Alice acordou antes dele. A primeira sensação não foi medo. Foi consciência. O corpo parecia diferente — mais sensível, mais desperto, mas também levemente dolorido. Não era dor aguda. Era lembrança física de que algo tinha mudado. Ela permaneceu deitada por alguns segundos, olhando para o teto, sentindo o peso do braço dele sobre sua cintura. O quarto estava silencioso demais. Ela moveu-se com cuidado, e a pequena fisgada que sentiu a fez prender a respiração. Não de arrependimento. Mas de realidade. A linha tinha sido cruzada. Virou o rosto para ele. Bento dormia com a expressão menos rígida do que ela já tinha visto. Sem vigilância. Sem cálculo. Apenas homem. Alice tocou levemente o peito dele, sentindo a respiração profunda sob a palma. Um pensamento atravessou sua mente com forç

