Alice fechou a porta do quarto atrás de si, mas não encostou nela. Ficou parada por alguns segundos, como se o corpo ainda estivesse tentando acompanhar tudo que tinha acontecido nas últimas horas. O silêncio ali dentro era outro, mais íntimo, mais perigoso, porque não tinha distração nenhuma. Era só ela e os próprios pensamentos — e, pela primeira vez desde que tudo começou a escalar, não era só estratégia que ocupava espaço. Ela caminhou devagar até a janela, abrindo um pouco, deixando o ar frio entrar. Precisava disso. Precisava de algo que quebrasse a sensação de estar presa dentro da própria cabeça. Mas não funcionou como deveria, porque o problema não era o ambiente. Era ele. A forma como Bento tinha olhado pra ela. A forma como tinha puxado. A forma como não tinha recuado depois.

