Capítulo 5

1090 Words
“Ei!” – Ele não parou, mesmo me vendo andar mais rápido atras dele. – “Ei, minhas pernas são curtas, será que não dá pra ir mais devagar?” Ele apenas me olhou sorrindo, como se aquilo fosse de alguma maneira engraçado, e continuou caminhando para o carro, eu desisti de correr atras dele e passei a andar. Quando entrei no carro ele ainda estava com um meio sorriso zombeteiro.   “Escuta, qual é o seu problema? Por favor, não faça mais nada desse tipo, eu não gosto, e vou te pagar de volta, se puder passar em algum banco para que eu saque o dinheiro eu ficaria feliz.” – Disse num tom amargo para deixar claro que não gostei de toda aquela situação. “É só um presente, o que tem de mais nisso?” “Você foi muito rude, e eu não quero nenhum presente seu, você já me trouxe até aqui e está me levando de volta, fico muito agradecida, mas não faça nada desse tipo, eu não sou uma pessoa que aceita muito bem esse tipo de coisa, e se me pegar num dia r**m eu posso ser realmente um pé no saco.” “Não que você já não esteja sendo, é só um presente, pelo seu aniversário, como eu não sei do que você gosta, fora seus livros, achei uma boa oportunidade de se presentear, não saberia o que te comprar para levar na festa, ao menos isso aí, eu sei que você vai gostar, foi você mesma quem escolheu.” Agora ele realmente me pegou, e eu não sei nem por onde começar a me desculpar, não estou habituada a esse tipo de situação, e ele é realmente muito estranho. Quem diabos dá tanto presente a uma pessoa que nem conhece direito? É muita loucura. “O que foi? Te deixei sem palavras?” “Um pouco, talvez, mas ainda assim, é muita coisa, eu não posso aceitar...” “Ninguém nunca lhe disse que é falta de educação recusar um presente?” “Mais m*l educado que você foi lá dentro é impossível.” “Ele parecia bastante interessado em você... tinha que ter mais cuidado ao atender clientes, e se eu não estivesse com você? Outro cliente poderia ter feito uma reclamação e ele acabe perdendo o emprego. E ele também não estava sendo lá tão educado, ou profissional.” “Você é sempre assim?” “Assim como?” “Tão irritantemente exagerado, e supõe coisas loucas assim o tempo todo?” “Só as vezes.” Chegamos na nossa rua, sem muito mais conversa, ele parecia um pouco imerso em pensamentos, e eu estava um pouco incomodada com como ele agiu e também como meu estou reagindo a sua presença. Isso tudo me deixa inquieta, eu não pensei que encontraria alguém que me deixa assim, esse tipo de coisa eu só vi em livros, até esse momento pelo menos. “Chegamos.” “Muito obrigada por tudo, e pelo presente também, embora eu não goste muito da ideia de ter me dado tanto coisa, foi muito atencioso da sua parte, obrigada.” “Você sempre consegue ser educada ao mesmo tempo que demonstra sua opinião completamente contraria?” – Ele sorriu, e mais uma vez eu senti minhas pernas bambearem. – “Não precisa agradecer por isso.” Ele seguiu para a garagem da família dele, enquanto eu buscava as minhas chaves no meio da bagunça psicológica que eu estava. Estar de volta a minha casa nunca foi tão reconfortante, ele me sufocou com tamanha intensidade, mas talvez seja só eu mesma que tenha ficado tão interessada que estou vendo coisas onde não tem. Meus pais e meus irmãos já tinham almoçado quando cheguei, mas eu não estava com nenhum pingo de fome, a sensação que estava sentindo era estranha, como se o frio na barriga que estar perto dele me dava, fizesse com que eu não sentisse mais nada, nem fome. Tentei iniciar uma leitura, para tentar fazer com que minha cabeça focasse em outra coisa que não fosse ele e aquele olhar perturbadoramente lindo, mas nada era capaz de me distrair, nem mesmo um dos livros que eu esperei meses pelo lançamento. Ouvi uma batida na porta do meu quarto, meu irmão veio conversar comigo. “Minha resposta é não.” “Ah, qual é Angel, você não vai nem mesmo ouvir o que eu tenho a dizer?” - Fernando me perguntou já fazendo cara feia. “Do que adiantaria eu te ouvir? A minha resposta vai ser a mesma, além do mais quando eu preciso de você, é sempre não, então minha resposta é não.” – Respondi sem esboçar nenhuma emoção. “Você é insuportável! Eu n~~ao acredito que de todas as pessoas que poderiam vir no mundo, justamente você, a pessoa mais antissocial do mundo, tinha que ser a minha irmã. Você é um saco!” “Obrigada!” – Respondi enquanto ele saía batendo a porta do meu quarto. Ele só me procura quando quer ir a alguma festa que sabe que meus pais não vão deixá-lo ir se eu não for. As vezes ser a irmã mais velha é horrível, e confesso que ser meu irmão mais novo deve ser mais terrível ainda. Meus pais normalmente vão continuar com suas vidas depois do almoço, e só voltam parra casa na hora do jantar, que em sua grande maioria ou eu faço, ou pedimos algo quando ninguém está com paciência para ir cozinhar. Nossa rotina normalmente é sempre a mesma, raramente saímos um pouco desse padrão, e muito possivelmente Fernando deve estar em seu quarto, pensando em uma ou duas maneiras de tentar convencer meus pais de deixa-lo sair sozinho, e mais umas quinhentas para tentar me convencer de ir junto, caso sua tentativa com nossos pais falhe. Algumas vezes eu acabo cedendo, e sempre acabo me arrependendo de ir com ele, normalmente é aquelas festas que começam cedo e terminam cedo, mesmo assim, é um saco para mim, e eu não estou com paciência para isso agora. Eu nem estou pensando em ir fazer, e muito menos ir jantar com meus pais hoje, não quero que eles reparem em nada errado comigo, e minha mãe costuma farejar esse tipo de coisa, então hoje, e só hoje, vou permitir que Julian tome conta dos meus pensamentos, assim quando eu acordar amanhã, estarei bem melhor e já terei superado esse meu pequeno distúrbio. E eu não poderia estar mais enganada.  
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD