Cap 15

786 Words
Vasco narrando . Eu sabia que ela vinha evitando me olhar, evitando aparecer na boca, evitando tudo que tivesse meu nome no meio. Mas quando vi Laura descendo do táxi, aquele mundo inteiro que eu tentei ignorar nas últimas semanas voltou como um soco no peito. Não era saudade. Era outra coisa. Uma coisa que eu não devia sentir… mas sentia. Quando ela tentou passar, segurei a mão dela. Era pequena, quente, tremendo. E aquilo me matou por dentro. — Sobe na moto, Laura. — repeti sem tirar os olhos dela. Ela ficou parada, mordendo o lábio, respirando rápido. Eu conhecia aquele olhar — entre medo, raiva e um sentimento que ela não queria admitir. Quando finalmente subiu, eu senti o corpo dela encostar nas minhas costas, mesmo tentando manter distância. Mas só de sentir a respiração dela… eu perdi a linha que eu vinha lutando pra manter. Acelerei devagar, subindo pelas vielas até parar num lugar mais afastado, perto de uma laje que dava vista pro morro inteiro. Desliguei a moto. Silêncio. Ela desceu rápido, cruzando os braços, tentando tirar o nervosismo do rosto. — Fala logo, Vasco. — disse com a voz baixa, mas firme. — Eu não tenho mais nada pra escutar. Caminhei até ela devagar. Eu não queria assustar. Só queria que ela olhasse pra mim sem ódio. — Não é o que tu pensa. — soltei. Ela riu sem humor. — Claro que não é… — virou o rosto. — Tu só tava com outra. Normal, né? Eu que fui i****a de acreditar— Parei na frente dela, não encostei, mas fiquei perto o suficiente pra ela sentir minha respiração. — Eu tava tentando te esquecer. — falei sem rodeio. Ela piscou, surpresa. Perdeu as palavras por um segundo. E esse segundo foi suficiente pra eu continuar. — Eu não posso querer tu. — falei apertando a mandíbula. — Tu é diferente. Tu é criada na tua casa, tua mãe é direita, tu estuda, trabalha… tu não merece o que eu sou. Ela me olhou, e os olhos dela estavam cheios de mágoa. — E tu acha que me beijar e depois desaparecer era melhor pra mim? — ela rebateu. Aquilo bateu forte dentro de mim. — Eu fui um covarde. — admiti. — Eu fiquei com medo de estragar tua vida. Medo de te machucar. Então fugi. Ela ficou me encarando… e vejo o jeito que ela engole seco. Me aproximei mais um passo. — Mas tu não sai da minha cabeça, Laura. Nem um dia desde aquela noite. Ela desviou o olhar, mas eu peguei de leve no queixo dela, fazendo ela me encarar. — Eu não fiquei com aquela mulher. Ela só tava na boca. Eu nem toquei nela. — minha voz saiu baixa, rouca. — Eu tô falando a verdade pra tu. Laura respirou fundo, e eu senti o ar quente dela bater no meu rosto. — Por que eu? — ela perguntou quase num sussurro. — Porque tu é a única que mexe comigo desde que nós era criança. — encostei minha testa na dela. — A única que eu não consigo tocar sem perder a cabeça. Ela fechou os olhos. E eu senti o corpo dela relaxando um pouco. Aproximei a mão da cintura dela devagar, dando tempo dela recuar. Ela não recuou. Encostei a mão, senti o calor da pele por baixo da blusa. Laura respirou fundo, trêmula. — Eu tô com medo, Vasco. — ela confessou baixinho. — Tu é intenso demais… eu não sei lidar. Passei o polegar na lateral do rosto dela. — Eu também tô, princesa. — admiti. — Eu nunca tive medo de mulher nenhuma. Só de tu. Quando os olhos dela subiram pros meus, eu não aguentei mais. Segurei o rosto dela com as duas mãos e puxei pra perto. O beijo aconteceu num impulso — quente, profundo, cheio de tudo que eu segurei por semanas. Ela correspondeu na mesma intensidade, como se tivesse guardado a mesma falta que eu. A boca dela era macia, doce, viciante. O jeito que ela segurou minha camisa com força me desmontou inteiro. Afastei o beijo só pra respirar, mas mantive a boca colada na dela. — Eu não vou sumir de novo. — falei contra os lábios dela. — Não vou te machucar assim mais. Ela apoiou as mãos no meu peito, o rosto corado, o olhar preso no meu. — Então não me deixa, Vasco… — ela sussurrou. Passei a mão pela nuca dela, trazendo pra outro beijo — dessa vez mais lento, mais cuidadoso, cheio de carinho. E pela primeira vez na vida… eu senti que tava perdendo o controle do jeito mais perigoso possível: me apaixonando por ela.
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