Capítulo 13

1132 Words
Ela parou e falou, afastando-se: — É, mas acho que não precisa pegar no meu cabelo. Você acha que pode dar certo mesmo? Deixa eu chamar a Gi para ver? Desculpa, eu tô meio desesperada. Se perder essa chance, vai demorar meses para ter outra. Você acabou de chegar aqui e eu não... Ele interrompeu: — Ei, de boa, relaxa um pouco. Se você achar que dá, eu topo. Chama ela e faz de novo! Tem algum vídeo de inspiração para eu ver? Ela disse que sim, Anita. Ele ficou assistindo e ela foi chamar Gaia. Começou a mostrar a ideia, mas foi interrompida: — Mah, a música, troca. Eu não sei, acho essa agitada demais. Sua inspiração não veio do reggaeton? Então. É mais envolvente! Fuja do tradicional, seja você, dança com o coração. Ela trocou, colocou "Envolver - Anita" e falou brincando: — Esse coração não tá me dando nada de ideias, não viu, Gai? Acho que esse ritmo vai exigir mais dele! Ele falou, olhando um vídeo no celular: — E se eu rodar, andar em volta de você, como uma ameaça, rondando a presa? Você pode me enfeitiçar e eu paro, enquanto você dança eu paro. Quando tento te pegar, você me recusa e vai ao chão com o meu empurrão. Termina sua dança e faz aquelas coisas doidas, rebolando no chão. Ela falou que não sabia, Gaia falou que era para tentarem. Voltou a música do começo, ele começou a andar em círculos com cara de deboche. Mah falou rindo: — Para de me olhar assim, Dom, isso não é ameaçador. Ele respondeu irônico: — O Coringa mata sorrindo, sei lá. Vai, faz sua parte aí. Ela começou a dançar rebolando de frente para ele, longe, indo até o chão e subindo. Ele se aproximou lentamente, ela virou de costas, eles estavam de frente para o espelho. Ele falou, pegando as mãos dela e levantando, entrelaçando nas dele: — Sem encostar e agora, você me rejeita! Posso te rodar? Ela disse que sim, rodou e voltou a ficar de costas. Ele colocou uma mão no pescoço dela, a outra no quadril e falou, puxando-a para perto: — Não para de dançar. Vem vindo para trás e encosta, pode me desprezar visualmente. Vira um pouco com a cabeça, isso, aí eu te empurro. Ela fez e foi ao chão, continuou dançando com movimentos provocativos, deitada de costas para ele. Gaia falou, chegando perto: — Espera, você está o chamando ou enfeitiçando? Sua coreografia é baseada no poder da mulher, ele te jogou em um ataque de ira porque se sentiu desprezado e aí você vai dançar a favor dele? Vamos mudar! Vai, façam de novo. Quando ele te jogar, você precisa atrair ele e desprezar. Voltaram tudo do começo. Quando chegou a hora de ficar perto, ele falou: — Vou segurar só embaixo, na cintura. Quer deslizar até o chão, escapando de mim devagar? Ela falou que podia ser e fez. Ao chegar no chão, deitou e ficou parada, olhando para o teto. Ele falou rindo: — E aí, vai continuar. O que foi? Ela disse, ajoelhando-se: — Pode andar de novo? Em volta? Ele fez. Ela começou a dançar de joelhos, debruçada no chão, rebolando. Gaia falou animada: — Isso, gostei! Só essa cara de bocó dele que não tá ajudando. E o final? Juntos ou separados? Ela falou que não sabia, mas que estava gostando da ideia deles e que precisava ir embora logo. Agradeceu a ele e saiu correndo pegar a bolsa. Gaia falou rindo: — O que você tá aprontando, hein? Ele disse que nada também, rindo. Ela ficou séria e falou baixinho: — Se você aprontar com ela, eu te pego, Dom, o p*u vai torar, rapaz. Ele disse sério: — Ooo, que isso, Gai? Eu só quero ajudar. Pode me supervisionar todos os dias, vou me comportar! Vamos embora? Deu por hoje, né? Foram saindo juntos. Mah falou que ia pedir um carro no aplicativo para ir até o terminal, porque tinha perdido o ônibus. Ele perguntou se ela queria dividir, disse que estava sem moto mesmo. Foram juntos para o terminal falando do ensaio. Ela perguntou se ele realmente podia fazer aquilo, se não ia atrapalhar ele, os horários. Ele falou que só precisava de uns dias para dançarem a sós e depois ele iria perder a vergonha e então ensaiar com os outros. Depois de descerem no terminal, ele falou que ia acompanhá-la de novo, pelo celular. Às pressas, ela se despediu, agradeceu e foi pegar o ônibus. Mandou uma mensagem para ele: "Vamos?" "Já pegou o seu??" Ele disse que sim, ficou conversando até ela chegar em casa, falando sobre a adolescência e coisas comuns. Era mentira dele que pegou o ônibus, pois saiu de lá e pegou um carro de aplicativo para ir embora. De madrugada, Túlio apareceu, ligou e mandou várias mensagens. Disse que estava acampando com os amigos e perguntou se ela tinha pago as contas com o dinheiro. Ela já estava dormindo, acordou e ficou conversando. Falou de terminar, disse que sempre gostou de ser livre e voar, que ele também e isso os dois tinham em comum. Ele se fez de ofendido, perguntou se ela estava saindo com alguém ou com vontade, foi machista e perguntou se ela estava dançando com alguém que queria t*****r, já que o parceiro não era mais gay. Discutiram por mensagens, ela se sentiu ofendida e humilhada, chorou muito e parou de responder. No dia seguinte, foi trabalhar com o pensamento distante, atendeu só um paciente e ficou calada, não disse nada para ninguém. Saiu adiantada sem almoçar para ir atender Vincenti, trocou de roupa como de costume, foi com um vestido curto florido e tênis. Ao chegar na portaria, foi liberada pelo cadastro e caminhou até lá. Ao interfonar, ouviu Neuza atendendo surpresa: — Mah, eu ia te buscar na portaria. Entra! Enquanto passava pelo lindo jardim distraída, era observada por Vincenti, que estava na janela. Ela encontrou Neuza, com o celular tocando, pediu licença e atendeu. Era um empresário que queria convidá-la para uma festa. Foi direto no quarto se trocar, toda animada acertou tudo com o empresário. Neuza bateu na porta chamando-a, disse que era para ela ir logo. Ela abriu e falou que só ia se trocar. Ouviu do corredor Vincenti falando: — Marjorie, venha agora, ou não vou insistir nisso. Irritada, ela falou passando por Neuza: — Ele vai mexer com a pessoa errada, no dia errado. Onde ele está? Apreensiva, Neuza respondeu, mostrando: — Calma, Marjorie, é para o outro lado, querida. Ela foi até um quarto que estava com a porta aberta e encontrou ele deitado em uma maca. Falou séria, aproximando-se: — Olá, então, como se sente hoje? Cadê seus exames?
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