Passou uns dias e a mae de Pedro tinha ligado para vic ir ate lá.
casa estava silenciosa demais.
Vic nunca tinha se sentido tão pequena dentro de um lugar tão grande.
A mãe de Pedro estava à sua frente. Postura impecável, voz controlada, mas os olhos frios o suficiente para deixar claro que aquilo não era uma conversa — era uma decisão sendo imposta.
Ela respirou fundo antes de falar:
“Eu vou ser direta com você, Vitória.”
Vic ficou imóvel.
A mulher continuou, sem hesitar:
“Eu sei o que você tem com o meu filho.”
O coração de Vic acelerou.
“E eu também sei que isso não vai para frente.”
Silêncio.
A mãe de Pedro deu um passo à frente, colocando sobre a mesa um papel e um cartão.
“Eu não quero conflito. Não quero escândalo. E principalmente não quero você na vida dele.”
Vic engoliu seco.
A mulher então soltou a frase que fez o ar pesar ainda mais:
“Me diga o que você quer.”
Vic franziu o cenho, confusa.
“Como assim?”
A mãe dele respondeu com frieza calculada:
“Dinheiro. Faculdade. Uma vida melhor para você e sua família. Eu posso garantir tudo isso.”
Ela empurrou o cartão na direção dela.
“Só preciso que você se afaste do meu filho.”
O silêncio que veio depois foi sufocante.
Vic sentiu a garganta travar, mas a voz saiu mesmo assim — baixa, tremida, mas firme:
“Isso não é… uma negociação.”
A mulher não mudou a expressão.
“Na vida real, tudo é.”
Nesse momento, a porta se abriu com força.
Pedro.
Ele estava ofegante, como se tivesse corrido até ali.
E quando viu a cena — o cartão na mesa, o olhar da mãe, e Vic ali no meio de tudo — algo no rosto dele mudou completamente.
“Você fez isso?” ele perguntou, a voz baixa, perigosa.
A mãe dele virou devagar.
“Eu estou resolvendo um problema antes que ele destrua sua vida.”
Pedro deu um passo à frente.
“Ela não é um problema.”
Silêncio.
Vic olhou para ele, o coração apertando.
A mãe dele tentou manter o controle da situação:
“Pedro, você não sabe o que está fazendo.”
Mas ele não desviou o olhar de Vic.
“Eu sei exatamente.”
E então, mais baixo, quase só para ela ouvir:
“Eu não vou te perder por causa deles.”
Aquela frase não resolveu nada.
Mas mudou tudo por dentro dos dois.
Porque agora não era só amor.
Era guerra ele a puxou pela a mão e subiu a escada levando ela.
Pedro levou Vic até o quarto dele em silêncio.
A porta fechou atrás deles, e por alguns segundos nenhum dos dois falou nada.
Era como se o mundo inteiro tivesse ficado do lado de fora.
Vic respirou fundo, a voz saindo baixa, carregada de tensão:
“Pedro… eu não ia aceitar isso.”
Ele olhou pra ela na mesma hora, mais calmo do que antes, mas com os olhos cheios de coisa demais.
“Eu sei, amor… eu sei.”
Ele se aproximou devagar, como se estivesse tentando não quebrar o que já estava frágil demais .
Em vez de responder com pressa, ele apenas segurou a mão dela com firmeza,e a beijou carinhosamente como se aquilo fosse a única coisa que conseguia manter os dois no lugar.
Vic desviou o olhar por um segundo, a voz falhando um pouco:
“Eu não tô aguentando essa pressão… minha família também quer que eu te deixe.”
Pedro ficou imóvel por um instante.
Ela continuou, agora mais dolorida:
“Eles têm medo da sua família… e talvez tenham razão. O que sua mãe fez hoje…”
Ela engoliu seco.
“Pra eles, isso é só o começo. Eles podem tentar me tirar daqui. Eles podem. Sua família tem poder pra isso, Pedro…”
A última frase saiu quase como um desabafo quebrado.
Pedro fechou os olhos por um segundo, como se aquilo tivesse atingido mais fundo do que qualquer briga.
Quando abriu, a voz dele saiu baixa, firme — mas com dor:
“Eles não vão te tirar de mim.”
Vic olhou pra ele, insegura.
“Você não controla isso…”
Ele deu um passo mais perto, agora sério de um jeito diferente.
“Não. Mas eu escolho você.”
O silêncio entre eles ficou pesado de novo.
Não era mais só amor escondido.
Era medo.
Era pressão.
Era mundo inteiro contra os dois.
Vic baixou o olhar, a voz quase sumindo:
“Eu só não quero te ver perdendo tudo por minha causa…”
Pedro soltou o ar devagar, encostando a testa levemente na dela por um instante, num gesto de cuidado e p******o, como se estivesse tentando passar força sem palavras.
“Você não é a minha perda, Vic.”
Ele fez uma pausa.
“Você é a única coisa que eu não vou deixar ninguém tirar de mim.”