Eu desci o morro rasgando o asfalto na Tiger, sem capacete mesmo, deixando o vento da favela bater na minha cara. O fuzil cruzado no peito, a mandíbula travada e a postura intocável de subchefe. Quem olhava de fora via apenas o Lobo de sempre, o cara que gerenciava a contenção do Complexo da Caveira com mão de ferro, mas por dentro a minha mente ainda estava trancada naquele quarto, sentindo o perfume da Kiara e o calor da boca dela na minha. Estacionei a moto na calçada da boca principal, cortando o giro. Não deu nem dois minutos e o ronco da Hornet do Dom ecoou na viela; ele encostou logo atrás de mim, com a mesma cara de poucos amigos. Os vapores que estavam de plantão na atividade na frente do progresso se ajeitaram na hora, endireitando a postura em respeito aos chefes. — Tranquilid

