filha? — Estou, mamãe. Minha vontade é chorar e chorar será que Matteo ouviu toda a discussão e nem se quer me defendeu? — Filha, vamos embora. Você dorme lá em casa, pensa um pouco depois você volta. — Obrigada, mamãe, mas não. Eu já decidi, vou até o fim. — Meu Deus, Hannah, você o ama? — pergunta dona Carla, sorridente. — Eu o amo há muito tempo, desde a primeira vez que o vi. Mas não quero que ele saiba, nem ninguém. — Claro, claro. A escolha é sua. Mas saiba, se um dia quiser ir embora, jamais ficarei com raiva de você. Pelo contrário quero você sempre conosco. — Obrigada, dona Carla. — Bom, já está na nossa hora, não é, Carla? — Sim. — Fique bem, Hannah. — Fica com Deus, minha filha. Matteo chega e se senta em uma das poltronas da sala. Levanto-me para acompanhá-las até a porta. — Não precisa, Hannah, nos acompanhar — diz dona Carla. Elas abrem a porta da sala e vão embora.
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