6—Aurora

1056 Words
Acordo com o barulho de minha porta abrindo. —Aurora, acorde. Quero saber o que aconteceu de legal ontem. Briana entra e começa a falar. —Vai dormir, Briana. Estou cansada. Digo me virando para o outro lado. —Olha, seu diário aberto, uma oportunidade rara. Me viro rápido na cama, me virando na velocidade da luz. —Me devolva, Briana. Ela abre a capa, e lê a primeira página. —"Querido diário..." —Me devolva isso. Digo me levantando e avançando pra cima dela, que corre pro corredor. —Me devolva Briana! Digo ja muito irritada. —Por que? Eu só quero ler, não vais morrer por isso. Ela fala com uma voz debochada. —ME DEVOLVA O MEU DIÁRIO BRIANA! Grito. —Eu só quero ler Aurora. Ela fala como se não fosse nada demais. —Vá ler livros, no escritório do papai está cheio. —Senhoritas, acordaram cedo hoje. Bom dia. O guarda-costa de Briana fala. —Roger, que bom que chegou. Vamos dar um passeio na praia. Ela fala pra ele, com um sorriso no rosto. —EU MANDEI VOCÊ DEVOLVER MEU DIÁRIO. Grito de novo. Estou desesperada. —Meninas, o que está acontecendo aqui? Papai pergunta mas não obtem resposta. . Briana resolve sair escada abaixo com o meu diário e eu parto pra cima dela. Vejo de relance que Roger tenta me segurar, mas não consegue a tempo e eu agarro os cabelos de Briana. Saímos as duas rolando escada abaixo. —Meu Deus. —Aurora, Briana. Ouço papai e mamãe gritarem e virem em nossa direção. Roger e Ícaro começam a tentar segurar nós duas, mas não largo Briana e ela também não deixa pra lá. —Já chega. Ouço papai falar, com a voz firme mais sem gritar. Mas é claro que não surge efeito. Briana continua me atacando e eu não paro. —PELO AMOR DE DEUS, PAREM DE ESPERNEAR, VOCÊS SÓ ESTÃO BATENDO EM ÍCARO E ROGER. Diz -Gritando- minha mãe. Paramos as duas no mesmo instante. —Quero saber que espinho espetou vocês para vocês estarem desse jeito antes das 07:00 horas da manhã. Pergunta papai. —Roger, Ícaro. Podem soltá-las, obrigada. Mamãe fala, para os dois que ainda nos seguram. —Briana entrou em meu quarto e pegou meu diário. Papai olha pra mim e Briana, incrédulo. —Tudo isso aqui por conta de um diário? —É o meu diário. Meus pensamentos. —Qual é Aurora, ali está escrito algum crime que você cometeu? Por que não posso ler. Olho de relance para Ícaro. —POR QUE VOCÊ TEM O SEU DIÁRIO. —Aurora, abaixe o volume, por favor. E Briana, por que fez isso? Minha mãe fala, sua voz mostra que está bem irritada. —Por que eu queria saber de uma coisa. —Não podia ter perguntado? —Aaaaa, claro. Por que ela iria me responder. —Você só saberá se perguntar. Olho pra minha irmã com raiva. —Aqui está seu diário Aurora. Papai diz me entregando ele, abraço contra o peito. —Pai, deixa eu ler. Só uma página, por favor. Briana fala, mas papai a ignora. —As duas estão de castigo. Três meses sem celular. Seis meses sem festinhas. —O QUE? —É isso mesmo. Agora vão ja se trocar e desçam pra tomar café da manhã. Minha mãe fala, sem nos dar chance de contestar. —Mas eu ainda estou com sono mãe. —Não me pareceu estar até trinta segundos atrás. Ela diz, em tom de ironia. Droga, tudo culpa de Briana. —E eu não quero ouvir mais nada sobre diários, ou eu os confiscarei. Meu pai fala e acabo arregalando os olhos. Não posso sequer imaginar meu pai um dia lendo meu diário, aliás, ninguém. Saimos em direção as escadas, antes de trancar a minha porta, ouço mamãe falar enquanto sobe as escadas. —Meu Deus, nem troquei de roupa e ja to estressada... Fecho a porta e me jogo na cama. Droga, Briana não poderia arrumar outra coisa pra fazer além de infernizar minha vida? Abro meu diário nas últimas páginas escritas, onde mais falei de meu segredo. Nem sonho com alguém ousando ler minhas palavras escritas, principalmente alguém da minha família. Me levanto e vou tomar um banho e me arrumar para o dia. Desço para tomar café da manhã e não abro minha boca para conversar com ninguém, quando ia saíndo da mesa, tive que deixar ali meu celular com papai. Nem tentei argumentar, quando ele diz que não, é não. Subo pro meu quarto novamente e pego mais uma vez meu diário, pra começar a escrever. Querido Diário. Hoje meu dia começou estressante. Sim, Briana acabou de pegar você em meu quarto. Ela disse que precisava confirmar algo, eu sei o que é. É algo que eu nunca disse a ninguém, apenas em suas páginas está registrado. Deus que me livre de um dia alguém descobrir, acho que seria o meu fim. O resultado disso? Bem, fiquei sem celular pelos próximos três meses, e por seis meses não poderei mais ir a festas, e você sabe querido diário, melhor que ninguém, quando papai diz que não, é não. Eu nunca compartilhei esse meu segredo, as pessoas vão dizer que é apenas uma paixonite boba, de adolescente. Mas a verdade é que eu amo Ícaro, como nunca amei ninguém, mas não sou tola, sei que para ele sou apenas uma criança, e hoje, enquanto ele me segurava eu só fiz aumentar essa certeza nele. :( Quando termino de escrever, coloco meu diário dentro da caixa e pego meu caderno de desenho. Começo a rabiscar algo sem pensar em nada e quando paro pra analisar, vejo mais uma vez o rosto de Ícaro em minha frente. É sempre ele, sempre. Suspiro, coloco também o caderno de desenho na caixa e travo, levando ela até o closet e guardando ela por debaixo da roupa. Me deito na cama e fico ali, rolando de um lado para o outro, até ouvir alguém bater na porta. —Entre. Digo me sentando. —Filha, posso entrar? —Claro, mãe. Ela caminha até minha cama e sorri pra mim. —Queria falar com você, o que acha de um passeio? Ela pergunta e eu apenas confirmo com a cabeça, me levantando logo em seguida.
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