CAPÍTULO 74 EDUARDA NARRANDO Eu nem sabia que dava pra viver tanta coisa em tão pouco tempo. Tava ali, ajoelhada no colchonete da sala, com o elástico nas mãos e o olhar nele, que me observava com aquela mistura de cansaço e admiração que me desmontava sem esforço. — Força no braço, Sombra… bora. Só mais cinco repetições — falei, puxando devagar o elástico junto com ele, pra guiar o movimento. — Cinco? Tu disse isso cinco repetições atrás, doutora — ele reclamou, mas a voz tava mais leve. Quase brincando. — E tu continua caindo no papo — retruquei, rindo. Ele me encarou com aquele olhar de canto, aquele que vinha com meio sorriso e me fazia esquecer o que era mesmo que eu tava pedindo pra ele fazer. — Tu fala bonito demais… eu obedeço sem nem perceber — soltou, com a respiração acel

