Capítulo 5: Sacrifício

1330 Words
Kate voltou para a boate. Ela trocou olhar com Jude, a agente do FBI que tinha se tornado sua parceira naquela loucura que chamavam de Investigação. Há alguns meses, ela jamais imaginou estar naquele cenário. Muitas das coisas que havia aprendido, tinha sido com a própria vida ou por curiosidade, ou até por pensar que poderia ser útil em algum momento, como a dança do ventre. No entanto, ela jamais idealizou aquele cenário. O homem estava rindo com os parceiros, aguardando a volta dela. Como prometido, Kate ficou dançando em seu colo, enquanto ele conversava com seus compradores, durante uma hora. Quando ele fechou a venda, a puxou para uma sala particular, onde ganhou sua dança privada. No fim, para saciar a excitação do homem e como parte do acordo, Kate precisou usar a boca, deixando o homem enlouquecido enquanto ela chupava seu p*u. Ao terminar, ele fechou o zíper, satisfeito com o serviço, e prometeu que na próxima pagaria muito mais do que o normal pelo serviço da mulher. Com um forte enjoo no estômago, Kate precisou de um tempo no camarim quando ele foi embora. — Você está legal? Perguntou Jude, que saiu do palco para ver a colega. — Só preciso de um tempo. Kate estava no pequeno banheiro do local, com as mãos apoiadas na pia. Jude entrou e trancou a porta. O barulho da boate não deixava que escutassem a conversa, desde que elas não falassem alto. — Aquele era o Andrew, não era? O mesmo da lanchonete. Kate apenas balançou a cabeça, de leve, sentindo seu estômago embrulhar. — Eu nem sei o que dizer. Você foi louca e corajosa ao mesmo tempo. Aquele homem, que você levou para o privado, era... — Um dos maiores traficantes de metanfetamina da área. Um dos poucos que não mantém negócio com a Máfia Cardenas. Ele trabalha pra um cartel eu acho. Mas lá ele é peixe pequeno. — Caramba. Jude encostou o corpo na porta, de braços cruzados. Não tinha ideia do que tinha acontecido lá, mas pela forma como Kate não conseguia se olhar no espelho sem quase vomitar, coisa boa não tinha sido. — O Bryan disse que montariam uma equipe pra investigá-los, mas o foco dele não é esse caras. Kate comentou, respirando devagar. Jude complementou. — Querem a máfia. Eles tem um poder muito maior no momento. Se fosse há alguns anos, esses mafiosos já tinham dominado toda a cidade. Desde as construtoras civis até o Porto. Mas o Don é esperto, não tão ganancioso quanto seus antepassados. Sabe ser discreto. Ou pelo menos tenta. — Não diria a mesma coisa do filho. Kate lavou a boca diversas vezes, na tentativa inútil de tirar o gosto do p*u do homem, mas ela sabia que só aliviaria a sensação. Mas o pior não era isso. Como conseguiria encarar o noivo depois daquilo? Mesmo sabendo que Lucas estava ciente da possibilidade de coisas assim acontecerem, ela não se sentia bem. Na verdade, havia uma dor corroendo seu peito. — O que deu nele, em? Nunca tinha o visto por aqui. — Os Mafiosos têm suas regras. Uma espécie de mandamentos, eu acho. E uma delas é não frequentar bares e boates. — Por qual motivo? Kate lavou o rosto e pegou um papel toalha, enxugando as mãos e tirando o excesso de água do rosto. Ela soltou a respiração devagar antes de se virar e olhar pra Jude. — Eu não sei bem. O que sei é que eles têm diversos clubes espalhados na cidade, onde Andrew poderia encontrar quase as mesmas coisas. O que não entendo é porque se arriscar tanto a causar uma briga. Ou pior, uma guerra. O Don jamais admitiria que seu filho fosse espancado, mesmo sabendo que ele tinha desobedecido uma regra. — A coisa teria saído muito do controle. Você fez o que precisava pra evitar um desastre. Parte dela concordava que sua atitude tinha evitado um derramamento de sangue, que dificultaria muito