Thor me contou tudo. Após tanto tempo do ocorrido em Sokóvia, Thor estava buscando incansavelmente as Jóias do Infinito, embora não tenha achado nenhuma. Foi preso pelo demônio de fogo, Surtur, que revelou que Odin não estava mais em Asgard e que, logo, tudo seria destruído pelo Ragnarok profetizado, uma vez que Surtur uniu sua coroa com a Chama Eterna que queima no cofre de Odin. Thor derrotou Surtur e reivindicou sua coroa, achando que teria impedido a catástrofe.
Quando retornou à Asgard e encontrou Loki posando de Pai de Todos, o obrigou a ajudá-lo a encontrar seu pai e, com a ajuda de Stephen Strange, localizaram o verdadeiro rei na Noruega. Em meio à tudo isso, Odin lhe contou que estava morrendo e que sua primogênita, Hela, escapará de uma prisão a qual foi selada há muito tempo. Hela lutou ao lado de Odin na batalha dos Nove Reinos, mas Odin a prendeu após notar sua ambição e descobrir que ela estava compactuando com os planos de Lyanna para poder absoluto.
Odin morreu e Thor foi ao encontro de Hela, mas teve seu Mjolnir destruído por ela e, ele foi banido para o espaço, junto com Loki. Eles conseguiram chegar à Terra e me achar. O que ele não esperava, era que Banner viesse junto comigo.
Onde está Loki? Segundo Thor, está assegurando o Portal para que possamos retornar à Asgard com segurança para arquitetar um bom plano de ataque. Tony está surtando com a minha ida à Asgard, para participar de uma guerra. Tanto ele quanto todo o grupo teme por nós.
— Agora você se preocupa? — questiono quando estamos sozinhos na oficina
— Eu sei que ando afastado, mas eu me preocupo com você, Kayla. Eu não quero que você vá para uma guerra com criaturas esquisitas e poderosas.
— Eu passei a vida lutando a luta dos outros. Deixe-me lutar a minha luta.
— Essa luta não é sua! — ele insiste — Você nem sabia que era de lá.
— Tony, entenda: eu quero ir, eu vou lutar. Odin está morto.
— E quem liga pra isso?
— Eu ligo, Anthony! Eu e mais um bando de gente. Mulheres, crianças. Pessoas que vão morrer caso essa tal de Hela tome o poder. Pessoas que me acolheram e que se ajoelharam perante a mim, sem ligar para o meu passado na Terra. Pessoas que acreditam em mim e estão dependendo de mim agora.
O silêncio se fez e Tony pareceu pensar em tudo o que eu havia dito. Ele sabe que, querendo ou não, eu irei para Asgard e tentarei salvar tudo. Sabe que darei meu sangue e minha vida para isso. Embora eu não seja mais responsável apenas pela minha vida.
— Você sabe que é responsável por uma criança agora, não sabe? — ele pergunta
— Sim. — sussurro
— Tudo bem. — ele concorda — Você vai. Me prometa uma coisa.
— Diga.
— Você vai voltar intacta e com essa criança salva. — ele me olha sério — Eu não tô brincando, Kayla. Se você morrer lá, eu vou travar uma guerra contra todos esses reinos de Odin.
Fico em silêncio, pensando no que estava acontecendo. Tony estava preocupado comigo e com a criança que eu estava carregando. Estava preocupado conosco. Ele nos amava.
— Eu prometo. — garanto
Me aproximo dele e o beijo com paixão e gana. Aproveito cada pequeno segundo ao lado do homem que amo e retorno para a sala, onde Thor e Banner me esperam ansiosos. Me despeço rapidamente de todos e sou levada por Thor até o jardim. De lá, vejo Tony nos observar da imensa janela de vidro. Mando um beijo para ele e logo o portal é acionado, causando-me vertigem. Me agarro a Thor e fecho os olhos, torcendo pra isso acabar logo. Odeio viajar entre os mundos.
Quando a sensação pára, noto que estamos num lugar escuro e que exala cheiro de morte. Demoro para notar ser Asgard e levo as mãos à boca, tentando esconder a feição surpresa. Asgard estava morta.
