Desacoroçoada, ela ouviu tudo e só concordou. O carinho por ele era imenso e a necessidade de ter pacientes fixos também. Ela foi atendê-lo tentando disfarçar, brincou durante todo o atendimento e, na hora de se despedir, falou na frente da mãe dele e de Gaia que ia precisar se afastar das ótimas consultas deles. Ele não gostou nada da notícia, a tratou m*l dizendo que ela não era mais amiga dele. Ela disse que sempre seria e se afastou arrasada, nem atendeu ninguém o resto da manhã e recebeu um belo sermão de sua chefe. Na hora do almoço, Danna estava na cozinha primeiro e começou a falar na frente de outra funcionária:
— Mah, eu já ia te chamar. Seu paciente novo já ligou aqui para confirmar o horário, ele falou que está se acertando com você ainda. Querida, eu mais do que ninguém reconheço seu esforço, sua garra, mas essas coisas não podem se repetir. Várias reclamações na semana, neste mês você já perdeu dois pacientes e quase três, porque o Josenir não está querendo mais ser atendido por você. Tenta se esforçar para pelo menos esse novo virar fixo! Vinícius, né? Me parece fácil. Digo, comparado às figuras que você mais lida.
Incomodada, Mah sentou-se para comer e disse que estava dando o seu melhor, sendo sempre profissional, e que, se não estava bom o suficiente, logo chegaria ao fim o seu tempo ali. Danna respondeu:
— Mah, que isso? Eu só quero te ajudar. Quantas e quantas vezes não te dei regalias aqui? Você sempre se atrasa, muda os horários para resolver as coisas dos seus avós. Entrou como secretária e hoje exerce sua profissão.
Mah respondeu ironicamente, levantando-se da mesa:
— É, e nunca me deixa esquecer de nada disso. Eu sei quais são minhas obrigações, não precisa ficar me cobrando, porque nenhuma delas queria atender o Josenir, o Vicente e outros.
Ela saiu da cozinha, pegou suas coisas e foi para o condomínio Golden Six atender Vincenti. No trajeto, ouviu apenas músicas que sua mãe gostava: MPB, românticas antigas como Roberto Carlos e Kid Abelha. Tentou se acalmar e ignorar as críticas infundadas. Por causa da distância, acabou chegando um pouco mais tarde do que o horário marcado. Quando Neuza a buscou na portaria, disse que havia ocorrido um m*l-entendido, pois Filipo foi à clínica buscá-la e não a encontrou. Mah disse que não sabia, pediu desculpas, pediu para se trocar rapidinho e, ao chegar na casa, tirou o vestido laranja que estava usando, vestiu o uniforme, prendeu o cabelo e saiu apreensiva. Neuza estava no corredor e disse que Vincenti a esperava no escritório. Mah falou, afastando-se:
— Eu vou lá falar com ele, tudo bem? Posso?
Rindo, Neuza respondeu:
— Até pode, mas é do outro lado, querida. Memoriza a decoração, que vai ser fácil se localizar.
Ela sorriu e foi andando, respirou fundo e bateu na porta, chamando por ele:
— Vincenti, oi, eu cheguei. Boa tarde! Vamos lá?
Ele respondeu:
— Está atrasada! Vá para a sala.
Ela foi e sentou para esperar. Quase uma hora depois, Neuza passou por lá, levou bolachas caseiras e suco, falando brincando:
— É, Mah, existem dias e dias, tenha paciência, por favor.
Simpática, ela disse que, com aquelas bolachas, com certeza teria paciência. No horário estimado para acabar a fisioterapia, ele saiu do escritório, passou pela sala e falou sem dar a menor importância para ela:
— Tenta chegar no horário amanhã. Filipo vai te levar, Melanie!
Ela se levantou incrédula, falando com a intenção de ir atrás dele:
— O quê? E a avaliação? E o contrato? Ei?
Ele respondeu irônico, ainda se afastando:
— Até amanhã, Marjorie não se atrase.
Ela falou baixinho, resmungando:
— Até amanhã, Marjorie, não chegue atrasada... ahhh, vai à merda, porcaria.
Ela foi para o quarto se trocar, saiu com o vestido laranja e foi direto para a saída. Encontrou Filipo sentado e, rindo, puxou assunto:
— E aí? Vai rolar uma carona? E a foto? Cadê a Neuzinha, hein?
