O carro já estava em movimento fazia alguns minutos, mas o silêncio entre Alice e Bento não era vazio, era cheio demais. Não tinha mais o barulho controlado do evento, nem os olhares medidos, nem a necessidade de sustentar uma versão calculada de si mesmos. Só eles. E isso, de um jeito estranho, parecia mais perigoso do que qualquer coisa lá dentro. Alice mantinha o olhar na janela, acompanhando as luzes da cidade passando rápido demais, como se estivesse tentando organizar tudo o que aconteceu ali dentro, mas não era só estratégia que ocupava a mente dela. Era o peso da proximidade. Era o jeito que Bento tinha olhado pra ela mais cedo. Era o jeito que ele ainda estava ali, do lado, sem dizer nada… mas dizendo muito. — Você ficou mais quieta do que o normal — ele disse por fim, a voz bai