— Venham logo. — ouço uma voz e noto o deus da trapaça presente
— Vamos. — Thor diz e põe a mão em minhas costas, me guiando
— Espera. — Banner diz — Tem certeza que é seguro? Esse cara é o deus da trapaça.
— Vamos, midgardiano. Não temos tempo. — Loki revira os olhos
Caminhamos em silêncio até um esconderijo subterrâneo. Vi várias pessoas escondidas lá. Inclusive Talisha, minha dama de companhia. Ela parecia desesperada, mas assim que me viu, se pôs de pé e se curvou diante de mim. Eu vi o desespero no rosto de todos os presentes, mas eles também se curvaram diante de mim e de Thor.
— Quanta cerimônia. — Loki comenta bufando
— Calado. — Thor diz
— Talisha, você está bem? — pergunto me aproximando dela
— Meus pais morreram, Alteza. — ela lamenta — Somente meu irmão e eu escapamos. — ela olha para o menino de 15 anos
— Eu sinto muito, querida. — digo segurando suas mãos, num sinal de carinho
— Heimdall, conte-me as novidades. — Thor diz e um homem se aproxima de nós
— Altezas. — ele se curva para Thor e eu — Ela esta tentando expandir seu império, mas eu estou manipulando a Ponte. Ela não vai conseguir.
— Este é Bruce Banner. — Thor os apresenta — Ele irá nos ajudar.
— Assim espero. — Heimdall diz
— Soube que está prenha. — Loki me olha e estreito os olhos em sua direção, entendendo o motivo dele ser tão odiado
— Eu vim para lutar. — digo
— Alteza, precisa de um traje. — Talisha diz
— Já sei onde arrumar um. — Thor me olha e sorri
— Precisa de um traje para seu amigo. — Heimdall diz olhando para Banner
— Não será necessário, obrigado. — Bruce diz constrangido
— Bom, como pretende me arrumar um traje? — olho para Thor
— Vem. — ele diz me guiando
Sorrateiramente, caminhamos por Asgard até chegar ao Trono da Justiça. Tudo está deserto e parece estar abandonado. A estátua de Heros, meu pai, estava destruída e sua cabeça havia rolado para o outro lado do salão. Thor e eu caminhamos pelos escombros até chegarmos numa espécie de câmara secreta. Thor abre o grande portão e, juntos, adentramos na câmara. Thor carrega uma tocha acesa, para iluminar o caminho. Observo tudo atenta e silenciosamente.
— Eu não mostrei isso para você, pois como renunciou ao trono, não poderia saber. — ele se explica — As armas que pertenceram à Lyanna e Heros estão aqui, à sua espera.
Thor ilumina algumas tochas que estão na parede e logo eu observo as roupas intactas que estão penduradas num cabide preso ao teto baixo da câmara. A calça de couro e cintura alta estão ao lado do vestido medieval. Ele é todo detalhado e preto como a noite mais escura. O corpete é de couro e a saia é solta e preta também. Uma espécie de capa n***a de capuz está presa nele, deixando-o ainda mais sombrio. Me aproximo e toco o vestido, notando que seu corpete é de um material muito mais resistente que o couro. Na cintura, o símbolo de Lyanna está intacto. A árvore n***a quase seca se destaca também no prendedor da capa, no pescoço.
— Isso é seu. — a voz de Thor me desperta do transe
Olho para onde ele está e observo dois machados de duas lâminas cruzados como no símbolo de Heros. Me sinto emotiva e prestes à chorar por aquele simples objeto. Ao seu lado, a adaga de Lyanna está também intacta, com seu nome escrito na lâmina.
— Thor, isso é muito. — digo hipnotizada pelo reflexo do fogo nas lâminas
— Isso é o que você é. Aqui, você não é Kayla, nem só Felícia e nem Vingadora. — ele diz me apoiando — Aqui você é Felícia, a deusa da Justiça.
