Olga Às vezes, o silêncio é mais c***l que qualquer palavra. Sentada na beira da cama, com o robe amarrado frouxamente na cintura, observei meu reflexo no espelho. O rosto cansado, os olhos sem brilho, e aquela expressão vazia que nem maquiagem conseguia esconder. Era difícil acreditar que um dia eu sonhei com finais felizes. Que um dia, eu acreditei que o amor podia vencer qualquer coisa. Fui criada para ser perfeita. Para casar bem. Para ser a mulher ideal. E cumpri cada etapa como uma prisioneira cumpre sua sentença. Sem questionar, sem desviar, sem me permitir desejar o que realmente queria. Quando me casei com Antônio, não foi por amor. Foi por dever. Por tradição. Eu era a mulher certa no momento certo. A que tinha o nome certo, a criação certa. A esposa conveniente. E ele, o herd

