Bruna respirou profundamente, queria que ele contasse a ela sobre o clube, não queria comentar o que tinha visto ali, já que ele já havia dito ser frequentador de um club.
Pedro:- Preciso saber exatamente o que esta pensando
Bruna:- Que você esconde muitas coisas, Pedro, e que realmente não sei o que quer comigo-Pedro, ficou pensativo, Bruna estava certa, escondia segredos que não deveria esconder, mas se sentia inseguro e envergonhado de dizer a ela o andamento da sua vida
Pedro:- Você também me esconde coisas Bruna, hoje soube pelo seu amigo que já fugiu de casa
Bruna:- Nunca escondi isso de ninguém, apenas não surgiu a oportunidade de falar, mas também não saiu compartilhando minha vida com todos.-Ele respirou fundo sabendo que precisava dar alguma coisa a ela.
Pedro:- O que acha disso? Eu te conto algo, e você me conta algo?
Bruna:-Certo, você começa.
Pedro:-Você se lembra do que aconteceu, quando Elizabeth foi capturada?-Bruna balançou a cabeça positivamente, tentando não interromper.- Bom viajei para estudar no exterior, era inexperiente, e me senti muito sortudo por uma mulher mais velha se interessar por mim, ela sempre estava disposta a conversar, ria das minhas piadas, e aos poucos foi se infiltrando na minha vida, na época achei que estava apaixonado, mas senti medo do que minha família diria, por ela ser bem mais velha que eu, resolvi enfrentar-Pedro suspirou, jogou a cabeça para traz encostando no banco do carro, seu rosto demonstrava uma agonia, que Bruna só havia visto uma vez, no dia dá morte de Elizabeth.- Mas aos poucos acabei descobrindo algo terrível, sobre aquela mulher, comigo ela era gentil, mas nos bastidores, abusava e se utilizava de crianças, para enriquecer, eu não queria acreditar que ela me enganou por tanto tempo, liguei para ela, queria terminar, mas ela pediu que eu fosse até sua casa, queria conversar, não me pediu para voltar, me fez entender que era uma despedida e eu aceitei, acho que lá, no fundo eu queria que ela se explicasse e que tudo fosse mentira, meu maior erro foi acreditar nela
Pedro passou as mãos pelos cabelos, cenas daquela noite passando pela cabeça, socou o banco dá frente, Bruna o observou, sabia parte da história, mas faria bem a ele falar, e já que Pedro estava se abrindo e desabafando, ouviria.-Fui a casa dela e lá ela e seus capangas me emoscaram, você sabe o que aconteceu comigo, não sabe?-Elizabeth e seus homens, amarraram e abusaram de Pedro, na época ele era adolescente , não contou aos pais, mas quando voltou para casa, rodos perceberam a mudança, o garoto meigo e inocente, já não existia mais.
Bruna viu a dor no olhar de Pedro, em um ato instintivo, puxou Pedro pelo braço e repousou sua cabeça no colo de Bruna, viu o rapaz fechar os olhos, enquanto acariciava seus cabelos.
Bruna:-Pedro, se essa desgr@çada, não estivesse morta, eu a mataria-Ele sorriu, mesmo de olhos fechados, nunca conseguiu contar isso detalhes, a sensação das mãos dela eram tão boas que ele não queria sair dali.
Pedro:- Sua vez-Sentiu o corpo dela se tencionar, se ajeitou e abriu os braços para ela, Bruna sorriu, colocou a cabeça no peito dele.
Bruna:- Quando eu era pequena, aprendi que quem deveria me amar e me proteger, tinha outros planos para mim, para minha mãe eu era uma princesa, mas ela faleceu, meu pai me via como a empregada dá casa, mais tarde, ele se juntou com outra mulher e começou a me ver como uma fonte de dinheir0, quando percebeu que pedir na rua não traria o retorno que esperavam, resolveu que me vender seria uma boa ideia, eu nunca aceitei a forma como eles me tratavam, então apanhei muito, quando ouvi sobre a venda, me preparei para fugir, desci pela janela do meu quarto, mas o cachorro fez barulho e ele me pegou, fiquei trancada no quarto por três dias, as coisas só pioraram, ele encontrou um homem que gostava de comprar criancinhas, o nojo e a raiva que eu sentia, era o que me fazia seguir em frente-Bruno se encolheu nos braços de Pedro, que a abraçou apertado- Aquela noite o pavor foi imenso, quando a porta do meu quarto se abriu e meu pai entrou com aquele homem, eu não chorei, não daria esse gostinho a eles, mas não consegui conter o nojo e vomitei naquele velho nojento, foi o que me salvou-Ela deu um sorriso fraco, Pedro acariciava seus cabelos- Quando ele me soltou passei correndo pela porta aberta, rolei pela escada e mesmo com uma costela fraturada consegui fugir.
Pedro:- Quantos anos você tinha Bruna?
Bruna:- Nove anos-Os olhos dele se fecharam, queria poder matar os homens que a machucaram com as próprias mãos-Mas ainda não foi dessa vez que me vi livre deles, devido à costela quebrada, acabei sendo pega novamente e trancada.
Ela parou de falar, Pedro sentiu a camisa molhada pelas lagrimas.
Pedro:- Acho que por hoje é o suficiente-Ela apenas balançou a cabeça
Bruna:- Pedro, não quero ficar sozinha-Com uma mão, ele mandou mensagem a Alceu, que apareceu rapidamente
Pedro:- Alceu, para casa-O homem parecia já conhecer a dinâmica
Alceu:- Senhorita Bruna, a chave dá moto, por favor-Bruna nem pensou, apenas entregou a ele, em alguns minutos ele resolveu o que era preciso e levou Pedro e Bruna embora.
Na casa de Pedro, entraram em silêncio, ele a levou para o quero e a despiu, se deitou ao lado dela, beijou o rosto e os olhos, aquilo não era sobre s*x@, mas sobre carinho e a confiança que estavam construindo.