CAPÍTULO 20 EDUARDA NARRANDO Fiquei ali em silêncio, observando ele se movimentar com dificuldade. Cada esforço pra se levantar da maca, cada impulso nos braços pra alcançar a cadeira… era uma mistura de raiva, dor e orgulho. Ele não deixava transparecer fraqueza nenhuma. Mas eu via. Tava ali, nos olhos dele, escondido entre os dentes cerrados e o suor escorrendo pela testa. Quando ele finalmente sentou na cadeira de rodas de novo, ajeitou o tronco com firmeza, passou a mão no rosto suado e soltou o ar com força. — Tu é durona mesmo, hein? — ele disse, com aquele sorriso torto que eu já tava começando a decifrar. — Só faço meu trabalho — respondi, secando as mãos e tentando manter o foco. Ele me encarou. E eu sabia que ele ia soltar alguma. — Por que tu não larga essa clínica e vem