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— Alguém precisa repassar o plano? — Valquíria pergunta
— Pelas barbas de Odin! — digo ao ver uma criatura que fora ressuscitada por Hela
— Hã? — Bruce me olha estranhando o modo como falo
— Desculpa. — olho para ele — Não sei o que acontece comigo quando estou aqui. — dou de ombros
— Aquele é Fenrir, um lobo gigante. — Heimdall diz
— Gigante, é? — Thor comenta — Temos algo contra ele. — diz enquanto observamos tudo do alto
— E aquele é Skurge, o traidor. — Loki diz
— Olha quem fala. — Valquíria implica
— Loki, vá fazer a sua parte. Garanta já a segurança do povo. — Thor ordena
— Sim, Altezas. — ele implica e sai
— Qual o problema dele? — pergunto
— Inveja. — Valquíria dá de ombros
— Deixe-me adivinhar. — Banner chama nossa atenção — A doida com chifres é a primogênita de Odin?
— Exatamente. — Thor diz
— Sinceramente, amigo. — suspiro e toco seu ombro — Tô achando que você é o adotado. — faço graça e ouço a risada de Banner, enquanto Valquíria tenta esconder seu riso
— Está convivendo muito com Tony. — Thor me olha
— Fazer o que? É o filho dele crescendo dentro de mim. — digo pegando os machados em mãos
— Vamos? — Valquíria pergunta
— Vamos. — Banner, Thor e eu dizemos juntos
Quando as forças de Hela estão atacando os protegidos por Heimdall, nós pulamos do alto da construção em que estamos e eu me agarro nas costas de Banner. Bem na hora em que sua metamorfose se completa e ele se transforma no Incrível Hulk, eu pulo de suas costas, dando uma cambalhota e caindo de pé, já pondo as machadinhas para trabalhar, degolando o exército ressuscitado de Hela. Hulk vai pra cima do lobo gigante, enquanto Thor e Valquíria lutam comigo contra Skurge e os guerreiros ressuscitados. Loki e os gladiadores chegam para nos ajudar, enquanto os cidadãos embarcam no imenso navio que foi roubado durante a madrugada. Hela cria uma barreira no chão, impedindo-os de fugir.
— O que eu fiz? — ouço o tal Skurge dizer
Ele vai para cima de Hela, mas é morto.
— Thor! — eu o chamo enquanto Hulk esmaga tudo ao meu redor — Nada disso adiantará se você não destruí-la!
Vejo Thor ir até ela e eles travarem uma luta acirrada. Continuo enfrentando os guerreiros, até que um fica me observando. Caminho até ele com fúria.
— Como podem ser tão parecidas? — o ouço perguntar
— Você. Vai. Morrer. — digo pausadamente
— Este não era o propósito de sua mãe. Como ousa traí-la desta maneira?
— O que ela queria é errado. Estou aqui para consertar o que ela começou.
— Tente. — ele me desafia
Travamos uma luta e ele se esquiva dos machados com maestria. Nossas armas se chocam e logo estou lutando na mão pura, enquanto ele tem uma grande e afiada espada. Com uma rasteira, ele me derruba de costas no chão.
— Não merece esse símbolo. — ele passa a espada no símbolo de Lyanna em minha garganta e o mesmo se parte, soltando a capa
Ele ergue o braço e abaixa na minha direção. Quando penso que irei morrer, uma espada impede que a lâmina chegue até meu rosto. Vejo as faíscas do choque entre as lâminas e percebo que Loki me salvou e está lutando contra o guerreiro. Pego a adaga de Lyanna em minha cintura e a giro nos dedos. Loki empurra o guerreiro para mim e eu o golpeio na barriga, vendo seus olhos perderem novamente a vida. O acerto mais algumas vezes e largo seu corpo sem vida no chão. Guardo a adaga na minha cintura novamente e respiro, buscando o ar com pressa.
— Salvei sua vida. — Loki diz me dando meus machados
— Quer um cartão de agradecimento? — implico
— Um "obrigado" basta.
— Obrigada, Loki. — digo sincera
Um trovão alto é ouvido junto com um grito. Olho na direção em que Thor luta com Hela e o vejo perdendo um olho da maneira mais c***l possível. Sinto um grande aperto no peito e vejo Loki ficar nervoso.
Vemos luzes cercarem Thor e algo nele despertar. Acabo sorrindo vendo os raios e um poderoso trovão atinge Hela, deixando-a momentaneamente fora de combate.
Sinto a tensão se desfazer e os ombros de Loki relaxarem.
— Você o ama, assuma. — digo
— Humana insolente. — ele bufa e eu acabo rindo
— Humana não. Deusa. — corrijo