Liz
Me remexo na cama na tentativa de dormir um pouco, mas parecia impossível. Minha velha cama parece estranha e pequena demais. Observo o pequeno tule rosa-escuro cobrindo a parede do meu quarto rosa. Estendo a mão e toco, lembrando como eu costumava gostar. Costumava fingir que era uma princesa em uma torre.
O vento sopra pela janela aberta para arejar o quarto. Apenas a luz do jardim traz uma leve iluminação para meu quarto. Fecho os olhos deixando as lembranças me dominarem.
Não sei por quanto tempo adormeço, mas quando acordo novamente, a chuva está batendo na janela. Eu preciso fechá-la, ou mamãe vai ficar com raiva. Danos causados pela água. Como se ela se preocupasse com a casa.
Esfrego meu rosto e me desfaço dos cobertores para me sentar. Estou momentaneamente tonta, mas é sempre assim quando me sento pela primeira vez, então apenas fecho os olhos até a onda passar. Mas então ouço um farfalhar desconhecido, seguido pela janela cedendo ao ser fechada.
Confusa, abro os olhos e quase entro em choque com o que vejo.
Ali na janela está uma figura. Alto e moreno e vestindo um manto preto com capuz. De início penso que é uma assombração, mas por que uma assombração iria se preocupar em fechar a janela?
Ele caminha em minha direção, estou em choque para gritar, então apenas empurro minhas costas para a parede.
Ele se aproxima, o capuz e a pouca luz me impedem de ver o seu rosto. Mas ele é bem alto, um metro e noventa eu diria.
Eu quero gritar, abrir a boca e clamar por socorro, mas quando o faço, não consigo. Não emito som suficiente. Estou em choque. Não sei se estou sonhando ou se é real.
Eu encaro com os olhos arregalados, e quando ele dá um passo em minha direção, a luz toca seu rosto, me permitindo vê-lo à meia luz. Ele é conhecido, mas com o pânico, não consigo processar.
— O quê... o quê...
— Liz.
Ele toca as minhas pernas, sinto a frieza de seus dedos se instalarem na minha espinha. É algo estranho, como se eu fosse tocada pelo próprio d***o. Estremeço e puxo minhas pernas para mim, fechando os olhos na tentativa de acordar daquele pesadelo.
Esfrego os olhos, querendo acordar, mas ele ainda está lá quando os abro novamente. Mais perto na verdade.
— Quem… quem é… você? O que você quer?
— Você não se lembra de mim, Liz? Eu não causei uma boa impressão? Estou ofendido.
— Eu... eu não...
— Você vai ser minha esposa. — continua. — Seria estranho se eu não soubesse seu nome, você não acha?
Sua esposa?
Eu olho mais de perto. É o Angelo Gutierrez, mas porque ele está aqui no meio da noite e com um capuz? E o mais importante. O que diabos ele está fazendo no meu quarto no meio da noite?
Será que o meu irmão o deixou entrar?
— O que você quer? — pergunto.
Posso ver como seus olhos vagam pelo meu corpo. Estou vestindo apenas uma camiseta e calcinha. Reúno os cobertores, tentando me cobrir.
— Não há necessidade disso. — diz ele, se aproximando ainda mais para pegar a ponta do cobertor e puxá-lo de cima de mim. — Eu vim para lhe dar uma coisa.
Me pressiono mais forte contra a parede quando ele se aproxima da beirada da cama. Consigo finalmente ver melhor o seu rosto, apesar dele não tirar o capuz. Ele observa o quarto, depois volta a me olhar.
— Um pouco infantil, não é?
— O que você quer comigo?
Ele olha para mim e sorri.
— Isso não é maneira de se comportar com seu futuro marido, coelhinha. — Ele se senta na beirada da cama, se aproximando.
— O que você quer? — grito, clamando internamente para alguém vir e me livrar desse homem.
Mas nada. Ninguém vem. Estou sozinha com este homem estanho de capuz.
Ele me olha desapontado, então estende a mão, tocando as pontas dos dedos na minha bochecha antes de deslizar para o meu pescoço, onde meu pulso bate descontroladamente. Ele parece me analisar.
Eu mantenho a parte de trás da minha cabeça pressionada contra a parede.
Estou sonhando. Devo estar. Mas ele parece tão real.
— O que você quer? — Eu pergunto, desta vez com uma voz mais baixa, assustada.
— Eu já te disse isso. — ele começa, a voz baixa e profunda.
Ele pega minha mão, e a puxa para ele. Seu toque é gelado e me faz estremecer. Ele me assusta e talvez não fosse assim que eu deveria reagir ao meu futuro marido.
— Eu tenho algo para você.
Ele estende minha mão, enfia a mão no bolso e eu assisto em silêncio chocada enquanto ele força um anel no meu dedo.
— O que...
Está muito apertado, mas ele não para até passar pelo meu dedo.
— Aí. — reclamo e ele me solta.
Eu puxo minha mão para trás e olho para ela. Na grande pedra escura em forma de lágrima no meu dedo. Tento instintivamente arrancá-lo do meu dedo.
— Não adianta — diz ele, me observando.
Eu ainda tento. Eu não quero isso. Eu não quero nada disso.
Ele se move em minha direção, segurando minha mão. Tento puxar a mão, mas ele segura firme o meu pulso, aproximando seu rosto do meu. Tento empurrá-lo, mas ele tem o dobro do meu tamanho.
Angelo aproxima seu rosto do meu e cheira o meu cabelo. É estranho e faz eu estremecer na cama.
— Você está proibida de tirar o anel. — fala ou meu ouvido, já sabendo que continuaria tentando.
Quando ele se move para ficar de pé, juro que vejo um breve sorriso em seu rosto.
Sinto o sangue drenar da minha cabeça, minha visão desaparece quando a sala começa a girar.
— Você me pertence agora, Liz Gonzalez, para o bem ou para o m*l. Até que a morte nos separe.