CAPÍTULO 76 EDUARDA NARRANDO A cozinha tava com cheiro de tempero, vinagre, cebola roxa picada e aquele fundinho de alho que eu tinha refogado pra dar mais sabor na maionese. Meus dedos tavam molhados de tanto experimentar o vinagrete e ajustar o sal e sim, eu sou dessas que gosta de comida com gosto, bem temperada, daquelas que dá orgulho de servir. Tava ali de frente pra pia, mexendo tudo na bacia, quando ouvi a voz vinda lá da sala: — A campainha tocou! — o Sombra gritou, e eu já sabia quem era. Limpei as mãos no pano pendurado na cintura e fui andando até a porta. Quando abri, ali tava ela. Milena. Quando eu vi ela ali parada no portão, com aquele rostinho preocupado e os olhos marejando, não deu pra segurar. Soltei o pano da cintura no chão e corri. — Milena! — gritei, e fui d

