Capítulo 3

1193 Words
“Ouvi a palavra lasanha?” – Meu pequeno surto se aproximou dizendo. Somente agora pude perceber, meu olhar de leitora assídua não me permite ver detalhes a partir de uma certa distância, mas de perto, esse homem é definitivamente um deus grego. “Sim, a Angel estava dizendo algo sobre a discussão da família dela, algo sobre o infarto da lasanha.” – Ele sorriu para mim de um jeito tímido. “Entupir as veias tem sido um assunto constante em minha vida, minha mãe é rigorosa com a alimentação.” – Respondi um pouco sem graça diante do olhar quente e frio ao mesmo tempo. “Mas pelo visto, a sua mãe se preocupar com isso tem te feito muito bem.” – O descarado me mediu de cima a baixo, lambendo todo o meu corpo com os olhos, deixando para trás um rastro de calor desconcertante. Samuel parece ter notado meu desconforto, anunciou ao primo que deveriam ir. “Ela está saindo, não vamos mais tomar seu tempo, vamos Julian.” “Eu nem me apresentei direito, sou Julian, não sei se você se lembra de mim, você costumava brincar de boneca com a minha irmã.” – Disse com um sorriso extremamente branco e perfeitamente lindo, mostrando as covinhas dos dois lados das bochechas que quase me fizeram derreter. “E você era provavelmente o insuportável que estava sempre nos enchendo a paciência, não é?” – Perguntei com uma das sobrancelhas erguidas, era completamente despretensioso, mas me deixava com o olhar muito bonito, graças ao design arqueado que elas tem. Ele sorriu para mim, algo em seu olhar mudando, esquentando, me aquecendo, eu nunca tinha me sentido tão atraída por alguém em meus quase 17 anos. “Era eu sim, fico feliz que ainda se lembre, pelo menos sei que te marquei de alguma maneira, mesmo que não seja positivamente.” Samuel não estava parecendo muito confortável com a nossa interação, então tratei de e despedir antes que perdesse minha companhia de volta. “Eu preciso ir, para não voltar muito tarde.” – Falei me despedindo e já dando os primeiros passos para me afastar. “Obrigada pelo convite da sua festa, a propósito.” – Disse enquanto eu saía. – “Será um prazer estar presente na sua comemoração.” “Isso é porque eu não sabia que era o garoto chato que me enchia o saco quando era mais nova.” – respondi acenando. Eu precisava de espaço, ele bagunçava a minha cabeça, e mexia principalmente com o meu corpo, o traidor estava implorando por atenção, e eu estava desconcertada com isso. Dobrei a esquina ainda sentido seu olhar em minhas costas, me perguntava se aquilo tudo era apenas coisa dos meus hormônios que estavam mudando, independente do que fosse, ele com certeza não iria dar mole para mim, assim que conhecesse outras tantas mulheres por aqui, esse surto momentâneo de me fazer ficar com vergonha, sem dúvidas, iria passar. Esperei por alguns minutos no ponto de ônibus, mesmo que meu pai se sinta melhor me levando nos lugares, eu prefiro me virar sozinha, o que o deixa mais tranquilo, é o fato de que eu só vou por vontade própria, nas livrarias mais próximas, de resto só vou obrigada. Ainda estava esperando, quando um carro se aproximou de vagar, parou na frente do ponto e baixou o vidro. Eu não olhei até escutar a voz de Julian chamando meu nome. “Angel? Quer uma carona?”  Oh deuses das moças virgens e extremamente sensíveis a contato masculino... (bom pelo menos ao dele... e ele nem me tocou ainda) me protejam para que eu não caia em tentação e me atire em cima dele! “Humm, não, eu to bem, não quero atrapalhar” – Recusei educadamente. “Vamos, eu não me lembro de metade da cidade, e as coisas parece ter mudado muito, talvez você até possa me ajudar.” – Maldita voz sedutora. “Mas onde você está indo?” – Perguntei tentando me livrar dele dizendo que iria no oposto à sua direção. Ninguém pode me julgar por tentar me manter afastada do pecado. “Onde você for, não me importo, só quero sair um pouco de casa, eles estão me enlouquecendo desde que eu cheguei.” – Respondeu, com um brilho no olhar, que fez com que eu tremesse na base. “E o que te faz acreditar que eu vou entrar no carro de um estranho? Meus pais me ensinaram sobre isso sabia?” – Retruquei sarcástica. “Eu não sou estranho, sou quase da família, vamos logo, um ônibus vai acabar passando por cima de mim aqui.” Entrei no carro, mesmo sabendo que era uma péssima ideia, ficar perto de um homem que me atraia tanto não podia dar em boa coisa, ou poderia acabar sendo bom até demais. Eu não fazia ideia de que minha vida mudaria drasticamente a partir daquele ponto, os ventos soprariam para rumos completamente diferentes do que eu planejei. “Samuel estava me dizendo que você não é muito sociável, então por que me convidou para ir a sua festa?” – Perguntou curioso. “Sendo bastante honesta, eu não fazia ideia de quem era você, como ele me disse que não poderia ir, e eu queria muito que ele fosse, dentre os rapazes que minhas amigas chamaram, te garanto que o Samuel seria a melhor companhia para mim naquela noite dos horrores. Então quando ele disse que não poderia ir, porque o primo chegou, disse para te levar. E foi isso, só te vi quando chegamos em casa.” – Eu falo um pouquinho demais quando fico agitada, o que é pouco comum para mim. “Você não está retirando o convite, está?” “Não, se quiser ir, por mim tudo bem, mas duvido que alguém como você vá se divertir em uma festa cheia de quase adultos embriagados.” “Alguém como eu?” – Um sorriso brotando nos lábios. – “Quer dizer alguém mais velho? Tem algum problema com a minha idade Angel?” “Não, eu não, mas pensei que não fosse curtir, só isso.” “Na verdade, acho que vai estar muito mais interessante do que qualquer lugar que eu pudesse estar.” – Os maravilhosos olhos azuis dele se aprofundaram nos meus, com as pupilas dilatadas, claro que na época eu não entendi bem que aquilo era puro desejo, eu só senti meu corpo ferver e minha pele se arrepiar diante daquele olhar. “Bom, então espero que se divirta, o que para mim parece quase impossível.” – Olhei pela janela, para quebrar o contato visual, notando que ainda estávamos parados no ponto de ônibus. – “Acho melhor você sair daqui, eu vou a livraria no centro, ainda se lembra a direção?” “Sim, é uma das poucas coisas que ainda me lembro... Quanto a festa, por que não se divertiria no seu próprio aniversario?” “Não é bem a minha praia, minhas amigas insistiram muito, mais do que eu poderia aguentar recusando.” – Respondi com um suspiro profundo. 
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