- Menina, ei menina... Você está bem?
Um sorriso sínico estampa os lábios bonitos e sinto um beliscão em meu braço.
-Aiii seu ... Seu... Jegue...
Seu sorriso aumenta.
- Posso ser isso também, em um sentido, é claro... Ele olha para seus países baixos, a insinuação me deixa encabulada e muda.
- Você parecia sonhar, te chamei várias vezes, então belisquei pra te acordar...
- Isso doeu...
Nem doeu, mas aproveitei para fazer um charme, fiz bico e ele se aproximou me fazendo sentir sua respiração, seus lábios estão a um centímetro dos meus, mas do mesmo modo que se aproximou ele se afasta, e com um floreio me convida a jantar, nem percebi que ele havia terminado, e fico imaginando se isso é verdade, o que comprova é o sabor inigualável do arroz com camarão e da salada leve, uma mistura de sabor deliciosa, o vinho branco para acompanhar, até torci o nariz, pois gosto e estou acostumada com os vinhos tintos vendidos em qualquer supermercado, e sim, puro eu não tomaria, mas acompanhado desse jantar divino, estou amando.
- Qual curso você faz?
- Faço fisioterapia.
- Está terminando?
- Não, começando.
-Você é formado em quê?
-Fiz arquitetura, depois... Administração de empresas.
- Por que você teve que fazer duas faculdades?
- Depois que meus pais morreram e nos deixaram os hotéis eu percebi que um só curso não seria o suficiente, e você, por que escolheu fisioterapia?
- Porque eu queria fazer algo na área da saúde, e o que estava mais acessível era a faculdade de fisioterapia então...
Conversamos por mais algum tempo, até que eu pisquei os olhos sonolenta, já havia um tempo que eu não bebia uma gota de álcool e o cansaço misturado com o vinho quase me fez dormir à mesa.
- Venha vamos sentar mais confortável no sofá, minha conversa está te entediando.
- Não é isso, só estou cansada, e tem um tempo que não bebo.
O acompanho ainda com a taça de vinho na mão, depois de um tempo o sabor já não faz diferença.
Acordo suada e enrolada nos lençóis, o sonho... "-Que sonho? Tá doida, acorda pra vida mulher, você precisa trabalhar, esqueceu?!
É verdade, hoje eu tenho uma faxina na casa da Patrícia Novaes, preciso correr para casa, trocar de roupa, hoje o dia vai ser longo, olho no relógio do celular e são quatro e meia da manhã, ainda está escuro lá fora, vejo pela janela de vidro do quarto que, comparando com o meu quartinho lá de casa, pode ser considerado muito luxuoso, mas não vou negar, o sono em minha casinha simples é mil vezes mais tranquilo, não tem esse moreno quente como o d***o para atiçar minha meu corpo.
Levanto apressada e cato meus cacarecos, escovo os dentes, saio do quarto menos de quinze minutos depois, algo me chama a atenção na varanda e vejo Apollo com uma xícara fumegante olhando para o mar.
- Onde você vai a esta hora da manhã?
Pega de surpresa perco as palavras momentaneamente.
- Vou embora ué!
- A essa hora? Está muito cedo para pegar ônibus...
Ele se aproxima e me sinto arrebatada por sua visão. "Ô lá em casa."
- Algumas pessoas precisam trabalhar.
Ele fica tenso e muito sério.
- Eu também trabalho... -Seus olhos se iluminam. - Você pode trabalhar aqui hoje e todos os outros dias, eu pago bem, e não vou te exigir muito.
-Eu já confirmei com uma cliente, não posso desmarcar, e preciso ir, desde ontem não troco de roupa.
Fico com vergonha e meu rosto esquenta.
–Não vou conseguir te convencer não é?
–Não..., Mas posso reservar o próximo mês.
Minto descaradamente sem pensar na faculdade, não posso ficar tanto tempo perto desse homem, ele vai me endoidar qualquer hora dessas.
– Vou te deixar em casa.
Antes que eu negue ele sobe pela escada gritando um "peraí".