seu trabalho. Não queria a polícia local ali, fazendo um monte de perguntas e correndo o risco de estragar seu disfarce, que levou meses para ser montado. Mas seu lado emocional não enxergava bem essa parte da equação. — Não é assim que me sinto. — Ele vai entender. Não vai ser fácil, mas... Ela queria evitar pensar em Lucas. Não tinha ainda coragem de encará-lo. Estava com vergonha por si mesma. — Não quero falar dele agora. Preciso tomar um banho, ir pra casa, ficar um tempo sozinha. — Tem certeza disso? — Sim. Amanhã resolvo o que fazer sobre tudo isso. Essa noite não pode ter sido em vão. Estou cansada de não obter resultados. — Se Andrew for do tipo sensato, vai voltar pra te agradecer. Se conseguir se aproximar mais... — O problema é esse. Não sei se ainda quero me aproximar tanto. Desde que tinha chegado ali, era apenas dança, um pouco de toque aqui e ali, nada que chegasse ao ponto que precisou ir mais cedo. No entanto, ela sempre soube que pra entrar mais a fundo na máfia, provavelmente seria necessário um pouco mais do que um boquete. E estava disposta mesmo a ir fundo, de um jeito que não tinha planejado pra sua carreira. Mas depois daquela experiência, estava com dúvidas sobre o que deveria fazer e até onde estava, realmente, disposta a ir. — Não viemos tão longe pra desistir agora. Eu sei que isso foi meio traumático, mas estamos trabalhando muito pra ter alguma chance com eles. Se Andrew aparecer, tem que dar uma chance a ele. Essa seria nossa melhor oportunidade. — As vezes eu odeio meu trabalho. Jude abraçou Kate de lado e se olhou no espelho, fazendo a agente se olhar também. O estômago ainda revirava um pouco, mas começava a entender que teria que passar por aquele pequeno processo, pra enfrentar o pior que ainda estava por vir. — Vai dar tudo certo. Quando menos esperar, estaremos tirando boas férias em Miami, curtindo a conclusão do maior caso de nossas carreiras. — Se isso não acontecer, vou te processar por propaganda enganosa. Elas sorriram, de leve, e saíram do banheiro. Jude voltou pros palcos. Kate alegou estar indisposta pra continuar, então mandou mensagem para Nicholas e começou a trocar de roupa. A essa altura, Andrew ainda estava com uma raiva batendo forte em seu peito. Ele só não sabia se era toda por culpa de seu pai ou por ter sido expulso da boate, depois de precisar ver a garota por quem tinha se encantado, se sacrificar por ele. — Tem certeza que vai ficar? — Não vou arrumar briga, eu prometo. Só preciso agradecer a ela. — Não é tão r**m, então. Andrew ergueu o olhar para Mason, do tipo que fez o homem estremecer. — Sabe das coisas que já fiz. E sabe também que o único motivo pra eu não ter feito nada lá dentro, é porque tem muitos inocentes. — Principalmente a moça que te ajudou. Andrew não respondeu, continuou escorado na parede, com os braços cruzados e a cara amarrada. Minutos mais tarde, um carro parou próximo ao beco, que dava acesso a porta dos fundos. — Chamou alguém? — Não senhor. Ficarei de olho. Mason deu alguns passos a frente, observando o carro. Um sedan preto. De repente, a porta dos fundos se abriu. Uma mulher com lábios pequenos e avermelhados saiu de dentro da boate. Andrew seguiu o olhar, rapidamente identificando o corpo magro, sem muita curvatura, mas extremamente atrativo. — Ei, moça! — Não faço programas, amigo. O show é lá dentro. Respondeu, sem olhar pra trás. Ela caminhava em passos firmes, segurando bem sua bolsa embaixo do braço. Andrew correu um pouco pra alcançá-la. — Não, sou eu! Andrew Cardenas. Kate parou de imediato e se virou, tendo uma visão melhor de Andrew ali, mesmo com a pouca iluminação do beco. — Ah, você. O que faz aqui ainda? — Te esperando.
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