Samuel demorava para atender. Um toque. Dois. Três. Fiquei alguns passos afastado de Lorena, telefone no ouvido, olhando sem parecer que estava olhando. Ela continuava sentada onde eu tinha deixado. Bolsa no colo. Uma das mãos apoiada sobre a barriga. A outra segurava o celular. Cansada. Tensa. Mas com a coluna reta. Foi a primeira coisa que me chamou atenção nela. Não os olhos. Apesar de ser impossível não reparar naqueles olhos. Azul-piscina. Claros demais. Diferentes demais naquele rosto moreno. O problema era o jeito como ela olhava. Não baixava. Não desviava. Não media palavra antes de falar comigo. Quando Dona Neide ligou dizendo que tinha uma mulher grávida precisando de ajuda porque estava sendo pressionada pela própria família, imaginei muita coisa. Não imag