Não dá tempo de responder, fico parada feito uma bocó olhando aquele homem com suas lapas de pernas subir degrau por degrau, sua b***a bonita se destaca na calça de moletom.
–Crei Deus pai, vai ser bonito assim lá no meu cafofo.
Sem que eu espere ele grita.
–Eu ouvi, não precisa ser no seu não, pode vir aqui no meu.
Coloco a mão na boca, tampando.
Tomo um susto maior quando ele se materializa em minha frente.
–Vamos que eu tenho faxina pra fazer.
Nervosa, falo sem parar.
Pegamos um elevador e um frio enorme na barriga me ataca ao perceber que estamos sozinhos no elevador, um andar abaixo uma moradora entra, uma moça muito bonita de nariz empinado.
–O elevador de serviço está estragado?
Pergunta ao moreno tesudo que está encostado do outro lado.
- Não, por que?
- Porquê? Por que vocês estão nesse ora...
Ela aponta para nós dois, e Apollo leva a mão ao rosto encostando os dedos próximo aos lábios carnudos, totalmente beijáveis, deixando à mostra seu relógio de marca, a corrente fina de ouro que está por baixo da blusa regata branca, o homem está mais para um happer americano que um empresário do ramo hoteleiro, ele pega seu celular e liga para alguém.
-Olá Manu, tudo bem? Bom dia, sabe esse apartamento que está abaixo da minha cobertura? Sim, sim... acabei de ver sua ex inquilina, sim... eu quero ele. Escuta alguma coisa e responde sem hesitar - Pode cobrir a multa rescisória, vou crescer minha cobertura, sim... agora, pode oferecer à inquilina outro apartamento em outro condomínio da nossa companhia, tenho, ok obrigada.
A mulher o olha ainda com certo desdém.
-Você é vingativo, Hem. Falo baixinho para ele.
A mulher fica vermelha e me olha de cima a baixo e nos ignora.
-Foi pouco, se fosse eu jogava até as roupas dela pela janela. Cochicho e ele gargalha gostoso.
Alguns minutos depois a mulher sai do elevador resmungando alguma coisa sobre conversar com ralé.
Entro em seu carro um SUV novo, cheiroso como tudo que envolve esse homem, passamos pela mulher do elevador, ele fecha ela por alguns instantes e sai cantando pneu, deixando a mulher boquiaberta.
Quarenta e cinco minutos depois ele para uma rua acima da minha.
-Tem certeza que não quer que eu pare na sua porta?
- Tá doido? Meu pai mata você e eu, ou no mínimo você sai de lá só depois de colocar uma aliança em meu dedo.
Sorrimos, achando graça, mas eu nunca levei um namorado em casa, meu pai jura que eu nunca namorei, mas mainha sabe, acho que ele também sabe, mas não quer aceitar.
Apollo me olha estranho e fica sério.
-É melhor eu te esperar aqui mesmo, não quero casar.
Sua declaração me pega desprevenida e sinto um pequeno incô... êpa! Vai parando por aí, tá parei...
-Nem eu, não me espera, você corre o risco de voltar pra casa de ônibus, ou à pé.
Retiro o cinto de segurança -Muito obrigada pela carona, é... vou indo, tenho um bom dia...
Ele n**a com a cabeça e toca com o indicador o lado do rosto, pedindo um beijo, sem pensar me estico no banco e quando alcanço seu rosto ele se vira e o tempo parece parar.
-Um beijinho nos lábios não mata ninguém. Ele fala baixinho, acelerando meu coração, antes de beijar meus lábios, os seus macios sobre os meus que eu tenho certeza estão ressecados.
"Óh meu Jesus Cristim que boca gostosa."
Muito rápido ele se afasta, me deixando com um vulcão para apagar sozinha, embaraçada desço do carro e quando estou do lado de fora ele fala.
-A sua também é muito gostosa. Ele coloca dois dedos sobre os lábios, o que parece ser uma mania que o deixa ainda mais sexy, tomo distância e corro até em casa com as pernas moles.