Antônio Quando entrei no escritório, senti a mesma frieza de sempre, aquela sensação de que nada estava realmente resolvido. Dário estava ali, na ponta da mesa, esperando pela minha palavra. Ele sempre soubera como manter a postura, como se nada fosse capaz de abalar a confiança dele, mas eu sabia o que ele queria ouvir. Ele queria aprovação. Queria que eu dissesse o que ele tanto desejava. Olhei para ele, e com uma calma calculada, comecei a falar. “Dário, você sabe que não tenho muito amor por essa ideia. Casamento com uma bastarda... isso jamais seria aceitável na minha época. Mas eu vi o quanto Vicenzo está determinado. Eu não posso mais continuar resistindo. Ele tem o direito de fazer suas escolhas, mesmo que essas escolhas nos custem mais do que a honra.” Dário me olhou, surpreso

