Senti como se o meu mundo tivesse parado. Não foi um choque imediato… foi pior do que isso. Foi um silêncio. Um silêncio tão grande dentro de mim que até o barulho das sirenes, dos passos correndo, dos gritos ao longe… tudo ficou distante, como se eu estivesse dentro de uma bolha de vidro e a vida estivesse acontecendo do lado de fora. Eu olhei para o detetive. Eu olhei para a maca. Eu olhei para aquele papel metálico cobrindo um corpo. E eu simplesmente me recusei a entender. Não. Não podia ser ele. Não era possível. Anthony não podia estar ali. Anthony não podia estar debaixo de um pedaço de alumínio frio, como se fosse um… número. Como se a vida dele pudesse ser dobrada e fechada daquele jeito. — Não… — minha voz saiu fraca, mas saiu. — Não, não, não… Senti minhas pernas

