Vicenzo A festa ainda pulsava ao meu redor, as luzes quentes refletindo nos cristais, nos sorrisos falsos de alguns convidados, nas palmas apressadas de quem não tinha coragem de me encarar nos olhos. Eu estava ao lado da mulher que amo, minha esposa agora, minha Isadora, vestida como um sonho, com o brilho nos olhos que nenhum ouro da Casa Marino seria capaz de ofuscar. Meu peito ainda ardia com a emoção do voto, com o calor do sangue derramado sobre o livro da máfia, selando nossa união para sempre. Era para ser uma noite perfeita. Mas, claro, perfeição e paz nunca fizeram parte da nossa família. A porta principal se escancarou com brutalidade. Todos os olhares se voltaram para o homem que atravessou o salão como se fosse dele. Não, como se ainda fosse dele. Antônio. Meu pai. Antôni

