Capítulo 12

1204 Words
Ele respondeu irônico: — Então não conte, ou nós dois vamos ter problemas. Aquele noivo não tá com nada, se ela ficar comigo é porque eu serei merecedor. E vou ralar muito para poder chegar à altura dela na dança! Então não reclama, você não vai fazer nada com essa bota aí por muito tempo. Nem dor tá sentindo! Vê se some logo, antes que ela te chame para a fisioterapia e veja que é tudo mentira. Amanhã cedo o dinheiro tá na sua conta e seus problemas resolvidos, meu amigo. Deixa eu me candidatar logo, antes que alguém tome a minha frente! Ele foi para a sala de ensaios e sentou no canto. Logo Mah entrou, falou com todos sorridente: — Pessoal, não vamos parar. Quando uma janela se fecha, uma porta se abre. Tá muito em cima para eu conseguir um parceiro que seja compatível com a minha coreografia. Mas se mudar a coreografia, pode dar certo. Meninos, alguém aí está disposto a tentar? Levantem a mão, por favor! Mais de cinco levantaram a mão. Um falou que não podia ensaiar todos os dias, o outro disse que só poderia à tarde, o outro perguntou o valor do prêmio. Ela falou rindo: — Não tem cachê bom, seu bobo. É tipo uma eliminatória! Para conseguir vagas em bandas, programas... Dado, você rebola mais que eu, desculpa. Gente, a coreografia vai ser focada em mim. Aceito sugestões, ideias e eu vou mostrar o que pensei. Dado, vem aqui. Fica parado em pé! Põe aquela da Anita, "Bola Rebola". O rapaz ficou em pé e todos já estavam rindo antes de começar. Ele estava com a mão na cintura, com cara de deboche. Ela se aproximou e começou a dançar de costas para ele, com sensualidade. Parou e falou rindo: — Menino, tem que segurar em mim! A coreografia é sobre o poder da mulher, não o empoderamento das bichas, eu tô vendo sua cara no espelho. Posso? Vamos de novo? Volta a música! Ela foi fazer de novo e todos começaram a rir muito. Ele começou a imitá-la, rebolando e fazendo quadradinho. Uma das meninas falou, levantando: — Mah, tenta comigo! Você é o homem, hein? Quer que eu faça o quê? Aquela da "Boa Menina" dá? Mah falou, posicionando-se atrás da menina: — Claro que dá, põe aí, gente. Você vai fazer parte da coreografia no chão, olhando para mim. Eu imagino que os jurados vão olhar os olhares, sempre penso nisso. Minha mãe dizia que precisa ser de verdade, as emoções transmitidas, por isso precisa ensaiar para entrar no personagem. A menina começou a dançar, logo ficou de costas próxima a Mah, que pegou em seu cabelo e cintura, mostrando o que queria do parceiro: alguém sem gingado para poder parecer um poste, uma árvore e não atrapalhar a desenvoltura dela. Um dos meninos falou rindo: — Essa aula tá cada vez mais adulta, mainha me tire daqui, por favor. Eu não tenho idade pra isso, não! Começaram a rir todos. As duas trocaram, Mah começou a dançar rebolando e se roçando na menina. Maciel estava olhando e falou: — Seria melhor ela procurar alguém que não fosse tão mole, alguém sem gingado para poder parecer um poste, uma árvore e não atrapalhar a desenvoltura dela. Dado falou brincando: — A árvore vai roçar o p*u daí, né? Porque você acha que ela dançava com você, viado? Novamente o riso tomou conta da sala. Mah falou, indo mexer no som: — Deixa isso para depois. Vamos ensaiar como sempre! Dado fica na frente, tá cheio de desenvoltura hoje, né. Ela ficou de canto, só olhando e mexendo no som. Gab se aproximou e falou como quem não queria nada: — Oi, Mah, e aí, tudo bem? Bem, bem não, né, imagino. Sinto muito! Ela disse que ia dar um jeito. Ele falou: — Eu pensei em uma coisa, mas é bobeira, deixa pra lá. Você não faz essas coisas, eu acho. É mais para armadores e não super professoras. Ela perguntou o que era, insistiu curiosa. Ele disse, mexendo no celular: — Quando eu era mais doido, ia a umas festas com os amigos da minha irmã. Eles faziam competições valendo dinheiro, danças na rua, praças, parques, na casa deles. Bom, hoje já não sei, mas vou ver com um amigo meu se rola. Qualquer dia posso te levar, quem sabe você fatura uma grana, se diverte e sai da rotina! Ela sorriu, ficou pensativa e falou curiosa: — E você dançava o quê mesmo? Ele disse rindo: — Ah, um pouco de tudo, só de brincadeira. Meu pai foi o ceifador que dizia que dança era coisa de mulher, ele era do tipo machista arcaico. Se eu não tivesse parado, talvez seria um de vocês, já pensou? Professor ou coreógrafo Dom! É, acho que não, eu não era bom. Ela disse que precisava ver para julgar a desenvoltura dele e falou para ele ir lá dançar com o pessoal. Ele falou com graça: — Na frente de todo mundo não sai nem um forró meia boca, eu tenho vergonha. Até pensei em me oferecer para ser seu parceiro, mas você ia me chamar para levantar, com eles olhando, eu ia travar, sabe aquele medo de passar vergonha? Com todo mundo olhando? É, você com certeza não sabe, né, dança qualquer coisa em qualquer lugar. Ela ficou rindo. Ele continuou falando: — Preciso ir para o meu lugar, a contabilidade. Lá eu não passo vergonha. Ele saiu rindo. Maciel foi embora sem nem falar tchau para ninguém. Quando acabaram o ensaio, todos estavam indo embora. Ela foi olhar o escritório pelo vidro, bateu e deu sinal chamando Gab. Quando ele entrou, ela falou, colocando um forró: — Quero ver, dois para lá e dois para cá. Ele disse que não ia levar ninguém na farmácia por causa do pé machucado, aproximou-se e falou que ela não podia rir. Começaram a dançar em sincronia. Ela falou rindo: — Me carrega no colo logo, não tá só conduzindo, tá me forçando a seguir seus passos. Ela parou de dançar e colocou samba de gafieira. Ele se saiu bem e falou rindo, convencido: — E aí? Qual o próximo? Ela colocou funk e parou na frente dele: — Você aceitaria dançar comigo? Só para essa audição? A gente pode ensaiar depois que todo mundo for embora. Você não vai precisar fazer muita coisa, os meninos dançam muito, até demais. Eu preciso de menos! Ele disse que podia tentar. Ela falou, virando de costas: — Não vou encostar em você, tá? Gosta de funk? Reggaeton? Ele disse que gostava de um pouco de tudo. Ela falou, andando em volta dele: — Preciso pensar, mas é mais ou menos isso. Eu vou te rodear, dançar nas suas costas e, depois do refrão, você se vira para mim e eu vou para o chão, com um empurrão seu. Vê se não me empurra de verdade, hein. Ela começou a dançar, ele estava de frente para o espelho vendo-a atrás. Quando chegou a hora de se virar e ficar atrás, ele falou, segurando-a levemente pela cintura: — Agora que pega no cabelo? Eu tenho que ficar parado mesmo?
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