Do outro lado da parede, Bento não estava imóvel — estava contido. Existia uma diferença grande entre os dois, e naquele momento ela era a única coisa mantendo ele no lugar. A tela à frente mostrava o enquadramento perfeito da sala: Alice apoiada na cadeira, postura firme, olhar direto; Caio um passo mais próximo do que deveria, mas ainda dentro de um limite aceitável. Áudio limpo. Sem ruído. Sem falha. Tudo funcionando exatamente como precisava. Menos ele. A mandíbula travada, o olhar fixo, cada microexpressão sendo registrada com precisão quase obsessiva. Não era só o que Caio dizia, era como dizia, o tempo entre uma fala e outra, o jeito que ele inclinava o corpo, o quanto ele testava espaço sem pedir. — Talvez eu já esteja do lado certo… — a voz de Caio ecoou clara no fone — e você

