Capítulo 58. RENATINHA NARRANDO Eu tô ajoelhada aqui no chão, segurando a mão gelada da minha vó, e é como se o tempo tivesse parado. Tudo ao meu redor parece um borrão. Eu escuto vozes, passos, gente entrando e saindo... mas nada importa. Porque ela se foi. Minha vó se foi. Minha rainha. Meu tudo. Minha única família. Eu não tenho mais ninguém. Eu quero ir com ela. Juro que quero. Porque viver sem ela não faz o menor sentido. Minha respiração começa a falhar e eu sinto o peito doer como se tivessem cravando uma faca no meu coração. Meus olhos não aguentam mais chorar, mas as lágrimas continuam vindo, teimosas, salgadas, desesperadas. — Renatinha! — alguém chama meu nome. Mas parece distante. Como se estivesse debaixo d’água. Eu m*l viro o rosto. — Pode falar comigo mesmo. — ouço