Ela apareceu rindo e, olhando para os lados, falou:
— Eee, menina danada! Vai, vamos tirar a foto, rápido.
Incrédula, Mah falou animada:
— Sério? Aqui? Eba! Espera, deixa eu tirar a mochila!
Ela foi para o gramado, soltou o cabelo e falou rindo:
— Vai rápido, tira mais de uma, hein!
Inclinou-se e fez uma "ponte" com o corpo. Os dois começaram a rir. Ela se jogou no gramado, levantou rápido e, indo ver a foto, falou:
— Sabe gravar bumerangue? Amanhã tem mais, hein! E trabalho que é bom, nadaaaa.
Lá da janela, escondido, Vincenti estava espiando, sério. Logo gritou por Neuza, que saiu correndo, se despedindo de Mah.
Filipo a levou até o terminal rodoviário e disse que não iria à clínica no dia seguinte porque estaria de folga, mas que era para ela se esforçar para chegar no horário. Antes de descer, ela disse rindo:
— Valeu, hein, e até amanhã. Não se atrase, Marjorie!
Ela foi para a academia de dança, chegou cedo e foi tomar banho e se trocar. Ficou sentada no canto da sala, só olhando as crianças. Quando elas saíram e o pessoal começou a chegar, Maciel chegou chorando e contou aos amigos que seria despejado de casa porque não havia pago o aluguel. Enquanto ele contava, Gab chegou e perguntou a Gaia o que havia acontecido. Ela, fofoqueira, contou discretamente. Eles iam começar a ensaiar. De longe, Mah deu tchau para Gab, foi dançar e estava péssima, errando o tempo e a coreografia. Ela falou para os colegas, parando o ensaio:
— Gente, gente, dá uma atenção aqui, por favor. Eu tô bolada, meu parceiro também. O que a gente faz quando não tá indo? Alguém?
O menino falou rindo:
— Festa! Eeeeee!
Todos vibraram. Ela falou rindo:
— Isso aí! Quem topa sair para dançar? Hoje tem festa na quadra e eu ouvi falar que o DJ toca uma sequência personalizada filé se alguém beijar ele.
Maciel falou com graça:
— E eu ouvi dizer que ele é do vale. Eu super topo, galera! Quem vai levanta a mão?
A maioria levantou a mão. Gab estava vendo eles pelo vidro da sala e falou para Gaia:
— A gente vai, né?
Ela disse rindo:
— A gente não, vai você se quiser. Amanhã a gente continua!
Ele saiu da sala e foi falar com um dos meninos com quem tinha mais i********e. Todos estavam saindo, pegando suas coisas. Mah ficou por último, conversando com Gaia sobre o péssimo dia que teve. Espiando-a de longe pelo corredor, Gab voltou, fingiu que estava esquecendo a chave lá e falou com ela:
— E aí, Mah, não vai lá?
Ela disse que já ia. Ele saiu e ficou enrolando na calçada. Eles ficaram por último. Quando ela saiu, Gaia estava fechando tudo para ir embora. Ele disse que ia para casa porque estava meio depre. Mah falou:
— Sério? Vamos pelo menos um pouco, eu também não tô animada hoje.
Gaia se despediu e foi embora. Ele estava encostado na moto e falou, olhando para o final da rua, na direção do restaurante:
— Ah, sei lá, mó galera, muito barulho. Eu gosto de festa, mas hoje acho que vou passar. Mas vai lá, curtir.
Ela disse, revirando a mochila, que não estava a fim de curtir nada também. Ele falou:
— Quer sair comigo? Para comer? Um lanche, sei lá, queria conversar.
Vendo que ela já estava séria em negação, ele continuou falando:
— Não, você tem compromisso, vou para casa mesmo. A gente se vê?
Ela só respondeu se despedindo:
— Aham, cuidado, hein. Boa noite, até amanhã.
Ela foi para a quadra sozinha e ele foi embora. Lá estavam dançando e bebendo. Ela só dançou um pouco de brincadeira e logo foi para casa de ônibus. Mexendo no celular, viu que Gab postou no status:
"O dia tá difícil mesmo hj ? moto quebrada"
"Era só o que faltava"
Ela respondeu:
"? Tudo bem? O que aconteceu?"